Você jogaria a bomba atômica em Hiroshima?

6 de agosto de 2009
Autor: Claudio Mafra

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Foi crueldade, abominação, um dos maiores crimes da história da humanidade. Essa é a opinião mundial, quase unânime, na condenação das bombas atômicas lançadas sobre o Japão. O que levou o presidente americano, Harry Truman, a tomar a essa decisão? Terá sido muito dificil para ele arcar com essa tremenda responsabilidade? A resposta pode surpreender o leitor. Foi uma decisão muito facil. A única possivel. A partir das baixas americanas na conquista das ilhas japonesas de Okinawa, Iwo Jima e Tarawa, a previsão era de que na invasão e domínio da grande ilha japonesa, do Japão propriamente dito, morreriam 1 milhão de americanos, e entre 11 e 20 milhões de japoneses. Os números parecem espantosos, mas a segunda guerra mundial FOI espantosa, morreram mais de  50 milhões de pessoas, entre os quais 22 milhões de russos.  O poder de decisão sobre continuar, ou  não, a guerra, havia passado do Imperador para seus generais, o que significava que o samurai jamais se renderia, e que toda a população japonesa se transformaria em kamikazes, preparada para morrer defendendo sua ilha. Os japoneses, um povo historicamente guerreiro, nunca haviam sido derrotados, nem mesmo por Gengis Khan. Os americanos enfrentariam em escala astronômica o que haviam visto nas primeiras ilhas onde as rendições eram raras porque os soldados preferiam morrer queimados pelos lança-chamas a se entregarem. A invasão, de tão grande, deixaria o desembarque na Normandia, o dia D, parecer brincadeira de criança perto do número de soldados, navios, aviões e toda a parafernália de guerra a ser empregada. Aos que pensam que o Japão poderia ter se rendido com outra demonstração de força que não a bomba, é preciso lembrar que no dia 10 de março os Estados Unidos queimaram Tóquio com bombas incendiárias que mataram 100 mil pessoas. A população da cidade,  que era de 7 milhões, já estava reduzida à metade pelo êxodo em massa. Antes disso, mais de 60 cidades japonesas haviam sido pesadamente bombardeadas. E os japoneses estavam esperando a invasão americana com tudo. ” Deixe que venham”. Sabiam que perderiam, sabiam pelas experiências nas ilhas menores que a proporção seria no mínimo de 10 japoneses mortos para 1 americano, mas não tinha importância. O objetivo suicida era de que ninguém ficaria vivo, e matariam 1 milhão de americanos. Na ilha de Tarawa, de 4.500 japoneses, apenas 1 oficial e 16 soldados se renderam. A  “Operation Decision”, aprovada em 6 de junho  de 1945 pelo Conselho Supremo Japonês, (“Fundamental Policy to be Followed Henceforth in the Conduct of the War”) previa 53 divisões  de infantaria, 25 brigadas, ou seja: 2.350.000 tropas treinadas para lutar nas praias, mais 4 milhões atrás dessas tropas, e uma milícia civil de 28 milhões. Um número nunca visto na história da humanidade. As armas a serem usadas incluíam até pontas de bambus e flechas.

Truman escolheu bombardear alvos civis, Hiroshima e Nagasaki, justamente porque eram civis, cidades industriais. Não quis deixar dúvidas de que o movimento da guerra seria diferente. Precisava mostrar cruamente o número de mortos, cidade por cidade. O objetivo americano era indicar ao Japão que atos de heroísmo não teriam o menor significado dali para a frente. Poderia também ter jogado a bomba diretamente em Tóquio, mas ainda não se tinha uma boa estimativa sobre seu poder de destruição, e não poderia correr o risco de pulverizar a capital. Quis mostrar que poderia destruir o Japão sem perder um só americano. Ele joga a primeira bomba em 6 de agosto e o Japão não se rende. Teve que jogar a segunda no dia 9, e o total de mortos  passou a ser por volta de 170 mil, (e mais um expressivo percentual de mortos a posteriori, por câncer) até que, no dia 14, o Imperador conseguiu obrigar aos seus generais à rendição. Bem, para quem evita a racionalidade dos números a única saída é se apoiar em teorias conspiratórias: “O Japão já iria se render” (mas sem dizer quando),  “a bomba foi jogada para impressionar os russos”, “a rendição não precisaria ser incondicional” ( impossivel terminar a guerra), os USA ficaram com medo de que Stalin tomasse o Japão (essa é o absurdo dos absurdos) e tudo mais que se puder imaginar. As variações são proporcionais ao anti-americanismo, isto é, infinitas.

