Quando as usinas atômicas iranianas serão bombardeadas?

9 de julho de 2010
Autor: Claudio Mafra

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 Quando as usinas atômicas iranianas serão bombardeadas?

*(reparem que para não ser confundido com o profeta Maomé o chargista teve o cuidado de escrever IRAN na primeira figura)

A estratégia do Ocidente para impedir o Irã nuclear precisa da cooperação da Rússia e da China na difícil tentativa de fazer com que sanções rigorosas possam levar à sucessivos ADIAMENTOS na obtenção da bomba atômica, até o ponto em que um governo de oposição consiga chegar ao poder. Adiamentos. Em suma, a estratégia presume nada mais, nada menos, do que a queda dos aiatolás, antes que consigam fazer do Irã o país que vai abalar o Oriente Médio e mudar a geopolítica mundial. Palavras de Ahmadinejad no começo de julho: “Sabem que há um leão adormecido no Irã que está despertando, e se ele despertar, as relações do mundo mudarão.” Mais claro impossível. A bomba atômica iraniana é estrategicamente OFENSIVA, ao contrário da posição adotada por oito membros do clube nuclear, sendo que a Coreia do Norte é um caso complexo que precisa ser analisado à parte, mas, de qualquer forma, muito menos preocupante.

Enquanto o Irã for um estado religioso dominado por dirigentes que se julgam investidos de uma missão divina, a bomba jamais deixará de ser o objetivo principal, inquestionável, de seu governo. O Irã Islâmico acalenta o sonho de ter sido escolhido para dar início à fantástica volta aos tempos de Saladino e, em várias gerações, chegar finalmente ao inexorável domínio mundial. Se tem a benção de Alah para a tarefa, quem poderá evitar? Basta cumprirem sua parte e serem firmes em seu propósito. Isso diz tudo, e nos remete quase que instantaneamente para o bombardeio das usinas. No entanto, algumas considerações devem ser feitas:

1 – As sanções correm o risco de se tornarem impopulares e a oposição iraniana perder força.

2 – O que poderia funcionar a curto prazo seria um bloqueio naval impedindo a chegada de gasolina aos portos do país, o que os especialistas dizem que provocaria o estrangulamento da economia iraniana. Ahmadinejad, mentindo ou não, disse que isso está longe de ser problema, que ele consegue refinar seu petróleo da noite para o dia. Tudo é possível enquanto a China e a Rússia continuarem fazendo corpo mole e tirando proveito político das dificuldades dos Estados Unidos na região. Já é difícil conseguir resultados com os dois cooperando, e completamente impossível sem eles.

3 – Chineses e russos sabem muito bem que não podem, de maneira alguma, conviver com os aitolás de posse da bomba. Para começar, afeta radicalmente a região, prejudicando os dois países. Rússia e China estão rodeados de muçulmanos que podem se tornar hostis com o incentivo da bomba iraniana. Já bastam os problemas com chechenos e uigures. Além disso, os dois grandes países jamais aceitarão que um bando de loucos interfira em seus planos para seguirem vivendo a vida. É uma questão de tempo para eles chegarem ao seus limites quanto aos iranianos. Mas, por enquanto, acham que é possível aguardar, e assistir de palanque ao espetáculo da angustia de Israel e da política errática dos Estados Unidos. Mas, sem dúvida, esperam e confiam em que, no momento adequado, os americanos, ou israelenses façam o que deve ser feito, ou seja, bombardeiem as usinas. Reservam-se o direito de hipocritamente condenar o ato de força: “Todos os meios diplomáticos precisam ser esgotados” e blá, blá, blá. Russos e chineses fazem um jogo de sangue frio.

