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19/03/2010

Entidades protestam contra o PNDH-3

Será lançado nos próximos dias um manifesto de entidades empresariais e de classe contra o Programa Nacional de Direitos Humanos. Entre as entidades estão a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio)

De acordo com Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sincon-SP), as principais críticas das entidades em relação ao PNDH-3 são em relação à tentativa de amordaçar a imprensa e de cercear o Judiciário, além da regulamentação do imposto sobre grandes fortunas e a mudanças nos currículos escolares.

Com informações do “Estado de SP”

19/03/2010

Política externa: a reação da oposição

Na terça-feira 16 de março, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) anunciou uma ruptura com o Itamaraty, criticando a aprovação “simples e rápida” de embaixadores. Em plenário, criticou as últimas declarações de Lula em relação aos dissidentes cubanos e a recusa do presidente brasileiro em visitar, em Israel, o túmulo de Theodor Herzl. O senador Azeredo disse ontem, 18 de março, que as sabatinas de novos embaixadores só serão retomadas após conversa com o ministro Celso Amorim em 6 de abril, quando a oposição irá expor a insatisfação com a atual política externa.

Com informações da “Folha de SP”.

19/03/2010

Do jornal “O Tempo”, via blog do Josias de Souza

19/03/2010

Love e os fuzis

Vagner Love e Adriano, o Imperador, formam a dupla de ataque do Flamengo batizada de “Império do Amor”. O romantismo vive tempos estranhos.

Adriano está sendo investigado por comprar uma moto em nome da mãe do chefe do tráfico na favela onde nasceu, no Complexo do Alemão.

Vagner Love foi filmado chegando a um baile funk na Rocinha escoltado por traficantes armados de fuzis.

Está tudo bem. Questionado pela imprensa, Love explicou que aquilo não tem nada de mais. Sereno, totalmente à vontade, o jogador disse que sempre freqüentou bailes em favelas e não vai abandonar suas raízes. Sobre a presença de homens pesadamente armados à sua volta, tranqüilizou a todos:

– Isso é normal. Em qualquer favela que você for hoje no Rio de Janeiro você vai ver isso.

São palavras do artilheiro do amor. Vagner Love é rubro-negro, é do povo, é do bem. Ele acredita nesse salvo-conduto. Pelo visto, muita gente também acredita. O jogador está treinando e jogando – normalmente, como ele diz –, sem nenhum homem da lei pegando no seu pé. Tá tudo dominado.

Adriano, o menino atormentado, também está levando vida normal. A única anormalidade é a implicância dos que fazem comentários sobre a vida do bom garoto. “Que Deus perdoe essas pessoas ruins”, pediu o jogador, na camiseta exibida depois de um gol.

Está no direito dele. Um gol do Flamengo dá direito a tudo. E o Imperador ainda foi bondoso, pedindo o perdão divino para seus críticos. Poderia ter pedido que os traficantes vizinhos da Vila Cruzeiro jogassem “essas pessoas ruins” no microondas onde trucidaram Tim Lopes. Deus nos livre.

Adriano compra moto para quem quiser, Vagner Love desfila com os fuzileiros que bem entender. O Cristo abençoa, o Brasil assina embaixo. É o Império do Amor.

Só não venham depois com aquele papo enfadonho de segurança pública.

(Publicado em “Época”)

18/03/2010

“Aposto: se o PT sai do governo, a Petrobrás vai dizer que a reserva de petróleo do Pré-Sal é muito menor do que se imaginava. Anotem isso.” (@EdsonAran)

“[Notícias do #Futuro] #Lula é eleito presidente da #ONU e assina sem ler a “DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO ESTADO” (@vanguardapop)

“Policiais cubanos agridem mulheres manifestantes: http://bit.ly/aKHvxG  (se vc é contra isso, lembre-se: vc é “reaça”)” (@gravz)

18/03/2010

PT veta na Câmara moção de apoio a presos de Cuba

Essa notícia foi publicada no blog de Josias de Souza . É a confirmação da posição do partido que está no poder - e que se estende TAMBÉM à atual política externa. Como pode-se ver, os argumentos do deputado Eduardo Valverde parecem saídos da boca de Raúl Castro…:

“O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) submeteu  ao plenário  uma moção  de solidariedade  aos presos  políticos  de Cuba.

