Sobre “Darwinismo social”

21 de fevereiro de 2011
Autor: Luiz Mário Brotherhood

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Darwinismo social é o nome dado à ideia, baseada nos estudos do biólogo Charles Darwin, de que o conflito e a seleção natural dos indivíduos mais aptos são condições do progresso em uma sociedade de mercado. Embora essa idéia tenha sido inaugurada por um defensor do mercado, seus críticos a acataram e a elaboraram da sua forma. Segundo estes últimos, os “menos aptos” estariam fadados a uma posição de lástima, ou até a serem exterminados da sociedade, enquanto que os “mais aptos” alcançariam progresso.

É fácil visualizar, no entanto, que os indivíduos “menos aptos a sobreviver” se beneficiam extremamente da convivência com os “mais aptos”. Imagine que haja dois grupos de indivíduos: um contém somente pessoas “menos aptas” (ineficientes ao utilizar os recursos econômicos para satisfazer suas necessidades), e o outro contém somente pessoas “mais aptas” (eficientes para esse fim). Pense como seriam as primeiras pessoas vivendo sozinhas: devem trabalhar por mais tempo e dispõem de menos ocasiões para descansar; custos e preços são mais altos e a quantidade de riqueza produzida é pequena (em outras palavras, pobreza). Agora imagine como seria a vida dos eficientes: trabalhariam menos, disporiam de maior tempo para lazer, custos e preços seriam mais baixos e a quantidade de riqueza disponível seria maior (riqueza).

Imagine, agora, como seriam os dois grupos vivendo juntos. Com um maior número de pessoas ativas na economia, haveria uma maior divisão do trabalho. Com o maior grau de especialização alcançado pelos indivíduos, a produtividade do trabalho inevitavelmente aumentaria. O resultado seria um crescimento geral da produção de riqueza. Os produtos seriam ainda mais baratos e de melhor qualidade para todos.

Como Ludwig von Mises demonstrou através da lei da associação (em uma interpretação da lei das vantagens comparativas de David Ricardo), em um mercado livre, os indivíduos ineficientes não seriam postos para fora do mercado, mas se concentrariam nas atividades em que possuíssem vantagens comparativas, maximizando seu nível de bem-estar.

Um exemplo que ilustra claramente esse fenômeno foi dado pelo próprio Mises. Um cirurgião pode ser mais eficiente que seus auxiliares médicos ao executar uma cirurgia e ao fazer a limpeza da sala de operação e dos instrumentos. Mesmo assim, ele se especializa na primeira atividade, enquanto que os auxiliares se especializam na segunda. O resultado é um serviço prestado com mais eficiência em função da cooperação entre eficientes e ineficientes relativos. A remuneração do cirurgião e dos próprios auxiliares é maior do que seria caso o primeiro se dedicasse a ambas funções.

Fica claro que, em uma sociedade de mercado, os “menos aptos” não estão fadados à exterminação, mas sim a constantes ganhos de bem-estar. Essa maximização do ritmo da produção de riqueza é alcançada através do benéfico fenômeno da divisão do trabalho.

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Conheço a teosria do darwinismo social, inclusive gente que a defende e que faz parte do próprio Instituto Millenium. Aproveitemos, pois, o exemplo colocado pelo autor: o do cirurgião e seus assistentes. Vamos supor que um dos assistentes não esteja satisfeito em ser apenas assistente. Ele quer ser cirurgião também. Mas nunca teve condições de fazer uma faculdade e muito menos as especializações necessárias para isto.

    Kalopsita


    21-02-2011 09:56:18
  2. (cont.) A única saída para o assistente seria apelar para uma bolsa de estudos, ou um ProUni, algum tipo de caridade que resolva apostar em seu potencial. Mas segundo os defensores do darwinismo social, isso é inaceitável. São contra qualquer auxílio estatal ou mesmo qualquer tipo de ajuda neste sentido. O assistente deve se conformar com sua condição. Quem mandou não nascer na família certa, com as condições certas? Dane-se seu potencial, que talvez seja até maior que o do cirurgião.