4 – A bomba atômica iraniana é inadmissível para os três grandes do mundo: EUA, Rússia e China. Os países que têm a bomba, além dos Estados Unidos e Rússia, só a conseguiram porque estávamos na Guerra Fria. Assim, a União Soviética não pode fazer nada quando a França, a Inglaterra e Israel entraram para o clube e, em contrapartida, os USA ficaram impotentes diante da China, India, Paquistão e Coreia do Norte. Mas, os dois gigantes viram com muito maus olhos a entrada dos novos membros. Se dependesse de sua vontade, o monopólio teria continuado apenas com eles. Os USA não poderiam ter feito nada se, por exemplo, o Egito construísse a sua bomba, mas a URSS não deixou que isso acontecesse. Do lado americano também foi fortemente desestimulado que outros países ocidentais se candidatassem ao clube. Houve uma espécie de acordo tácito entre as duas super potências.

5 – Nunca podemos nos esquecer – e frequentemente o fazemos – que não existe a hipótese de convivência do Estado israelense com um Irã nuclear. Mil vezes melhor Netanyahu se arriscar numa guerra contra o Irã do que correr o risco de uma bomba atômica explodindo em Israel, ou de ser submetido a uma camisa de força, fazendo incontáveis concessões ao mundo árabe-persa, num processo de chantagem permanente, além de uma trágica fuga de israelenses para outros países do mundo. Seria a fábula do lobo e do cordeiro. Seria criminoso. Uma volta ao comportamento judeu dos tempos de Hitler, e isso é intolerável – está fora de questão. Já faz muito tempo que um primeiro-ministro israelense não se depara com uma responsabilidade tão grande e, por sorte de Israel, Netanyahu não faz o tipo covarde, nem é judeu esquerdista com a cabeça cheia de minhocas, ou judeu não-judeu, além de, nas palavras de Margaret Thatcher, “ser o mais talentoso de todos os primeiro-ministros, israelenses.” *

6 – Continua sendo um mistério a capacidade de Israel para destruir as usinas. Os iranianos – que já tiveram todo o tempo do mundo – podem tê-las defendido muito bem. Evidentemente, vão ser usadas bombas americanas de última geração, preparadas especialmente para esse caso. Essa é uma das extraordinárias diferenças entre o poderio militar dos Estados Unidos e o resto do mundo. A indústria bélica dos EUA acompanha cada momento de ação militar, está sempre em progresso constante, adaptando ou criando novas armas, para diferentes circunstâncias

7 – O silêncio de Israel a respeito da bomba nuclear iraniana é ensurdecedor. Falam sobre os novos assentamentos, falam sobre Gaza, sobre um futuro estado palestino, falam sobre Hamas, Líbano, falam sobre tudo, mas nunca a respeito da questão fundamental para sua sobrevivência. É raro alguma declaração de autoridade judia sobre a espada de Dâmocles em suas cabeças. Não querem banalizar o tema porque prejudicaria o impacto positivo da ação militar. Muito inteligente.

8 – Por último, a bomba atômica iraniana não é, de maneira alguma, bem vinda para quase a totalidade dos países árabes do Oriente Médio, principalmente para os sunitas. A única forma de se protegerem será a disuassão, isto é, também construirem a sua. Consequências imediatas seriam sentidas nos países muçulmanos na África, na Ásia, e até mesmo a América Latina seria afetada. Muçulmanos neutros e bem comportados seriam seduzidos pelo fascínio da “cruzada” ao contrário. Em suma, teríamos uma cadeia de eventos não admissiveis pelos países mais poderosos do mundo.

Voltamos ao início: A única solução realista parece ser o bombardeio das usinas, no momento em que houver uma dissimulada concordância de Rússia e China, ou então o limite para a segurança da existência de Israel haver sido atingido, independentemente de quaisquer outras considerações.

Terminando o artigo, me dei conta que não fiz a menor referência à União Europeia. Percebi com alguma surpresa que não há o que dizer. Ela não tem a menor importância.

* Binyamim Netanyahu é graduado em Arquitetura e mestre em Administração pelo MIT. Também estudou Ciência Política no MIT e na Universidade de Harvard.

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(Publicado em “Reflexões Radicais“)

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Claudio Mafra: "Quando as usinas atômicas iranianas serão bombardeadas?" http://goo.gl/V3iM

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    09-07-2010 14:41:29

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