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11/03/2010

10/03/2010

Por que toda discussão política termina em Cuba?

Porque Cuba é o horizonte utópico da turma no poder, a ditadura de estimação de todos os esquerdistas latino-americanos. Eles tentam disfarçar, mas os fatos falam por si só. Fidel e Che são os modelos, os profetas, os santos do outro mundo possível. Então se o camarada mete o pau em Cuba, logo aparece alguém pra relativizar a ditadura louvando a sua educação e a sua saúde. Yeah, right, que bela educação essa em que só são permitidos os livros escolhidos pelo ditador e que bela saúde essa em que o ditador vai se tratar com médicos de outros países. Cuba é emblemática porque ali está revelada toda a verdade da alternativa à economia de mercado e aos direitos individuais. Não há liberdade de imprensa, não há liberdade de ir e vir e não há liberdade de iniciativa. Ou seja, as pessoas devem seguir as ordens do ditador se não quiserem ir pra cadeia. Tal arranjo é indefensável, mas no Brasil tem muita gente que considera aquilo bacana, inclusive o seu presidente e o seu partido que dominam amplamente a máquina estatal - além dos departamentos de ciências humanas das universidades que formam a, digamos, elite intelectual do país. Isso é ou não é preocupante e digno de discussão?

(Do blog de Sol Moras Sagabinaze)

10/03/2010

El voto baldío

citacionVeo a mis conciudadanos ir como autómatas a la bodega, vegetar mansamente en el trabajo y colar sin esperanzas las boletas en las urnas. Sus vidas transcurren mientras compran el pan –cada vez más pequeño-, cobran el simbólico salario que no les alcanza ni para malvivir y alzan la mano en las asambleas de nominación de candidatos. Ninguno de los elegidos en el actual proceso electoral logrará resolverles esos problemas cotidianos que lastran la vida en Cuba. De los propuestos, apenas si se conoce su foto y una biografía colmada de “hazañas”, en la que se declara –casi siempre- que tienen “un origen humilde”. No aparece siquiera mencionada una palabra acerca de sus programas o intenciones después que asuman el nuevo cargo.

Curiosamente, casi todos los que lleguen a delegados de circunscripción son militantes del PCC y ponen su disciplina partidista por encima de los deberes para con los electores. No van a representarnos frente al gobierno, ni a ser nuestra voz proyectada hacia las instituciones, sino que fungirán como los heraldos de las malas nuevas llegadas desde arriba, canales de transmisión de esas regulaciones y directrices que decidan unos pocos. En más de treinta años de su existencia estos representantes del Poder Popular no han logrado que la basura se recoja eficientemente, las panaderías trabajen con calidad y las fosas albañales no supuren por todas partes. Tampoco encarnan la heterogeneidad de tendencias existentes en nuestra sociedad. Han llegado a esos puestos más por su probada fidelidad que por su capacidad de gestión.

Esta noche es la reunión para proponer candidatos en la zona de bloques de concreto donde vivo. La citación ha llegado desde hace un par de días mientras en la tele nos convocaban a elegir a los mejores y más capaces. Sin embargo, no me queda ni pizca de fe en un mecanismo que ha probado su inoperatividad y su sectarismo. Me gustaría levantar la mano por el vecino de verbo firme y proyectos concretos que vive al frente, pero hay órdenes de salirle al paso a quien nomine a un “disidente”, incluso a esos que sólo parecen ser proclives al cambio. Existen muchas posibilidades de que sea ratificado el mismo delegado que desde hace más de diez años nos promete soluciones, a sabiendas que no está en sus manos cumplirlas. Él es el cómodo candidato de estas elecciones baldías, y nosotros meros figurines que deben alzar la mano o rellenar la boleta.

(Publicado em “Generación Y”)

10/03/2010

Globo estatizada?

Em seu blog no site da “VEJA”, Lauro Jardim comenta a última pesquisa encomendada pelo Millenium ao Instituto Análise:

Te cuida, Globo

A pesquisa que o Instituto Análise fez sob encomenda do Instituto Millenium sobre estatização tem diversos exemplos do impressionante espírito estatista do brasileiro. Uma das perguntas da pesquisa, feita com 1000 pessoas em 70 municípios brasileiros, foi sobre a Globo. Eis o que se quis saber:

- Você é a favor da estatização da Globo?

O.k., a maioria foi contra, 51% dos entrevistados. Mas é uma maioria inquietantemente apertada. Na realidade, considerando a margem de erro, o que se constata é que o brasileiros se dividem meio a meio nesta questão aparentemente simples. Ou seja, pergunta-se um disparate e a resposta é absurda: 37% dos entrevistados são a favor de uma eventual estatização da Globo (12% não souberam ou não quiseram responder).

Por Lauro Jardim

10/03/2010

Comparação de dissidentes cubanos a bandidos gera críticas da OAB a Lula e polêmica no PT

Mais uma declaração desastrada de Lula contribui não apenas para desmascarar (ainda mais) o viés ideológico que rege nossa política externa, mas também para expor o Brasil ao mundo como conivente com a ditadura cubana. Veja a notícia publicada em “O Globo”:

“A entrevista em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou dissidentes cubanos a bandidos em São Paulo foi condenada, nesta quarta-feira, em nota da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e provocou polêmica até no PT. Enquanto o deputado petista Maurício Rands (PE) afirmou que o “presidente se expressou mal ou foi mal entendido”, o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, foi duro e classificou as declarações de Lula como “uma comparação despropositada”.

- A comparação é despropositada, pois tenta banalizar um recurso extremo que é, ao mesmo tempo, um símbolo de resistência a um regime autoritário que não admite contestações - afirmou Ophir, em nota, acrescentando que “mais razoável seria se o governo brasileiro se preocupasse com as péssimas condições carcerárias a que estão submetidos” os presos brasileiros.