Curto e objetivo, o texto anota: “A Câmara manifesta moção de irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que em Cuba lutam pela liberdade e democracia”.

Temer abriu os microfones para que os líderes pudessem encaminhar a votação. Deu-se, então, o inusitado. O PT pegou em lanças contra a moção.

Discursando em nome da liderança petista, o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) atacou o autor do requerimento, Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Referindo-se ao passado de Bolsonaro, militar da reserva do Exército, conhecido pelo apoio à ditadura, Valverde disse:

“Causa-nos estranheza que, quem protocolou essa moção, no passado defendeu a ditadura. Pela incoerência, somos contrários”.

Temer tentou contemporizar. Disse que o texto, em sua versão original, propunha “uma moção de apoio mais vigorosa”.

Esclareceu que, a pedido da presidência da Câmara, Bolsonaro negociara com líderes partidários e enxugara a moção.

O petista Valverde não se deu por achado: “Boa parte dessas informações não provem de fonte segura, mas de opositores do regime cubano…”

“…a crítica não vem da sociedade cubana, mas daqueles que resistem ao regime, financiados pelos EUA”.

Estabeleceu-se em plenário uma atmosfera de polêmica. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foi ao microfone:

“Ficar contra essa moção é o mesmo que dizer que é contra a liberdade e a democracia. Só o PT teve coragem de assumir essa posição”.

Ao farejar o cheiro de queimado, Temer deu meia-volta. Suspendeu a votação. Informou que levaria o texto da moção a uma reunião com os líderes.

Comprometeu-se a devolver o tema ao plenário na próxima terça (23). Líder do PSDB, o deputado João Almeida (BA) interveio.

Lembrou a Temer que, por orientação da presidência, os líderes já haviam negociado o texto. “Reflete a posição da maioria”, disse.

Almeida acrescentou: “É impossível fazer uma moção em termos mais brandos do que essa. Sob pena de expressar uma posição vacilante, inadmissível…”

“…Ao atacar o deputado Bolsonaro, o PT parece não acreditar na conversão dos homens. Isso não é argumento”.

Temer recusou-se a voltar atrás: “Já fiz declarações públicas, em nome da Câmara, de solidariedade a todos os que lutam por liberdades no mundo…”

“…Mas o meu dever é manter unidade no plenário. Vou levar a matéria aos líderes para tentarmos chegar a um texto comum. Se não houver, trarei a moção ao plenário”.

A despeito do adiamento da votação, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) não se conteve:

“Todo esse interesse da oposição em debater Cuba tem o objetivo de combater o presidente Lula…”

“…Ele está no Oriente Médio, procurando construir a paz no mundo. Alguns parlamentares querem deformar o debate…”

“…Por que não incluem na moção o fim do embargo a Cuba e o fim da base militar de Guantânamo? Cuba está construindo o seu país. Vamos construir o nosso”.

O argumento de Mourão, por ridículo, não fica em pé. No debate sobre Cuba, Lula dispensa desmoralizou-se por conta própria. Não precisou da oposição.

Ao se contrapor à moção de teor anódino, o PT vai no mesmo caminho.”

18/03/2010

Entrevista com Reinaldo Azevedo no site “OrdemLivre.org”

Reinaldo Azevedo fala sobre os abusos da esquerda, a relação entre imprensa e governo e, entre outros assuntos, também conta como deixou de ser de esquerda. Ouça a entrevista no “OrdemLivre.org”.

