“A Justiça é ineficiente”, diz diretor de ONG venezuelana

29 de setembro de 2011
Autor: Comunicação Millenium

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Luis CEdeño

A ONG Paz Ativa estuda o problema da violência na Venezuela. Na visão de seu diretor, Luis Cedeño, “o governo Chávez começou a atuar tarde demais”, além de “fingir que o problema não existe”.

O Globo: Desde quando a violência é a principal preocupação dos venezuelanos?

Luis Cedeño: Desde 2006 problemas como o desemprego e a inflação passaram para um segundo plano. Hoje a violência é a principal preocupação dos venezuelanos. Claro que não é um problema que começou com Chávez, ele se arrasta há mais de 20 anos. Mas nos últimos 12 anos os indicadores pioraram de forma expressiva.

O Globo: O governo divulga estatísticas confiáveis?

Cedeño: Entre 2005 e 2009 não tivemos dados oficiais sobre a violência. Mas, no ano passado, o governo voltou a apresentar dados oficiais e reconheceu que nossa taxa de homicídios é de 48 para 100 mil habitantes. Algumas ONGs falam em 57 casos para 100 mil habitantes e essa diferença se deve ao fato de que o governo não contabiliza mortes ainda sob investigação, mortes por resistência à autoridade e mortes em prisões.

O Globo: O número de sequestros também aumentou?

Cedeño: Sim. Segundo nossas pesquisas, no ano passado foram registrados 16 mil sequestros. E muitas pessoas não denunciam, o número poderia ser ainda maior.

O Globo: Por que fracassaram os 11 planos de segurança de Chávez?

Cedeño: Principalmente porque 90% dos delitos ficam impunes. No caso dos homicídios, o percentual sobe para 97%. Imagine, de cada 100 casos, apenas três pessoas são condenadas. Isso explica grande parte do problema. A Justiça é ineficiente. Lembremos ainda que mais de 10 ministros passaram pelas pastas do Interior e da Justiça; e cada um que chegava desfazia o que fora feito por seu antecessor.

O Globo: A oposição se queixa da falta de recursos econômicos…

Cedeño: Sim, o problema é que o governo fez um orçamento tomando como base o barril de petróleo a US$ 40 e hoje o preço é superior a US$ 100. Essa diferença fica com o governo e, de fato, a oposição carece dos recursos necessários para aplicar políticas de segurança.

Fonte: O Globo, 29/09/2011

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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