Comentando o caso de presos cubanos que entraram em greve de fome para protestar contra o governo castrista, Lula defendeu , em entrevista na terça-feira à agência de notícias AP, que sejam respeitadas as decisões da Justiça cubana em relação aos presos políticos que entraram em greve de fome no país, um dos quais acabou morrendo.

- Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade - declarou. - Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de deter as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem ao Brasil.

O petista Maurício Rands, que é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, defendeu Lula afirmando que “é claro que ele compreende a diferença entre um preso político e um preso comum”.

- Nós inclusive não aceitamos que alguém seja detido apenas por ter divergências com o governo, sem ter cometido algum crime - acrescentou Rands em entrevista à TV Globo.

As declarações de Lula já haviam provocado reações de parlamentares da oposição. Para o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), Lula foi oportunista ao “comparar alhos com bugalhos”.

- O Brasil tem que ser contra a prisão política. Todo o esforço do país em ter uma política externa de relevo vai por água abaixo com esse discurso do presidente - acrescentou o deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP).

Em visita a Havana no dia em que o dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo morreu após quase três meses sem comer, o presidente já havia criticado o uso da greve de fome para pressionar o governo. Ao lado de Lula, o presidente cubano Raúl Castro lamentou a morte do dissidente, afirmando que “era resultado da relação com o Estados Unidos” e garantindo que o dissidente não foi torturado porque essa prática “não existe em Cuba”.

A oposição cubana luta agora para salvar a vida do dissidente Guillermo Fariñas, que no dia seguinte à morte de Zapata começou uma greve de fome, na cidade de Santa Clara. Em reação a Fariñas, que está sem comer há duas semanas, o jornal oficial “Granma” afirmou que o governo cubano não aceita “chantagens”. O dissidente recusou uma proposta de um diplomata espanhol que o informou da decisão do governo cubano de permitir sua viagem à Espanha. Ele insistiu que seria melhor liberar os presos políticos doentes no país.”

10/03/2010

Manifesto em defesa das calçadas

De 24 a 26 de fevereiro aconteceu o 5º Encontro de Lideranças do Sistema Confea/ Crea e Mútua, em Brasília – DF. Neste Encontro, Jorge Maranhão, diretor-presidente do Instituto de Cultura de Cidadania A VOZ DO CIDADÃO e membro do Instituto Millenium, proferiu uma palestra para os integrantes do Colégio de Entidades Nacionais, mostrando a importância das calçadas, seja como equipamento urbano, seja como metáfora da própria cidadania.

Passeando pela história, Maranhão exemplificou a calçada como um espaço onde devemos aprender a exercitar a cidadania enquanto arte maior da consciência coletiva: primeiro passo quando saímos do espaço privado para o público. Para além deste exemplo, Jorge Maranhão salienta que o cidadão deve lutar pelo desenvolvimento da engenharia de trânsito e engenharia ambiental de sua cidade.

Para mais informações sobre “Manifesto em defesa das calçadas” e outras cartilhas, acesse o portal da Voz do Cidadão na seção panfletos  temáticos: http://www.avozdocidadao.com.br/

09/03/2010

Para além da política

“Para além da política”, William Mitchell e Randy Simmons (TopBooks, 2004)

Confira a resenha de Alfredo Marcolin Peringer* sobre o livro:

Os interesses dos burocratas

O livro de Mitchell e Simmons “Para além da política” percorre a tradição da “Teoria da Escolha Pública”, cujo principal expoente é James Buchanan, economista americano laureado com o prêmio Nobel de Economia em 1986, justamente por mostrar, de forma sistemática, a força benéfica do mercado operando livremente, em contraponto aos sistemas estatais, submetidos aos interesses próprios de políticos e burocratas, que usam o governo para fins pessoais, em detrimento da economia e da sociedade.

A obra de Mitchell e Simmons também faz a defesa intransigente do mercado e dos direitos de propriedade, pilares de toda e qualquer sociedade humana verdadeiramente livre. Apoiada na tese da “mão-invisível” de Adam Smith, expõe com clareza como a ação humana leva o interesse privado ao interesse coletivo. Foi a forma de os autores avisarem aos adeptos da “teoria do bem-estar social”, principais críticos da atividade privada, de que não há falhas nas economias de mercado que não possam ser sanadas com a ajuda do próprio mercado. Àqueles que gostariam que essas falhas fossem corrigidas pela ação estatal, avisam que isso é impossível: os governos costumam piorar o problema, em vez de resolvê-lo. A razão consiste no fato de que as regras básicas da atividade pública distorcem as ações, mesmo que seus agentes sejam altruístas e bem informados.

O ponto forte do livro se encontra nas falhas do governo e na importante advertência aos críticos do mercado de que os políticos e burocratas também agem voltados para seus próprios interesses. Só que, diferentemente do mercado, Mitchell e Simmons mostram teórica e empiricamente que apenas uma pequena porção das ações políticas acaba se revertendo em benefício público e, assim mesmo, no curto prazo. No longo prazo, ao afetar a atividade econômica, acabam também gerando o mal. Analisam o caso de uma pessoa gastando o dinheiro dos outros com terceiros, com a de outra gastando o próprio dinheiro com ela mesma, concluindo que nunca a primeira dará a ele o mesmo valor do que a segunda. Solidificam a idéia de que o processo político, além de promover a ineficiência, trás sempre consigo um viés perverso: atende mais aos interesses dos ricos do que aos dos pobres, fato que agrava as diferenças sociais, em vez de remediá-las.

Mas os políticos e burocratas por certo apreciarão o livro. A obra mostra ao mau político como agir para obter sucesso. Ensina onde buscar todos os incentivos perversos disponíveis na esfera pública e as informações tendenciosas, uma verdadeira aula aos inescrupulosos. Esse, aliás, é o lado paradoxal do livro. Mas será que os autores poderiam evitá-lo? Talvez não. Contudo, poderiam ter ensinado como superar o problema. Ainda que hajam culpado os incentivos patológicos do sistema público, defendido a redução do tamanho do Estado e acusado os governos de virem “gerenciando a democracia para seus fins” ou de estarem “mais interessados em poder político do que em liberdade e crescimento do PIB”, Mitchell e Simmons são pessimistas quanto a uma solução duradoura para o dilema. O pessimismo está ancorado na força do interesse próprio e no fato de que quando os recursos não têm dono, os indivíduos tendem a abusar do seu uso.

