Uma vida pela infância
Cristina CamargoEditorial da Zero Hora de hoje sobre a morte de Zilda Arns:
“O trabalho ao qual cerca de 155 mil voluntários prometem dar continuidade mesmo depois da morte de sua idealizadora, a pediatra Zilda Arns Neumann, cujo nome foi confirmado ontem entre os das vÃtimas do terremoto no Haiti, disseminou-se em pouco tempo por diferentes Estados brasileiros graças a algumas caracterÃsticas muito particulares. Entre elas, estão a simplicidade de suas ações, a eficácia dos resultados e a determinação de todos os envolvidos de alguma forma na Pastoral da Criança, que, embora ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), age nos bolsões de miséria de maneira geral, sem se preocupar se o público-alvo é ou não ligado à Igreja Católica.
Desde o inÃcio, nos anos 80 do século passado, a partir de uma experiência bem-sucedida no Paraná, a iniciativa chamou a atenção por privilegiar ações singelas mas de resultados espetaculares. A ênfase é na atenção permanente à criança e à mãe, com uma visão que leva em conta toda a famÃlia e, eventualmente, a necessidade de reeducá-la, sem perder de vista a comunidade na qual convive. A preocupação é chamar a atenção para a importância do aleitamento materno, para o quanto é fácil e necessário preparar um soro caseiro, manter as vacinas em dia e, sobretudo, dar atenção e amor aos filhos, o que muitas vezes leva os pais à necessidade até mesmo de se alfabetizarem para poder ajudá-los ainda mais no processo de transformação em cidadãos.
Num paÃs em que o poder público costuma gastar demais e, ainda assim, conseguir resultados muitas vezes insatisfatórios, a tarefa para a qual a lÃder social mais conhecida do Brasil deu uma contribuição inquestionável garantiu avanços impressionantes, apesar dos recursos financeiros escassos. Entre as crianças acompanhadas pela Pastoral, a mortalidade infantil se reduz a menos da metade da média nacional.
Resultados tão efetivos devem inspirar não apenas o trabalho de outras organizações não governamentais. Precisam servir também de modelo para as ações oficiais, permitindo que possam aproveitar melhor o seu potencial de recursos humanos e financeiros.”
Últimos artigos do autor Cristina Camargo
- Entrevista com Reinaldo Azevedo no site "OrdemLivre.org"
- É necessário demarcar os limites entre governo e Estado
- Protesto das Damas de Branco é reprimido com violência em Cuba
- Denis Rosenfield - Parte 5
- Denis Rosenfield - Parte 4
- Denis Rosenfield - Parte 3
- Denis Rosenfield - Parte 2
- Hélio Costa - Parte 2
- Cuba e a dúbia e errática diplomacia brasileira
- Conferência de Cultura volta a pedir controle social da mÃdia
- Quadro do "CQC" é proibido por juÃza de ir ao ar
- Cadê os abaixo-assinados dos intelectuais de esquerda?
- "A internet não pode ser algo livre onde qualquer coisa pode ser feita ou dita!"
- Projeto de lei que veta eventos esportivos após 23h15 em São Paulo é aprovado
- Atrás da BolÃvia e do Paraguai
- Roberto Civita no Fórum Democracia e Liberdade de Expressão
- Hélio Costa - Parte 1
- Marcel Granier - Parte 3
- Marcel Granier - Parte 2
- Marcel Granier - Parte 1