18/03/2010

É necessário demarcar os limites entre governo e Estado

Editorial do “O Globo” de 18/03/2010 comenta as fragilidades da nossa legislação eleitoral e a constante ameaça de importação, para o Brasil, do continuísmo que atualmente vigora na América Latina. Confira abaixo o texto na íntegra:

Estado e governo
O Globo - 18/03/2010

Como nas anteriores, na atual epidemia de populismo que grassa na América Latina uma das características é o continuísmo. A perpetuação no poder é marca registrada do chavismo exportado da Venezuela para a Bolívia e o Equador, com ramificações na Nicarágua. A mesma bactéria é encontrada na Casa Rosada, onde laços matrimoniais são usados para manter o casal Kirchner dando as ordens.

No Brasil, devido a instituições republicanas revigoradas por duas décadas contínuas de estabilidade democrática e respeito ao estado de direito, a praga do continuísmo não contaminou o Planalto. Lula teve a clarividência de desestimular áulicos que se dispunham a usar a popularidade presidencial no projeto do terceiro mandato, e de não dar ouvidos àqueles no PT seduzidos pela fórmula bolivariana do ataque à democracia pela via supostamente democrática do plebiscito.

Até hoje há petista defensor de uma constituinte exclusiva para executar a reforma política, onde reside o risco de se abrir uma brecha para se inocular o continuísmo no país. A demonstração de maturidade de Lula, entretanto, não significa que o Brasil está protegido de tentações continuístas. O cacoete da perpetuação no poder, talvez derivado de traços do autoritarismo salvacionista existentes na formação da sociedade, persiste, como bem identificou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto.

Em julgamento de uma reclamação de partidos da oposição contra o uso da máquina pública na campanha deflagrada há tempos por Lula em favor da sua candidata Dilma Rousseff, Ayres Britto foi ao ponto: Governantes costumam confundir projeto de governo com projeto de poder.(…) O mandato venceu, mas o governante tenta a continuidade, fazendo o sucessor (…). É evidente o endereço do recado do ministro, até porque ele votou pelo acolhimento da denúncia.

O julgamento foi suspenso empatado em três votos.

Há fragilidades na legislação eleitoral.

Uma delas a que permite à Advocacia Geral da União (AGU) liberar Dilma para agir livremente de abril, prazo final de desincompatibilização, a junho, quando se tornará tecnicamente candidata. Ora, esta visão simplista e formalista faz com que candidatos oficiais sejam beneficiados. Daí ser de capital importância o TSE mediar conflitos entre oposição e situação, em torno do uso de recursos públicos em prol de partidos e candidatos, levando em conta o espírito da lei: dar condições de igualdade a todos na campanha.

É em julgamentos como este que o Judiciário deve ajudar na demarcação dos imprescindíveis limites entre governo e Estado.

18/03/2010

O monopólio da virtude

Caros, este texto do Rodrigo Constantino parece que foi escrito para nós, do movimento contra a racialização do País. Hoje cedo participei da gravação de um programa - Fórum - que deverá ir ao ar na próxima sexta-feira, dia 19/03, na TV Justiça. O fato de me declarar contra as cotas raciais, apesar de reconhecer a existência de preconceito, de discriminação e de racismo no Brasil, parecer ser suficiente para que os favoráveis às cotas se sintam no direito de partir para o ataque pessoal, tratando-nos obviamente como grupo - “elite branca”, “racista”, dentre outros adjetivos pejorativos. Não há debate de ideias. Somente agressões. E depois querem dizer que a imposição de cotas não vai trazer qualquer tipo de cisão ou de afronta entre os brasileiros. Cenas como essas se repetem e na verdade seus autores buscam, somente, mascarar a força do argumento contrário. Cotas geram ódio racial! Abaixo os racialistas!

(Do blog No Race BR)

18/03/2010

Sobre a repartição dos royalties

Caros amigos, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem… realmente, a emenda Ibsen Pinheiro foi arbitrária ao retirar, de forma abrupta, quase toda a fatia de royalties que o estado do RJ teria direito. O ideal seria haver um repensar sobre esta partilha atual…

Por outro lado, alguém já atentou para o fato de que o norte fluminense - mais precisamente, os municípios que mais recebem esta benesse - é bem mais atrasado do que o sul do estado? Afinal, como estes recursos são empregados? Será que são aplicados em educação, saúde, saneamento básico, etc? É só percorrer os municípios da região e se confrontar com uma série de obras inúteis e eleitoreiras…Por lá, um hospital de qualidade é uma miragem. Como pode Búzios não ter uma rede de saúde respeitável, ainda mais quando se sabe do potencial turístico da região?