*Economista formado pela UFRGS, com mestrado na Michigan State University. É Assessor Econômico de diversas organizações no Rio Grande do Sul e no Brasil, assim como de alguns partidos políticos em época de eleição.

Fonte: Revista AMANHÃ
Edição 261, 2010 — Janeiro/Fevereiro

09/03/2010

Fórum do Millenium na CBN

O boletim “A Voz do Cidadão” de 02/03/2010 na rede CBN comentou o 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão promovido pelo Instituto Millenium. Para ouvir a íntegra do comentário, clique no link abaixo:
http://www.avozdocidadao.com.br/boletin_cbn_audio/VC_CBN_2010_03_02_forum_democracia_e_liberdade_de_expressao.MP3

09/03/2010

Mais um dissidente cubano corre o risco de morrer de fome

Guillermo Fariñas, 48 anos, ex-militante da União de Jovens Comunistas e soldado das Forças Armadas, tornou-se dissidente após testemunhar a corrupção e a incompetência do regime comunista na antiga URSS. Após 22 greves de fome, diz que agora irá até o fim. Nesta segunda-feira dia 08/03/2010, Guillermo recusou oferta de refúgio na Espanha. Enquanto isso, Cuba prefere acusar a o dissidente (como sempre) de estar a serviço dos EUA e que tudo se trata de uma “campanha da imprensa para desestabilizar o regime”. Já não ouvimos argumento igual a esse por aqui??

Com informações da “VEJA” e do “Globo”

09/03/2010

Fórum Democracia e Liberdade de Expressão na VEJA

Confira a matéria publicada sobre o Fórum Democracia e Liberdade de Expressão realizado em 01/03/2010 pelo Instituto Millenium em SP. Clique na imagem para ampliar.

09/03/2010

Roberta Kaufmann rebate artigo de Míriam Leitão

Em coluna no “O Globo” em 07/03/2010, Miriam Leitão comentou a visita de Hillary Clinton à Universidade Zumbi dos Palmares e criticou o combate às ações contra cotas raciais no Brasil. Roberta Kaufmann, colaboradora do Instituto Millenium, respondeu ao artigo no blog No Race Br:

“Caros:
Vou me dar ao trabalho de comentar o artigo abaixo.
Confiram:

Destruir a obra
É a temporada. Tempo de sofismas e argumentos tortos. Tempo das mesmices repetidas com ares de descobertas recentes. Hora de escapar do debate sobre a questão racial brasileira. Não precisava ser assim. Podia ser um tempo de avanços. Mas os que negam o racismo brasileiro preferem esse cerco à inteligência, ao óbvio, ao progresso.
Num ambiente negacionista, foi um alívio ouvir as explicações simples e diretas da secretária de Estado americana Hillary Clinton na Faculdade Zumbi dos Palmares, onde escolheu debater com estudantes. Hillary defendeu as ações afirmativas dizendo que, com elas, os EUA estão deixando para trás os vestígios da escravidão:
— Temos feito um grande progresso com as ações afirmativas em aumentar as oportunidades na educação, no emprego para os afro-americanos. Elas são o reconhecimento de que as barreiras históricas criam um funil que impede o acesso do grupo discriminado a níveis superiores de educação. É preciso alargar a entrada e deixar mais gente entrar. O talento é universal, mas as oportunidades, não. O acesso na universidade não é, no entanto, a garantia da graduação.

Hillary contou que, como professora de Direito, percebeu que muitos alunos que entraram por ação afirmativa tiveram dificuldades maiores pelas falhas da educação anterior. Ela se dedicou a esses alunos no sistema tutorial:— Simplesmente não podemos aceitar os estudantes na universidade para deixar que eles falhem. Eles têm que ser ajudados.

O sistema americano é diferente do nosso, mas discriminação é parecida em qualquer país do mundo. Ela barra com obstáculos sutis ou explícitos, negados ou assumidos, a ascensão de grupos discriminados por qualquer motivo, racismo, sexismo, ou outras intolerâncias. Lá, eles não têm cotas, não têm vestibular; o sistema, como se sabe, é o de application, o de se candidatar a uma vaga apresentando suas credenciais escolares. Ao avaliar quem entra, as escolas dão pontuação maior a quem vem de um grupo discriminado. Cada universidade tem um critério, um método e uma meta diferente, mas todas buscam um quadro de alunos com diversidade. Os alunos com menos chance de estar lá têm preferência nas bolsas para as caríssimas universidades privadas americanas.
— Estou muito orgulhosa das conquistas dos últimos 50 anos do movimento dos direitos civis, pelos que lutaram como Martin Luther King e outros, mas não posso dizer que o meu país não tem racismo, não tem sexismo — disse a mulher que comanda a mais poderosa diplomacia do mundo e é chefiada por um negro, que preside o maior país do mundo. Ela não vê a sua ascensão, nem a do presidente Obama, como provas de que não há barreiras para negros e mulheres.
Essa sinceridade é encantadora porque é rara no Brasil. Esse reconhecimento da existência do problema, e de que ele é vencido por ações concretas de políticas públicas e de empresas, dá esperança.

