Marco Aurélio Top Garcia, o assessor de Lula para assuntos internacionais e gestos obscenos, pôs uma pedra no assunto dos presos cubanos. Explicou que o governo brasileiro não é ONG para ficar tomando partido.
Muito importante esse esclarecimento. Se Top Garcia não avisasse, ninguém ia notar.
Na embaixada do Brasil em Honduras, por exemplo, onde Manuel Zelaya, o Zé, esticou sua rede e hospedou dezenas de come-dormes da sua revolução de brinquedo, quem olhasse a cena juraria que o governo brasileiro era uma ONG chavista.
Quando Lula botou o dedo na cara da chanceler alemã Angela Merkel, para dizer que o tarado atômico do Irã podia fazer o que bem entendesse com seu plutônio clandestino, também deu a nítida impressão de que o governo brasileiro estava tomando partido em assunto dos outros. Ainda bem que era só impressão.
Aliás, quando Ahmadinejad ganhou sua eleição na mão grande, Lula gritou do longínquo Brasil que o pleito iraniano fora legítimo. E que o massacre da oposição nas ruas, incluindo a morte ao vivo da jovem Neda, era só “briga de flamenguistas e vascaínos”.
Que bom saber agora que o governo brasileiro não é ONG para tomar partido em quintal alheio.
Com o esclarecimento didático de Top Garcia, todos passarão a ver com outros olhos a guerra de Hugo Chávez contra a imprensa de seu país – temperada com os pitacos de Lula sobre a saudável democracia praticada na Venezuela. Seria terrível imaginar que o Brasil estivesse tomando o partido do obscurantismo no país vizinho.
Quando o presidente brasileiro fez campanha eleitoral para Evo Morales, aceitando inclusive que ele passasse a mão em investimentos da Petrobras na Bolívia, todo mundo jurou que aquilo era uma tomada de partido.
Nada disso. O Brasil não é ONG, não se mete em assunto interno dos outros, e por isso não tem nada com o sofrimento dos dissidentes esmagados pela ditadura cubana.
Que alívio.
(Publicado em Época)
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