Além do mais, muito bom se houvesse uma mobilização da sociedade, patrocinada pelos governantes, com passeatas a afins, para dizer um basta à corrupção, que se alastrou sobre as várias esferas de governo. Seria uma ótima, por exemplo, mobilizar pesseatas contra os mensalões da vida…

18/03/2010

Protesto das Damas de Branco é reprimido com violência em Cuba

Mais um episódio de repressão violenta: a caminho de uma visita a um dos dissidentes em greve de fome, o grupo Damas de Branco (visite o site neste link), de Cuba, formado por mães, esposas e filhos de prisioneiros políticos, foi barrado por cerca de 200 manifestantes pró-governo aos berros de “Viva Raúl! Viva Fidel!”. Para conter o tumulto formado, agentes de segurança levaram-nas à força para um ônibus. Muitas resistiram e acabaram feridas. Entre as Damas estava a mãe de Orlando Zapata Tamayo, o dissidente morto em fevereiro após uma greve de fome.

Em seu Twitter, Yoani Sánchez divulgou detalhes sobre o ocorrido, além de telefones para contato com as Damas de Branco e também com Coco Fariñas:

“Hace unos minutos hubo un mitin de repudio contra las Damas de Blanco en la esquina de 23 y L en el Vedado.

Gritos e insultos contra estas pacificas mujeres. Varios transeuntes se solidarizaron con ellas.

Solo les han quedado los gritos y los ataques personales. En ausencia de argumentos, echan mano del golpe.

Me cuenta Alejandrina: Acto de repudio y violencia fisica contra Damas de Blanco hay mujeres en el hospital para certificar golpes

Para hablar con Alejandrina +5352737663 Dama de Blanco que estuvo hoy presenta durante la agresion que ellas sufrieron

También pueden llamar a la Dama de Blanco Berta al +5352906820 para escuchar de su voz lo ocurrido.

Recién hablé con Coco Fariñas en el teléfono +5342270312 esta débil pero sigue con la idea de la huelga.”

Com informações do “O Globo”

16/03/2010

Cuba e a dúbia e errática diplomacia brasileira

Recomendo fortemente a leitura do artigo de Marcos Nobre - Cuba - publicado nesta terça-feira, dia 16 de março, na “Folha de SP”, onde o autor comenta a lamentável posição da atual política externa brasileira em relação aos direitos humanos. Confira abaixo:

Cuba

Por Marcos Nobre

A maneira mais eficaz de evitar uma discussão de verdade é embolar os seus termos. É exatamente isso o que está acontecendo a propósito da situação em Cuba.
O que mais se vê é atribuição de intenções ocultas. Uns dizem que o governo devota um amor secreto pela ditadura stalinista da ilha. Outros pensam que é uma maneira de Lula dar conforto ideológico à militância petista em momento eleitoral. Há ainda quem veja confronto com os EUA e desejo de afirmação da diplomacia brasileira.
Em nenhum desses casos o que está em causa é de fato a situação cubana, mas a sucessão presidencial no Brasil. E a oportunidade de dar sobrevida artificial tanto a um anticomunismo decrépito quanto a um esquerdismo mumificado.
O primeiro requisito para um debate real seria separar diplomacia, eleição e ideologia. Ou, se não for para separar, que pelo menos quem entra no debate esclareça os seus objetivos.
Em seguida, seria bom saber se o que está em causa é a situação em Cuba ou a posição que o governo brasileiro deveria assumir em relação a ela. Se o caso for este último, fica difícil acrescentar algo ao excelente artigo que Claudia Antunes publicou no último sábado nesta Folha. O fundamental, segundo ela, é que, no “plano global, o Brasil precisa ser mais transparente sobre suas posições, sobretudo no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, no qual a diplomacia brasileira com frequência argumenta que negociar com os acusados de violações é mais produtivo do que sanções ou condenações rígidas”.
A manifestação de Lula, negando o caráter de legítima desobediência civil aos atos dos opositores do regime cubano, é simples ignomínia. Não há outra qualificação possível para tamanha barbaridade.
Mas a instrumentalização eleitoral e ideológica do caso cubano significa hoje manter tudo como está.
Serve à ditadura na ilha e à polarização eleitoral brasileira. E, já que tudo é ideologia, dispensa a dúbia e errática diplomacia brasileira de apresentar uma posição sobre direitos humanos no plano global que seja transparente e coerente. E esse é o ponto essencial.
Cuba é uma ilha miserável. É uma ditadura igualitarista à qual está vedado o caminho da China para alguma forma de capitalismo.
Nem está à vista ali um colapso sistêmico e político como se viu no Leste Europeu a partir de 1989.
Na discussão internacional, é uma ditadura que sobrevive da memória da Guerra Fria. Se o objetivo for promover os direitos humanos e a democracia, a primeira coisa a fazer é deixar de lado intenções ocultas e fantasmas de um outro século.