Comentário (por Roberta Fragoso Kaufmann):
Inicialmente, é preciso esclarecer: nos Estados Unidos o racismo foi institucionalizado como política de governo e de Estado por mais de 100 anos. Até 1967 era simplesmente proibido qualquer casamento entre as raças. Em 1953 ainda havia decisões judiciais que proibiam negros e brancos de conviverem no mesmo espaço físico. A sociedade como um todo acreditava que era correto discriminar, incentivada pelo fato de que a própria Suprema Corte abalizava as ações da Ku Klux Klan, ao dizer que eles praticavam liberdade de expressão.
Com efeito, apesar de ser tão bonito o que Hillary Clinton afirmou em seu discurso, o partido Democratas nada fez em termos de reparação ou de inclusão para os negros. A Lei dos Direitos Civis (na presidência de Lyndon Johnson), de 1965, apenas proibiu a discriminação com base na cor. A política implementada foi neutra. Coube a um Republicano, racista e conservador implementar a política de cotas para negros nos EUA: Richard Nixon, com o plano Filadélfia, em 1969. E isso só faz sentido se analisarmos o contexto que precedeu a implementação das cotas: iminência de Guerra Civil, após o assassinato de Martin Luther King (1968), o qual jamais defendeu políticas de cotas baseadas na cor da pele, mas sim para os pobres.
É óbvio que os EUA são um país extremamente racista, até hoje. E este racismo é consequência da política de Estado implementada por mais de um século naquele país. E mesmo sendo um país racista, COTAS RACIAIS JAMAIS FORAM CONSIDERADAS CONSTITUCIONAIS EM MATÉRIA DE EDUCAÇÃO. Atualmente, a cor da pele nem sequer pode ser um critério a ser considerado no âmbito educacional (caso Parents vs. Seattle, 2007).
No Brasil, ninguém discorda da existência de preconceito e de discriminação contra os negros, bem como é inegável a existência de preconceito e de discriminação em relação a homossexuais e nordestinos. Mas isto não quer dizer cotas para todas as minorias, ou que sejamos um país racista. Ou mesmo que exista um pensamento nacional voltado para a destruição da minoria segmentada. Aqui, os direitos não são segregados com base na cor da pele, mas sim consequências da má distribuição de renda. Os nossos valores (samba, chorinho, molejo, futebol) são antes de tudo valores pan-brasileiros, ou seja, congregam negros e brancos dentro da mesma cultura, em vez de culturas segregadas, como nos EUA.

Continuação do artigo:
No Brasil, o esforço focado nos negros é chamado de discriminação. E os brancos pobres? Perguntam. Eles estão também nas ações afirmativas, e nas cotas, mas o curioso é que só se lembre dos brancos pobres no momento em que se fala em alguma política favorável a pretos e pardos.
É temporada da coleção de argumentos velhos que reaparecem para evitar que o Brasil faça o que sugeriu Joaquim Nabuco, morto há 100 anos, em frase memorável: “Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra.”
Diante de qualquer proposta para reduzir as desigualdades raciais, principal obra da escravidão, aparece alguém para declamar: “Todos são iguais perante a lei.” E são. Mas o tratamento diferenciado aos discriminados existe exatamente para igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional.
O senador Demóstenes foi ao Supremo Tribunal Federal com um argumento extremado: o de que os escravos foram corresponsáveis pela escravidão. “Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para a Europa. Não deveriam ter chegado na condição de escravos, mas chegaram. Até o princípio do século XX, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.”
Pela tese do senador, eles exportaram, o Brasil importou. Simples. Aonde o crime? Tratava-se apenas de pauta de comércio exterior. Por ele, o fato de ter havido escravos na África; conflitos entre tribos; tribos que capturavam outras para entregar aos traficantes, e tudo o mais, que sabemos, sobre a história africana, isenta de culpa os escravizadores. Trazido a valor presente, se algumas mulheres são vítimas de violência dos maridos, isso autoriza todos a agredi-las. Ou se há no Brasil casos de trabalho escravo e degradante, isso permite aos outros povos que façam o mesmo conosco. Qual o crime? Se brasileiros levam outros brasileiros para áreas distantes e, com armas e falsas dívidas, os fazem trabalhar sem direitos, qualquer povo pode escravizar os brasileiros.
O senador Demóstenes é um famoso sem noção e com ele não vale a pena gastar munição e argumentos. Que ele fique com sua pobreza de espírito. O que me incomoda é a incapacidade reiterada que vejo em tantos brasileiros de se dar conta do crime hediondo, do genocídio que foi a escravidão brasileira. Não creio que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado. Não há acerto possível com um passado tão abjeto e repulsivo, mas feliz é a Nação que reconhece a marca dos erros em sua história e trabalha para construir um futuro novo. Feliz a Nação que tem, entre seus fundadores, um Joaquim Nabuco, que nos aconselha a destruir a obra da escravidão.

Comentário: Sem noção é esta jornalista que não estava presente na Audiência Pública mas que se arvora no direito de comentar o que nem sequer ouviu. O Senador não disse que as relações entre raças no Brasil escravocrata foram consensuais. O que ele disse é que os 500 anos de miscigenação no Brasil não podem ser atribuídos apenas ao estupro. Não somos filhos de estupro! Houve violência em relação às escravas? Sim. Houve estupro? Muitos. Mas querer dizer que toda a miscigenação no Brasil deriva da violência é forçar uma barra contando com a ignorância e com o recalque de muitos que simplesmente não estudam o tema.
A ignorância é tão prejudicial quanto o é o racismo!”

09/03/2010

VÍDEOS: Eduardo Viola no Globonews Painel

Eduardo Viola, cientista político e membro do Instituto Millenium, o cientista político Ricardo Sennes e o embaixador Sérgio Amaral Painel discutem o bloco regional que vai unir países da América Latina e do Caribe e falam sobre a expectativa para a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ao Brasil.
Os convidados também traçam um panorama sobre alguns casos isolados na América Latina. Confira os vídeos:

09/03/2010

EUA reduzem sanções para internet em Cuba, Sudão e Irã

Ciente da importância dos blogs e redes sociais para a liberdade nos países governados por ditaduras, EUA decidem suspender parte das sanções a estes países. O texto abaixo é do portal “Diego Casagrande”:

“O Departamento do Tesouro americano suspendeu nesta segunda-feira parte das sanções contra Irã, Cuba e Sudão com o objetivo de dar impulso à internet nesses países e, assim, apoiar grupos de oposição locais.