    Kalopsita


    21-02-2011 10:07:53
  3. Visto que a primeira parte do comentário foi enviada mas não foi publicada, repito: conheço vários defensores do deus-mercado e do Darwinismo social, e alguns deles integram o Inst.Millenium, infelizmente. No exemplo dado pelo autor,vamos supor q um assistente não esteja satisfeito em ser apenas assistente e sonhe em ser também cirurgião, mas nunca pôde fazer a faculdade e especializações necessárias para isso, pois seus rendimentos não são suficientes.

    Kalopsita


    21-02-2011 10:17:02
  4. Kalopsita, kalopsita…

    André Luis


    21-02-2011 18:08:07
  5. Bem, é tudo tão furado que nem sei por onde começar. Vamos lá. Primeiro que darwinismo social é de uma irracionalidade semântica impar. Já ouviram falar em planckerismo ou em einsteinismo? Em dawkinismo ou em gandhismo? Não né? Depois, se fossemos dar nome ao boi, teriamos de falar em spencerismo, que é o pai da criança de fato e de direito. Parei…

    André Luis


    21-02-2011 18:17:06
  6. “A única saída para o assistente seria apelar para uma bolsa de estudos, ou um ProUni, algum tipo de caridade que resolva apostar em seu potencial.”
    Quem disse que ele tem potencial? Ele acha? A mãe dele acha? Enfim, estamos falando de desejo, vontade, ele assistente deseja “subir” na vida. Potencial é ilusão. A ação do assistente de querer ser dentista não é potencial.

    André Luis


    21-02-2011 18:19:54
  7. Uma outra saída é ele formar poupança… Sabe, reservar um pouco do salário todo mês, até ter o dinheiro do curso. Criar riqueza para depois usá-la adquirindo a educação profissionalizante. Já estamos chegando lá, naquela coisinha mágica que é o mérito…

    André Luis


    21-02-2011 18:21:23
  8. “Quem mandou não nascer na família certa, com as condições certas? Dane-se seu potencial, que talvez seja até maior que o do cirurgião.”
    Marxismo puro.

    André Luis


    21-02-2011 18:22:21
  9. É por isto que os radicais conservadores brasileiros comem poeira no debate político: qualquer ideia dissonante é imediatamente rotulada pelos puristas ideológicos de marxismo, esqurdismo e outros ismos. Caro André Luis, por que o assistente não pode almejar ser um cirurgião? é ele, por acaso, desprovido do direito de desenvolver seu potencial? E mais: quem disse que ele não tem potencial? Você?

    Kalopsita


    21-02-2011 21:18:25
  10. Hahahahahaha pq senão não vai ter ninguém para limpar a sala. No dia em que os “mais aptos” entenderem o real significado da palavra trabalho, o mundo andou. Além disso,me parece que são os mesmos ” mais aptos” de definem quais são os trabalhos superiores, ou seja, para o tal cirurgião assepsia não é muito importante. Vejamos ainda o caso dos jornalistas, mega executivos, entupidos de MBA’s,mega aptos;qq blogueiro, meia boca, dá de 100 no melhor deles mas quem define aptidão é HERDEIRO.

    Cristiana Castro


    21-02-2011 22:22:48
  11. Concordo que ,ainda nos dias de hoje, a mobilidde social ainda caminha a curtos passos porém,tenho q concordar também que o acesso às instituições de ensino está cada vez mais fácil o que facilita a ascenção social.

    Ana


    23-10-2011 00:16:48
  12. Ana, o acesso ao ensino está cada vez mais fácil mesmo? E a qual ensino? Um ensino de verdade que contribui para uma visão completa da sociedade e das suas relações e assim para uma verdadeira libertação do ser humano, ou um ensino tecnicizante e mecanicista que apenas reproduz as desigualdades e aflora ainda mais o egoísmo e a tão ilusória e fria ideia do mérito, idolatrada por alguns, escravizando o ser humano em uma roda que ele não compreende e apenas segue por “tradição”?

    Thiago


    27-01-2012 12:39:39

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