Assinante veja mais na “Folha de São Paulo”

16/03/2010

Conferência de Cultura volta a pedir controle social da mídia

Matéria publicada no “Estado de SP” comenta as prioridades estabelecidas no encontro. Entre elas está a defesa de pressão pela regulamentação de artigos que obriguem emissoras de televisão a “cumprir cotas de regionalização na produção e exibição de programas”. Pergunto: qual a diferença entre este tipo de arbirtrariedade em prol do chamado “controle social dos meios de comunicação” e as determinações impostas pela ditadura militar? Ou arbitrariedades podem ser relativizadas?… Um bom comentário sobre isso foi feito por Reinaldo Azevedo em seu blog: “Nunca tantos libertários pediram com tanta insistência um ditadura para falar em nome da pluralidade!”.  O Instituto Millenium é citado na matéria. Confira aqui.

16/03/2010

Quadro do “CQC” é proibido por juíza de ir ao ar

Ação judicial impediu o “CQC” de veicular o quadro “Proteste Já” no programa desta segunda-feira 15/03/2010. Uma atitude que remonta aos piores períodos da ditadura  Em seu twitter (http://twitter.com/marcelotas) Marcelo Tas responde às manifestações de apoio e faz um apanhado da repercussão do caso. Saiba os detalhes da história na matéria publicada em “O Globo”, aqui.

15/03/2010

Cadê os abaixo-assinados dos intelectuais de esquerda?

Texto de Fernando de Barros e SIlva na “Folha de SP” de 12/03/2010 faz uma pergunta bastante pertinente para os dias atuais, em que Cuba voltou ao debate: “Até quando a esquerda nativa (com exceções honrosas) vai encarar a crítica à tirania cubana como uma pauta da direita?”. Leia abaixo na íntegra:

???

SÃO PAULO - Os intelectuais de esquerda adoram um abaixo-assinado. Na luta pela redemocratização, ele foi um instrumento importante de mobilização da sociedade civil. Hoje, não se sabe ao certo o que seja (nem se existe) “a sociedade civil”. E os intelectuais, sobretudo de esquerda, perderam em boa medida o protagonismo público.
Ainda assim, vira e mexe há abaixo-assinados por aí. Alguns em torno de causas abrangentes e justas, outros que parecem só um cacoete de antigamente. Diante de tudo isso, devemos nos perguntar agora: onde está o abaixo-assinado?
Sim. Ou os intelectuais de esquerda não estão incomodados com a fala bestial de Lula sobre Cuba? O assunto não comove a ponto de solicitar um repúdio coletivo?
Seria demais exigir a retratação pública do presidente por igualar as vítimas de uma ditadura que liquidou seus opositores aos presos comuns de um país democrático?
Seria demais pressionar o governo brasileiro para que interceda em favor de dissidentes presos arbitrariamente e/ou a caminho da morte? Seria demais reafirmar (ou assumir, no caso de alguns) a defesa da democracia e dos direitos humanos como valores universais?
O silêncio de certa intelligentsia, que insiste em tratar Cuba como um caso à parte, uma ilha da fantasia rodeada de piratas, é tão cúmplice das atrocidades de Fidel e seu asseclas quanto a fala boçal de Lula.
Até quando a esquerda nativa (com exceções honrosas) vai encarar a crítica à tirania cubana como uma pauta da direita? Até quando irá confundir o justo apelo dos dissidentes com a “máfia de Miami”?
Até quando irão invocar avanços sociais hoje mais do que duvidosos como pretexto -aí, sim- para justificar os horrores do regime? O dissidente Guillermo Fariñas precisará morrer -ou nem isso bastará para romper a omissão criminosa?
A Paquetá vermelha que incendiou bons corações nos anos 60 não existe, não passa de uma quimera mumificada. Então, apesar do atraso: cadê, cadê o abaixo-assinado?