Segundo uma declaração no site do departamento, a partir de agora as companhias de tecnologia dos Estados Unidos poderão exportar serviços online como os de mensagens instantâneas e redes sociais para estes países.

Também passou a ser permitido oferecer serviços de blog, email e de compartilhamento de filmes e fotos.

Empresas dos Estados Unidos passarão ainda a poder exportar softwares americanos para comunicação online para Irã e Sudão, mas não para Cuba.

As companhias americanas não ofereciam estes serviços para os três países por temerem desrespeitar as sanções impostas a estes países.

Em 2009 a Microsoft, por exemplo, proibiu usuários em cinco países, incluindo Irã, Cuba e Sudão, de usar os serviços de mensagens instantâneas. Todos os que tentavam usar este serviço nestes países recebiam uma mensagem de erro.

“Seguindo o sério compromisso do governo com os direitos universais de todos os cidadãos do mundo, a divulgação destas licenças gerais fará com que seja mais fácil para indivíduos em Irã, Sudão e Cuba usarem a internet para se comunicar uns com os outros e com o resto do mundo”, afirmou o vice-secretário do Tesouro Neal Wolin na mensagem.

“As medidas de hoje vão permitir que cidadãos iranianos, sudaneses e cubanos exercitem seus direitos mais básicos”, acrescentou. (fonte: Estadão)”

Leia matéria na íntegra aqui.

08/03/2010

Estudantes do DCE da UFRGS são chamados de fascistas e impedidos de falar

Desacostumados à oposição, estudantes da UFRGS ligados à antiga gestão do DCE parecem continuar inconformados com a derrota na última eleição para o diretório. Nesta sexta-feira dia 05/03, unidos a diversos integrantes do MST e Via Campesina, os estudantes demonstraram toda sua incapacidade para o debate civilizado de ideias e hostilizaram integrantes da atual gestão. Veja abaixo o comunicado do DCE/UFRGS emitido sobre o caso:

Estudantes da UFRGS são hostilizados por manifestantes contra Parque Tecnológico

Marcel van Hattem, estudante de Administração, chegou a ser agredido pelos manifestantes

Na última sexta-feira, o Conselho Universitário (CONSUN) se reuniria para debater e deliberar sobre a criação de um Parque Tecnológico na Universidade, projeto que está em pauta desde o início do segundo semestre do ano passado. Ao chegarem à reitoria, contudo, os integrantes do CONSUN depararam-se com dezenas de manifestantes contrários à apreciação do projeto naquela data, entre eles, estudantes da UFRGS ligados à antiga gestão do DCE e diversos integrantes do MST e Via Campesina. “Como pode alguém querer mais democracia na discussão de um projeto barrando os conselheiros de acessarem a sala do CONSUN para debatê-lo?”, questionava, indignado, o estudante de Administração Marcel van Hattem, diretor de Relações Institucionais do DCE da UFRGS.

Juntamente com Marcel, Claudia Thompson (Engenharia Química) e Andrea Heisler (Medicina), também representantes do CONSUN, tentavam explicar à imprensa que cobria a manifestação que a posição oficial do DCE é de apoio à criação do Parque Tecnológico. “É uma minoria que está aqui fazendo barulho e dizendo-se representar os estudantes da UFRGS que seriam contra a implementação do parque. Somos favoráveis a ele pois trará benefícios, não prejuízos à sociedade”, disse Claudia, citando a importância da transferência do conhecimento gerado dentro da Universidade à sociedade e as novas possibilidades de emprego a inúmeros alunos durante a graduação nas empresas que se instalarem no parque.

No final do último sábado, foram divulgados vídeos no YouTube da manifestação. Veja aqui - após 5:20:
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E aqui:
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Neles, percebe-se com clareza a hostilização sofrida pelos membros do CONSUN ligados ao DCE Livre, em especial por Marcel van Hattem, que tentava, em vão, dar entrevistas à imprensa, enquanto era chamado de fascista. “Chegaram inclusive a me chutar durante a entrevista, uma vergonha”, declarou. O DCE emitiu, desde sexta-feira, duas notas oficiais lamentando os episódios e chamando a Reitoria à responsabilidade por não ter garantido a realização da sessão do CONSUN, já que se sabia com antecedência que haveria manifestações e não tomou as providências necessárias para que o debate ocorresse.

Notas oficiais:

Nota oficial sobre vídeos do incidente ocorrido na UFRGS - http://dceufrgs.wordpress.com/2010/03/08/nota-sobre-os-videos/

NOTA OFICIAL do DCE da UFRGS a respeito dos lamentáveis episódios ocorridos na manhã de 5 de março de 2010, no campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. - http://dceufrgs.wordpress.com/2010/03/05/nota-oficial-do-dce-da-ufrgs/

08/03/2010

As cotas raciais e a ditadura do politicamente correto

Em entrevista ao “Valor Econômico” em 05/03/2010 o Senador Demóstenes Torres, do DEM, defende sua posição contrária às cotas raciais e comenta as reações a sua opinião:

‘É a ditadura do politicamente correto’, diz Torres
Por Maria Inês Nassif

“O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que ficou sob a mira do movimento negro ao defender o fim das rotas raciais para ingresso nas universidades públicas, disse ontem que o país vive a “ditadura do politicamente correto”, defendeu as cotas sociais – que privilegiariam pobres de todas as raças – e afirmou que o ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Igualdade Racial, usa de “desonestidade intelectual” quando afirma que o fim da cota racial irá inviabilizar as demais políticas sociais afirmativas. Em entrevista ao Valor, Torres afirmou que o movimento negro criou index – odeia Gilberto Freire, Darcy Ribeiro e Jorge Amado e “excomunga” a princesa Isabel – e reiterou que não considera a miscigenação brasileira como resultado do estupro e da violência, mas de uma relação consensual entre o branco livre e a negra escrava, “ainda que sob dominação”. O senador não teme prejuízo eleitoral para seu partido decorrente de seu engajamento na tese. Abaixo, a entrevista:


Valor: Em véspera de eleição, o senhor considera popular a posição de combater o uso das cotas raciais nas universidades?

