4 de julho de 2011
Autor: Instituto Millenium
A revista “Veja” sugere ao governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, que andou se valendo da posição pública para beneficiar-se, que ele siga códigos de conduta já existentes na Constituição Federal, na Comissão de Ética Pública da Presidência, no Código de Ética do Servidos Público Civil do Poder Executivo Federal e no Código Penal.
Sérgio Cabral disse à imprensa que gostaria de rever sua conduta e sugeriu a criação de um código de ética para todos os estados. A revista relembrou algumas sugestões de postura pública em diversos códigos existentes e não perdoou: “Não é preciso, portanto, criar novos códigos de conduta. Basta seguí-los”.
Leia a matéria:
“O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), vive a sua pior crise política desde que assumiu o cargo, em 2007. Nas últimas semanas, descobriu-se que ele mantém uma intensa troca de gentilezas com empresários que têm negócios milionários com o seu governo. Esses homens oferecem seus jatinhos e helicópteros para levá-lo a festas e viagens. O governador aceita, penhorado, e intercede por eles em suas relações com o governo federal e em suas andanças pelos labirintos da burocracia estadual. Entre os amigos de Cabral, estão o multimilionário Eike Batista, do grupo EBX, e Fernando Cavendish, da Delta Engenharia, que, na gestão dele, multiplicou por oito o faturamento proveniente de contratos com o governo do estado. Cabral pede ajuda. “Quero rever minha conduta. Vamos construir um código de conduta juntos. Vamos estabelecer os limites e ver o que há em outros estados do Brasil e no mundo.” O pessoal gostaria mesmo é de ir junto nas viagens exclusivas pagas pelos amigos do governador. Para trabalhar não precisa convite. Com o intuito de colaborar, VEJA lista algumas fontes que podem facilitar a elaboração do “Codex cabralensis”. O ideal é começar pelo Ética a Nicômaco, obra do grego Aristóteles. Ensina o sábio do século IV a.C.: “A política é a ciência do bem comum”. Aliás, não é preciso ir longe nem no tempo nem na geografia. As lições éticas estão por toda parte.
1. Constituição Federa), artigo 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Ou seja: viajar no jatinho de Eike Batista e, três dias depois, liberar uma licença ambiental para que ele construa um porto não é legal.
2. Resolução número 2 da Comissão de Ética Pública da Presidência A autoridade não poderá aceitar o pagamento ou reembolso de despesa de transporte e estada, referentes à sua participação em evento de interesse institucional ou pessoal, por pessoa física ou jurídica com a qual o órgão a que pertença mantenha relação de negócio. Ou seja: se o jatinho de Eike for usado para levar um político a uma festa em um resort da Bahia bancada por um empreiteiro com contratos com o governo esta¬dual, é ainda pior. (…) Voltei Há algumas outras regas que são ignoradas na Cabralândia. Veja na revista. O governador do Rio precisa saber que a sua falta de disposição para seguir leis e códigos não quer dizer que eles não existam.
3. Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal- É vedado ao servidor público ( … ) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem.
Ou seja: se o empreiteiro em questão for Femando Cavendish, da Delta, cujos negócios com o governo Cabral lhe renderam 127 milhões de reais em contratos sem licitação só em 2010, a festa pode virar uma dor de cabeça tremenda.
4. Código Penal, artigo 321- É considerado crime ( … ) patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário.
Ou seja: constitui crime um governador telefonar para o presidente da República pedindo a ele que interceda em favor do empresário dono do jatinho para que ele obtenha direitos bilionários de exploração mineral – como Cabral fez em 2008, ao ligar para Lula e patrocinar os interesses de Eike
Não é preciso, portanto, criar novos códigos de conduta. Basta segui-los.
Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
“Cabral já usou estatuto para demitir servidor
Governador, que propõe código de conduta, puniu com base em regulamento do estado que proíbe recebimento de vantagens
A inexistência de um código de conduta, citada pelo governador anteontem, não impediu que Sérgio Cabral demitisse servidores por terem falta¬do com a ética. Em abril de 2010, Cabral se valeu de uma série de normas legais, inclusive o decreto-lei 220/1975, que criou o Estatuto dos Funcionários Públicos do estado, para demitir…
Pedro
Tá é certo. Essa do PT e radiocais sempre usarem o funcionalismo públuco para pressionar governos, tem de acabar. saiu da linha é rua mesmo.
Cabral vem fazendo um bom governo no RJ.
Há deslizes, mas é muito melhor que os antecessores. Achei importante ele admitir o erro.
Vamos ver o que vem pela frente.
Tá é certo.