15/03/2010

“A internet não pode ser algo livre onde qualquer coisa pode ser feita ou dita!”

Adivinhem quem disse a frase acima? Algum “golpista do PIG” como diriam alguns? Nada disso: Hugo Chávez. Afinal, tolher a liberdade de expressão é com ele mesmo. Confira matéria publicada hoje em “O Globo”:

“Chávez quer restringir internet e TV a cabo

Após censurar canais de televisão abertos e a cabo e fechar 34 rádios em 2009 - sendo que mais 29 correm o risco de perder a concessão pública este ano -, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, defendeu no fim de semana a restrição à internet. No sábado à noite, ele pediu à Procuradoria Geral do país e ao presidente da Comissão de Telecomunicações da Venezuela, Diosdado Cabello, que tomassem medidas judiciais contra o portal Noticiero Digital, que teria divulgado informação falsa. Ele pediu, também, mais controle sobre a internet e disse que a divulgação da falsa notícia era “um crime”.

- A internet não pode ser algo livre onde qualquer coisa pode ser feita ou dita - disse Chávez, num discurso televisivo, referindo-se a textos veiculados no site, segundo os quais dois de seus aliados políticos teriam sido assassinados. - Não, cada país tem que poder ter suas regras e normas.

Site vê ameaça à liberdade de expressão
Referindo-se a canais de TV a cabo, Chávez disse:
- Eles não podem transmitir o que querem, envenenando a mente de tantas pessoas. Regulação, regulação, leis!
O Noticiero Digital, um popular canal de notícias e comentários críticos na Venezuela, acusou ontem o presidente venezuelano de estender sua perseguição contra a mídia independente. “Esta acusação constitui uma grave ameaça à liberdade de expressão”, disse um comunicado no site.
A direção do portal, porém, reconheceu que os textos mencionados por Chávez continham “rumores falsos” e anunciou que está “tomando medidas para que este tipo de situação não volte a ocorrer”. Os textos foram retirados do ar horas depois de serem veiculados.
Nas últimas semanas, Chávez e seus aliados criticaram duramente as redes sociais, como Twitter e Facebook, que disseram ser usadas por rivais para difamar funcionários públicos e enganar a população. “

15/03/2010

Menos uma ONG

Marco Aurélio Top Garcia, o assessor de Lula para assuntos internacionais e gestos obscenos, pôs uma pedra no assunto dos presos cubanos. Explicou que o governo brasileiro não é ONG para ficar tomando partido.

Muito importante esse esclarecimento. Se Top Garcia não avisasse, ninguém ia notar.

Na embaixada do Brasil em Honduras, por exemplo, onde Manuel Zelaya, o Zé, esticou sua rede e hospedou dezenas de come-dormes da sua revolução de brinquedo, quem olhasse a cena juraria que o governo brasileiro era uma ONG chavista.

Quando Lula botou o dedo na cara da chanceler alemã Angela Merkel, para dizer que o tarado atômico do Irã podia fazer o que bem entendesse com seu plutônio clandestino, também deu a nítida impressão de que o governo brasileiro estava tomando partido em assunto dos outros. Ainda bem que era só impressão.