Demóstenes Torres: Se é popular não interessa, interessa o que é certo para o país. Eu defendo as cotas sociais, ou seja, quem é pobre tem o direito a entrar na faculdade por meio do sistema de cotas de até 20%, e o pobre pode ser preto, pode ser negro, amarelo, preto, de qualquer cor. O problema estrutural no Brasil não é o racismo, mas a pobreza. O rico negro sempre teve tranquilamente o seu assento à sociedade. Na época do escravagismo, tínhamos traficantes de escravos negros, senhores de escravos negros e assim por diante. Todo arcabouço jurídico que foi constituído no país foi para acabar com a discriminação, em especial com o racismo. A lei é duríssima. Desde a promulgação da Constituição até agora foram criados 16 diplomas antirracistas. Por que vamos criar uma lei que racializa a sociedade entre negros e brancos? Até porque 87% da população têm sangue negro, mais de 90% têm sangue branco, mais de 60% têm sangue indígena. Como vamos classificar? O Brasil é miscigenado, graças a Deus. Não precisamos criar mecanismos para racializar o Brasil porque o conceito de raça já acabou.

Valor: Como foram as reações a essa posição? O senhor recebeu pressões para recuar?

Torres: Há três anos sustento essa posição. Não existe pressão que me faça recuar do que eu penso, do que eu estudo. Eu sou um estudioso. Eu sou pela cota social, que beneficia todos os pobres independente de sua cor. Sou autor da emenda constitucional que pretende criar a escola integral, pois não existe universidade que cure analfabetismo, ignorância. A cota, mesmo que social, deve ter um efeito limitado para que a educação um dia possa ser elevada a um patamar de excelência no Brasil. Não existe um passe de mágica para isso, existe trabalho.

Valor: Um dos argumentos do ministro Edson Santos em favor das cotas é que o PNAD do IBGE aponta maior pobreza e menos escolaridade entre os negros.
Torres:
Dentro do mesmo nível de escolaridade, negro e branco têm o mesmo tratamento. A cota racial tem uma coisa muito grave porque acolhe o negro rico. E como vamos tratar os 19 milhões de brancos pobres no país?

Valor: O sr. expõe isso ao eleitor?
Torres
: Claro.

Valor: O que o seu eleitor acha?
Torres:
Isso pesa a meu favor. O eleitor entende que não há razão para privilegiar uma cor. Quem é que pode ser contra acudir o pobre? O caboclo pobre, a mistura do europeu com o índio lá do Amazonas, por exemplo, não está nessa cota. Há uma parte expressiva da inteligência brasileira que concorda com esse posicionamento. Cota social é a mais correta, até porque no Brasil não há qualquer possibilidade de fazer uma diferenciação de cor. No Brasil, menos de 6% são pretos conforme a denominação do IBGE. Os pardos, mistura de branco e negro, são em torno de 42%. E isso autodeclarados. Como vamos classificar a cor, qual o critério, vamos olhar para as pessoas e definir? Chega-se ao absurdo de gêmeos idênticos serem considerados um negro e outro, não. Cria-se um tribunal racial dentro da universidade. Estão tentando seguir no Brasil o exemplo fracassado americano. Não quero enfrentamento, apenas quero levar essa discussão para o país: o que melhor para o Brasil, a cota social ou a racial? O reitor da UnB disse que nós poderíamos colocar uma cota de 20% para negros, 20% para pobres e 30% para originários das escolas públicas e isso não é real. O presidente da Associação dos Reitores das Universidades Federais disse, em audiência pública no Senado, que é impossível ter autonomia universitária com algo acima de 20% de cotas, porque o mérito será totalmente escamoteado.

Valor: Outra argumentação polêmica é a de que a miscigenação de se deu sem violência.
Torres:
É só ler Gilberto Freire. Querem dar a impressão que no Brasil as negras foram estupradas e a miscigenação se deu de forma violenta. A integração da casa grande e da senzala, ainda que com dominação, foi muito mais consensual do que gostaria o movimento negro. Hoje o movimento negro tem umas pessoas que são odiadas. Gilberto Freire é uma delas. Darcy Ribeiro é outro, dizem que ele é o pirata da antropologia. O Jorge Amado, falam que abate moralmente o negro. Encontraram racismo até na obra “O Lavrador de Café” do Portinari porque coloca o pé do negro muito proeminente.

Valor: Isso é discriminação?
Torres:
Estamos vivendo no Brasil na ditadura do politicamente correto. A princesa Isabel é excomungada. Joaquim Nabuco é quase que um pária. Algumas coisas são absolutamente ridículas em termos de pesquisa. Será que é verdade que os negros brasileiros têm menos esgoto que os brancos, ou seja, que o esgoto que passa a céu aberto na casa do pobre ele escolhe a cor?

Valor: A história não justifica uma proteção ao negro?
Torres:
Muito antes do Brasil existir, a África já fornecia escravos para o mundo. Isso não quer dizer que devemos ficar contentes, mas não vamos solucionar esse problema aprovando uma legislação racista no Brasil separando os brancos e os negros. Não temo expor a minha opinião.

Valor: O que o senhor acha da nota do ministro, que afirma que uma decisão do STF contrária às cotas pode inviabilizar as demais políticas sociais afirmativas?
Torres:
O ministro cometeu um crime de responsabilidade ao enviar esse ofício. Esse argumento foi para criar animosidade em relação a uma posição partidária e em especial a mim. E mais ainda, o ministro está usando todos os recursos que tem o ministério para convocar o movimento social, inclusive patrocinando muita coisa, como eventos, para pressionar o STF . Os ministros do Supremo não podem sofrer pressão. São 11 julgadores que devem julgar com a maior isenção. A argumentação de que uma decisão contrária vai inviabilizar ações afirmativas no Brasil é falaciosa e, além de tudo, uma desonestidade intelectual.”