Deixando as “teorias” de lado, e acreditando-se no que a história diz, é um bocado difícil não trocar 1 milhão de mortos americanos por zero mortos americanos. Os Estados Unidos perderam 407 mil homens em toda a Segunda Guerra, o que mostra o gigantismo da carnificina que seria a invasão do Japão, já que excederia em mais do dobro esse número. Se o presidente Truman não joga as bombas, o que o povo americano diria dele? Um louco, um idiota. Provavelmente seria deposto. Mas, para a história recente, foi mais uma das brutalidades infinitas do império.

O leitor que resolver pesquisar vai encontrar uma infinidade de declarações contrárias ao exposto nesse artigo. Mas, fica a referência ao tema.

(Publicado em Reflexões Radicais)

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  1. Durante muito tempo mantive a opinião de que o lançamento das bombas atômicas na segunda guerra haviam sido um ato moralmente injustificável. É a maneira mais natural de se ver a coisa. Entretanto, se estudarmos a história dos confrontos militares no pacífico e projetarmos o que seria a continuidade disso no estilo em que os japoneses faziam guerra naquele período, chegaremos à conclusão de que foi quase um ato de caridade, não só com os americanos, mas até com os japoneses, porque a continuidade da guerra teria sido um horror inimaginável. Hoje, que conhecemos o Japão pós-MacArthur, uma nação extraordinária onde a garra do povo japonês foi canalizada para o progresso e o bem estar, desconhecemos o que era o militarismo japonês anterior. Os chineses, coreanos e até os russos que o digam. Não temos idéia do que é fazer guerra no limite máximo da crueldade, não apenas com o inimigo, mas até com os próprios soldados. É preciso estudar o período. Os “nossos” japoneses, essa colônia maravilhosa que tanto bem trouxe ao nosso país, nada tem a ver com os japoneses do império, criados numa mentalidade terrível, com a mistificação de um código supostamente de cavalaria, o Bushido, elaborado fantasiosamente no raiar do século vinte.
    Segundo ouvi do próprio Aron, em São Paulo, muito pior foi o bombardeio convencional de Dresden, sem objetivos militares claros e que matou umas quatro e meia vezes o que mataram as bombas atômicas. Temos é que pedir a Deus que coisas semelhantes não voltem.

    João Nemo


    06-08-2009 15:58:09
  2. A própria CIA reconheceu que houve um pedido de rendição por parte do Japão sim.
    Agora sobre pergunta, eu não jogaria não.

    Agora, que coisa engraçada. Vocês mesmos comprovam a validade de um dito do assassino Stalin:
    “A morte de um homem é uma tragédia. A morte de milhões é estatística”.

    Gente como vocês dá medo. Ou não.

    O sujeito da esquina


    06-08-2009 16:28:01
  3. Gostei da sua maneira de pensar, me mostrou algo que eu nunca havia cogitado, a ferocidade dos japoneses que lutariam até a morte pela sua terra, mas ninguém lembra por causa da desgraça gigantesca que é a bomba atômica.
    Como estratégia uma decisão acertada mas como humanista se esperasse o Japão talvez se rendesse.
    Acho que todos acabaram perdendo muito.
    Ótimos artigos to gostando muito principalmente dos da Coréia do Norte foram ótimos tambem Tnks
    Vham (=^-’)v See you

    O Pirata Vham


    20-09-2009 22:32:54

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