Aliás, quando Ahmadinejad ganhou sua eleição na mão grande, Lula gritou do longínquo Brasil que o pleito iraniano fora legítimo. E que o massacre da oposição nas ruas, incluindo a morte ao vivo da jovem Neda, era só “briga de flamenguistas e vascaínos”.

Que bom saber agora que o governo brasileiro não é ONG para tomar partido em quintal alheio.

Com o esclarecimento didático de Top Garcia, todos passarão a ver com outros olhos a guerra de Hugo Chávez contra a imprensa de seu país – temperada com os pitacos de Lula sobre a saudável democracia praticada na Venezuela. Seria terrível imaginar que o Brasil estivesse tomando o partido do obscurantismo no país vizinho.

Quando o presidente brasileiro fez campanha eleitoral para Evo Morales, aceitando inclusive que ele passasse a mão em investimentos da Petrobras na Bolívia, todo mundo jurou que aquilo era uma tomada de partido.

Nada disso. O Brasil não é ONG, não se mete em assunto interno dos outros, e por isso não tem nada com o sofrimento dos dissidentes esmagados pela ditadura cubana.

Que alívio.

(Publicado em Época)

15/03/2010

Projeto de lei que veta eventos esportivos após 23h15 em São Paulo é aprovado

Os vereadores Antônio Goulart (PMDB) e Agnaldo Timóteo (PL) apresentaram à Câmara dos Vereadores de SP projeto de lei que limita a realização de eventos esportivos com público superior a 15 mil pessoas até 23h15. Caso esse horário seja ultrapassado, a multa será de R$ 100 mil. O dinheiro arrecado será destinado a entidades filantrópicas. O prefeito Gilberto Kassab deverá avaliar o projeto nos próximos 15 dias. O que você acha desse “toque de recolher” esportivo?

Com informações do UOL

15/03/2010

Atrás da Bolívia e do Paraguai

A ilustração abaixo mostra o crescimento acumulado do PIB na América Latina. O Brasil quase empata com a Guatemala. Clique para ampliar a imagem:

13/03/2010

Glauco: um cartunista livre

Texto de Jotabê Medeiros no “Estado de SP” homenageia o desenhista Glauco, assassinado na sexta-feira (12/03/2010). Seguem abaixo excertos do texto (que pode ser lido na íntegra AQUI) com tirinhas selecionadas do personagem “Zé do Apocalipse”:

“Em suas pessoinhas narigudas, cheias de perninhas (se movimentando como se derrapassem) e olhos esbugalhados, Glauco Villas Boas condensou a ansiedade, a insegurança, a sofreguidão, as travas e o desejo de liberação de toda uma geração, aquela que veio logo após a ditadura militar.”


“Ele foi o cartunista oitentista que continuou punk até o fim. Há cartunistas chapa-branca, politicamente alinhados, assim como outros que se esforçam demais para agradar ao patrão. E há cartunistas que ignoram solenemente os lobbies e as vontades hegemônicas. Glauco era desse último time. Nunca foi de direita, nunca foi de esquerda, nunca foi de centro - era simplesmente livre.”

“Foi o primeiro cartunista do pós-ditadura a ter a coragem de passar marotamente a mão nas nádegas de general. Com isso, mais do que afirmar uma resistência ao regime, buscava tirar o ranço do humor engajado e chamar o escracho para dançar. Os personagens do Glauco foram os primeiros a ter coragem de botar o bilau (e a prochaska) para fora em cadeia nacional. Doparam-se em praça pública. Fizeram swing, cometeram assédio sexual, profetizaram o fim do mundo por alguns trocados.”

“Geraldão, Casal Neuras, Geraldinho, Doy Jorge, Zé do Apocalipse, Dona Marta e Nostravamus podem ter sido atropelados pelos absurdos da realidade. Mas que era magnífico ver o cartum do Glauco injetando caos e deboche no brutal mundo selvagem da política nacional, ah, isso era!”

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