08/03/2010

Veja o que querem que seu filho aprenda no Ensino Médio

Uma visão de mundo míope e empobrecida: esta é a proposta do currículo de Sociologia para o Ensino Médio no Rio de Janeiro. Leia a avaliação feita por Simon Schwatzman em seu blog:

“Acabo de ver a lamentavel proposta curricular para o programa de sociologia para o nível médio do Rio de Janeiro. É um conjunto  desastroso de idéias gerais, palavras de ordem e ideologias mal disfarçadas que confirmam as piores apreensões dos que, como eu, sempre temeram esta inclusão obrigatória da sociologia no curriculo escolar.

É difícil saber por onde começar a crítica.   Faltam coisas essenciais como familia e parentesco, educação, socialização, estratificação social, mobilidade, criminalidade, religião, burocracias, modernidade, opinião pública, instituições. Na parte de “sociedade democrática”, nao há nada sobre instituições políticas,  sistemas políticos comparados, participação politica, sistemas eleitorais, partidos políticos, populismo, fascismo.  Nao há nada mais conceitual sobre teoria sociológica, suas correntes, etc.  Nao há sequer algo sobre direitos civis, sociais e humanos.

Por outro lado, sobram bobagens como “compreender e valorizar as diferentes manifestações culturais de etnias, raças (negra, indígena, branca) e segmentos sociais, agindo de modo a preservar o direito à diversidade, enquanto princípio estético (sic) que pode incentivar a tolerância, mas que em alguns casos pode gerar conflitos”, ou “compreender que a dominação européia expressa pelo colonialismo e pelo imperialismo é a causa fundamental das desigualdades sociais”  ou ainda “construir a identidade social e política atuante e dinâmica para a constante luta pelo exercício da cidadania plena”, e trivialidades como “perceber a importância do trabalho para a sociedade”. Quem quiser ver o texto completo da proposta pode baixá-la da Internet aqui.

A sociologia, quando bem dada, mostra para as pessoas que existem muitas maneiras diferentes de entender o mundo. Este programa visa o contrário, ou seja, inculcar nos jovens uma visão de mundo particular e empobrecida.

Temo que os programas que estão sendo feitos para outros estados poderão parecidos, ou piores. Penso que a Sociedade Brasileira de Sociologia, ou os sociólogos mais ativos que a compõem, deveriam tomar uma posição pública sobre isto, inclusive sugerindo um programa minimo mais razoável. Não seria difícil, existem muitos bons exemplos na internet, inclusive o sumário da Wikipedia em português, que podem servir de referência.”

08/03/2010

Migalha sexista

Dia Internacional da Mulher.

Dia internacional da demagogia machista.

Dia dos canastrões tentarem fazer bonito com o sexo oposto.

Dia das matérias deprimentes sobre a afirmação feminina na sociedade.

Dia das mulheres aceitarem essa esmola moral de que não precisam.

Dia de receber flores protocolares e tristes em homenagens fajutas.

Dia de justificar a existência dessas feministas do governo que embargam propaganda de cerveja em hipócrita defesa da honra feminina.

Dia das feministas que vivem do fetiche da opressão.

Dia de reverenciar a mulher como se ela fosse o mico-leão dourado.

Dia da gentileza dos homens que cometem 364 dias de grossura.

Dia do Adriano não ir a baile funk deixando a noiva em casa.

Dia de festejar Kathryn Bigelow, a grande vencedora do Oscar, não porque tem talento, mas porque usa saias.

Dia de exaltação preconceituosa a mulheres presidentes, empresárias e líderes – submetendo seus méritos ao seu sexo.

Dia de tratar a metade mais fértil e bela da humanidade como um souvenir.

Dia de eternizar o lamentável clichê do sexo frágil.

Dia das mães, filhas, avós, esposas, amantes e mulheres de todo o mundo dizerem: não queremos essa migalha sexista que é o Dia Internacional da Mulher.

(Publicado em Época)

05/03/2010

A censura ao comercial da Devassa

Augusto Nunes foi perfeito em seu comentário, no blog da “Veja”, sobre a retirada do ar do comercial da cerveja Devassa com Paris Hilton:

“Censora sem norte
“A mulher não pode ser tratada como um produto”. Ana Paula Gonçalves, ouvidora da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ao explicar por que o Conar foi acionado para censurar o comercial da cerveja Devassa estrelado por Paris Hilton, induzindo o país a acreditar que, em todos os outros anúncios de marcas concorrentes, as mulheres foram tratadas como mulheres.”

E você, leitor? Sentiu-se ofendido com o comercial? (veja vídeo abaixo)

Concorda com a vetação?

05/03/2010

O Marco Civil Regulatório da Internet e as liberdades individuais

Matéria no “Brasil Econômico” retoma o debate sobre quais devem ser os limites entre liberdade e segurança na internet. Confira:

Uma sombra paira sobre o futuro da internet no Brasil

A possibilidade de que o Marco Civil Regulatório — uma nova lei que estabelece direitos e deveres no ambiente online – possa ser usado para controlar o modo como cada internauta navega na rede mundial de computadores assusta os usuários da web e reacende o debate sobre quais devem ser os limites entre liberdade e segurança de informações no ambiente virtual. O novo marco – cujo anteprojeto será apresentado na próxima semana pelo Ministério da Justiça — apresentará a proposta de que os servidores de acessos mantenham arquivos com informações sobre a navegação dos internautas, a chamada guarda de logs. Dependendo do grau  de controle proposto, o resultado pode ser um banco de dados mostrando quais sites foram visitados por quais usuários – na prática, o fim da privacidade no uso da rede. (more…)

05/03/2010

Bloqueio da internet: a verdadeira muralha chinesa

A internet na China é assunto de mais uma interessantíssima matéria, desta vez publicada no “Valor Econômico”. Confira abaixo o texto na íntegra:

A verdadeira muralha chinesa

Nos últimos anos, poucos eventos sacudiram tanto a China quanto a internet. Seu número de internautas já é maior do que os 230 milhões de usuários americanos (North America Internet Stats, 2010). Um público de jovens, com menos de 30 anos e que declaram ter na internet sua melhor fonte de informação.

