A gratuidade a 24 quadros por segundo

19 de novembro de 2009
Autor: André de Leones

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Enquanto cinema, “Lula, o Filho do Brasil” não existe. Ou, em existindo, é  ruim, mesmo constrangedor, como de resto o são todos os filmes dirigidos por Fábio Barreto.

Enquanto propaganda mal disfarçada e artefato demagógico de penúltima geração (há aquele gostinho de “eu já vi isso antes”, como não poderia deixar de ser), “Lula” é a celebração embriagada de um “brasileiro do povo” (sic) que “deu certo”.

Ou seja: o lance dos Barreto (o pai, Luiz Carlos, é o produtor) é executar um blockbuster à brasileira com todos os ingredientes dos piores blockbusters norte-americanos. Superação, triunfalismo, pessoas-que-lutam-contra-as-adversidades, essas coisas. Conforme já disseram por aí, o filme exibe aquele tipo de “sofisticação” tão cara às minisséries globais, descambando para o dramalhão aqui e ali.

“Lula, o Filho do Brasil” teve premiére no Festival de Brasília, um dos mais tradicionais do país, e chega a quatrocentas salas de cinema em 1º de janeiro próximo, estreia digna de filme da Xuxa.

Mil e oitocentos convidados (pelo menos 400 deles eram VIPs do governo) lotaram o Cine Brasília, o qual, em condições normais, suporta no máximo mil e trezentas almas (“almas”, aqui, no mais amplo sentido Nicolai Gogol do termo).

A cinebio custou em torno de 12 milhões de reais, e os culpados por ela fazem questão de frisar que não houve a injeção de recursos captados mediante leis de incentivo. Nesse caso, uma vez que o troço não funciona enquanto cinema e tampouco foi financiado pelo governo, ou melhor, por nós, contribuintes, fica no ar a pergunta: para que ou para quem serve “Lula, o Filho do Brasil”?

Jean-Luc Godard certa vez definiu o cinema como “a verdade vinte e quatro vezes por segundo”. Brian DePalma, por sua vez, disse que “o cinema mente vinte e quatro vezes por segundo”. Fora da verdade e da mentira, está um filme como “Lula, o Filho do Brasil”: gratuito, insosso, sem razão de ser, arrancando aplausos protocolares daquelas centenas de VIPs que, eles, sim, são sustentados por nós.

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Gratuito?

    Certamente as empresas que financiaram o filme vão ganhar algo (e não será através da propaganda que passa antes da exibição).

    Ou já ganharam…

    Oi? Tá aí?

    Republicano


    19-11-2009 12:18:17

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