Sem educação, sem liberdade: uma escola liberal para reconstruir a sociedade

21 de February de 2010
Autor: Joao Victor Guedes

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Desembarquei em Gummersbach, pequena cidade do oeste alemão, para participar do seminário “No Education, No Freedom” que reúne por duas semanas, a partir do Instituto Friedrich Naumann, vinte e quatro líderes de todos os continentes para apresentar experiências de sucesso e debater a aplicabilidade das políticas liberais nos mais diferentes cenários educacionais.

Entre os participantes que compartilham este espaço comigo estão ativistas do movimento estudantil, jornalistas, diretores de instituições de ensino, formuladores de politicas publicas, membros de think tanks e líderes oposicionistas. Como já era de se esperar, as ideias compartilhadas são fantásticas e servem não só de inspiração liberal mas, principalmente, de exemplo para projetos futuros em nosso pais.

Tal expectativa positiva, no entanto, demandou principalmente nos três primeiros dias uma atenção especial no tocante ao respeito a diversidade cultural. Entre muçulmanos, católicos, protestantes e ateus, naturais de ditaduras e democracias, o modelo de conduta necessita cuidados adicionais para que não se desrespeite, mesmo que não intencionalmente, algum colega de grupo.

Este fator, alias, representou mais um acumulo fantástico para a bagagem cultural do seminário: percebemos que, apesar das diferenças culturais, somos todos iguais, todos humanos e, portanto, merecemos o mesmo respeito enquanto seres humanos. A partir deste fato, validamos juntos os preceitos dos direitos humanos universais.

No tocante a educação, percebemos que apesar de todas estas diferenças algumas politicas têm sido adotadas por todos os governantes do mundo periférico, como a padronização da grade curricular e do modelo pedagógico, a forte presença ineficiente do Estado no setor e a ausência da preparação do jovem para o mercado – que, de uma forma geral, termina os ciclos básico e médio sem um conteúdo profissional.

As soluções são diversas e, pouco a pouco, vamos encontrando-as a partir das experiências compartilhadas.

Um dos exemplos foi a “Escola Vocacional” privada que visitamos na pequena cidade de Jena, leste alemão. Esta, a partir da queda do Muro de Berlim em 1991, foi reconstruída e se transformou em um dos melhores centros de preparação profissional do pais.

Direcionada para a educação técnica de jovens, fecha parceria com empresas que enviam seus “Trainees” para cursos de até três anos e meio que os preparam para funções industriais de alta tecnologia em áreas como eletricidade e mecatrônica. Muitas vezes, afirmam os diretores do projeto, o modelo de “Escola Vocacional” tem sido implantado por Câmaras de Comercio (associações comerciais e industriais) como forma de prestação de serviço para os seus filiados.

Do mundo periférico o exemplo veio da Índia, onde um think tank local aplica por sua própria conta o sistema de vouchers e vem ganhando, com seu sucesso, cada vez mais adeptos. O modelo, por incrível que pareca, é simples: atingiram uma grande captação de recursos no mercado, cadastraram escolas e famílias carentes, definiram um valor padrão e iniciaram o processo de entregar “vales-educacão” para que tais famílias pudessem escolher – dentro do valor estabelecido – onde gostariam que seus filhos estudassem. O resultado tem sido fantástico e as famílias, mesmo que de baixa renda e pouca bagagem educacional, têm feito escolhas adequadas que, quando avaliadas periodicamente, têm demonstrado o avanço cultural dos estudantes.

O objetivo deles, além de conquistar mais recursos para maximizar o projeto, é mostrar ao governo uma alternativa eficiente para os investimentos públicos em educação

No Brasil infelizmente temos caminhado na contramão dos avanços educacionais aumentando cada vez mais o centralismo no setor, padronizando modelos e chegando ao cúmulo de implantar um exame único nacional – empurrado, aliás, por meio de chantagem do Governo Federal contra os reitores das universidades públicas.

A esperança, no entanto, existe e é crescente. Este seminário, que ainda não terminou, já abriu meus olhos para a importância das ONGs e think tanks no processo de reconstrução do pais. Quando autônomos e sérios, estes podem sim representar a “mão invisível do mercado” que vai, passo a passo, corrigindo as imperfeiçoes causadas pela interferência governamental.

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Olá , gostei muito do seu comentário , principlamente com relação a Educação no Brasil . Infelizmente não temos mais tempo para esperar uma reação , urgem , educadores do Brasil , liderarem a nova política educacional .É triste a posição da educação do Brasil como uma das piores do mundo ; é hora de mudar e a confiança está no docente bem preparado para essa luta que é de todos nós brasileiros e principalmente de todos que acreditam na educação como reconstrução de um país como o nosso.Seja mais um líder na construção de uma Educação séria e comprometida com a qualidade de vida para todos. Parabéns e como educadora obrigada pelo envolvimento na nossa luta .

    Lucia Helena Perdigão


    21-02-2010 17:02:02
  2. Parabéns João Victor! Texto impecável!

    Dolglas Eduardo


    24-02-2010 15:17:03

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