Todos eles, porém, encontram dificuldades para superar um gigantesco problema: a censura. Um poderoso firewall oficial é a verdadeira muralha da China moderna. Quantos sites são censurados? Portais? Quantas redes? Ninguém sabe. Qual informação é censurável? Que tipo de conhecimento? Ou entretenimento? Talvez alguns poucos dirigentes do partido pudessem responder, ainda que fosse improvável que o fizessem publicamente.

A segregação digital, porém, começa a ser sacudida por caminhos inesperados. Diante da possível interrupção dos serviços do Google no país, a conceituada revista Nature realizou sondagem na comunidade científica chinesa e colheu resultados de primeira grandeza: a censura e eventual fechamento do Google farão muito mal à ciência do país. Segundo os dados divulgados pela agência Reuters (24/02/2010), mais de 70% dos cientistas chineses utilizam o Google como ferramenta de busca de dados, informações, artigos científicos e literatura acadêmica em geral. Dos cientistas entrevistados, 84% afirmaram que suas pesquisas perderiam substantivamente em qualidade se fossem privados do uso do Google; 78% afirmaram que sua colaboração internacional seria profundamente afetada.

O problema de fundo, que preocupa as autoridades chinesas, é que a existência do Google levou a uma alteração de hábitos de pesquisa, interferindo no modo de explorar, testar e difundir informação necessária para a geração de conhecimento. Longe de um gesto de censura de curto alcance (se é que isso é possível), a interrupção do Google provocaria reações de longa duração, com impacto sensível na eficiência da pesquisa científica.

Para um país disposto a disputar a hegemonia mundial, onde a pesquisa científica e tecnológica é a menina dos olhos das autoridades, as novidades vindas da comunidade científica não poderiam ser piores.

É certo que as relações entre democracia e economia nunca foram fáceis, como o crescimento mundial desta década insiste em mostrar. Comparada aos recordes de PIB e desempenho de vários países africanos e do Oriente Médio, a democracia apresentou indicadores tímidos, quando não regressivos, em meio à exuberância do crescimento econômico dos anos 2000/2007. Se tomarmos os Bric, o primeiro destaque cabe ao partido comunista chinês que praticamente triplicou o PIB do país nesse período, deixando um lastro de poeira para democracias na Índia e no Brasil.

Segundo os economistas do Goldman Sachs - que inventaram o selo Bric - essas disparidades aumentarão nas próximas décadas: enquanto a participação chinesa no PIB mundial saltará de 4% para 15%, o G-7 (grupo que reúne os países mais avançados, EUA, Alemanha, Japão, Inglaterra, França, Itália e Canadá) cairá do alto dos seus 60% para 20%. Observados isoladamente, alguns países como Angola, Moçambique, Nigéria, Egito, Paquistão, Vietnã e Irã, para citar apenas alguns, crescerão muito rapidamente, apesar da sua, digamos, pequena indisposição em relação à democracia. Diante dessas previsões, alguns analistas latino-americanos chegaram a manifestar saudades dos anos 80, quando, na década perdida, a democracia floresceu por quase todo o continente.

A famosa tese do “decouple”, o descolamento das economias emergentes das avançadas, parece ter se desdobrado em outra versão, agora mais embebida de política. Pelo menos nos dias de hoje, o desempenho econômico parece ter se divorciado da democracia, pois são muitos os países que crescem aceleradamente apesar de seu forte viés antidemocrático.

Não é lei nem regra geral, apenas uma constatação. Por isso mesmo, espera-se que essas relações perigosas não sejam tomadas como exemplos a serem seguidos, pela simples razão que os parâmetros oferecidos pela economia, são poucos (e, muitas vezes, rasos) para a compreensão da democracia como fenômeno social. A política, cultura e a história são, com certeza, mais adequadas para esse fim. Principalmente porque reintroduzem no debate a dimensão do tempo, que é chave para todo e qualquer movimento de mudança e de consolidação institucional.

Não nos referimos aos que fazem história oficial e que pinçam explicações para justificar deslizes da política. É provável que democracia não signifique a mesma coisa em qualquer tempo ou lugar. E que a palavra minzhu (o povo é o senhor), utilizada vulgarmente para traduzir democracia na China, é um conceito que se opõe à tradição inaugurada por Confúcio, de exaltação da harmonia e obediência. Ou então, que Deng Xiaoping, o dirigente que abriu a China para o mundo com as reformas iniciadas em 1978, desenhou não a democracia ocidental, mas uma sob medida para o povo chinês, contida nos limites das quatro linhas: “socialismo, a ditadura do proletariado, o maoísmo e o partido”.

Referências desse tipo são fartas e de uso fácil. Difícil, porém, será amenizar as consequências de uma ciência amordaçada para um país como a China que não mede esforços para diminuir a distância que a separa das fronteiras do conhecimento.

Os milhares de funcionários que zelam pelo sistema de censura fariam mais pela eficiência do país se ficassem menos preocupados em perseguir URIs, URLs, FTPs e HTTPs. Para o nervosismo da “nomenklatura” (e satisfação de todos os que desejam um mundo em que o conhecimento possa fluir livremente, a começar dos cientistas e pesquisadores chineses), uma sucessão infindável de geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs, com seus correlatos em chinês, descobre a cada dia uma nova maneira de burlar os sistemas de censura*.

*Até recentemente, os interessados em testar a censura na internet chinesa podiam acessar: www.greatfirewallofchina.org/test . Infelizmente, o governo chinês bloqueou toda e qualquer investigação no começo deste mês.

Glauco Arbix é professor do Departamento de Sociologia da USP. Coordenador do Observatório da Inovação do IEA (USP). Membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia

(Publicado no “Valor Econômico” em “Opinião” – 05/03/2010 – Pág. A15)

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