A falta que ela me faz

19 de fevereiro de 2011
Autor: Ricardo Galuppo - Convidado

pequeno normal grande

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, fez ontem uma afirmação no mínimo temerária. Segundo ele, a inflação não pode ser usada como “desculpa” para se negar ao salário mínimo um aumento superior aos R$ 545 pretendidos pelo governo.

Santos talvez se lembre do tempo em que a luta por melhores salários transformava os dirigentes sindicais em líderes políticos. E não se está referindo, aqui, ao mais destacado de todos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os nomes em questão são Jair Meneguelli, Vicente Paulo da Silva, Luiz Marinho, Olívio Dutra e tantos outros que fizeram da carreira sindical o ponto de partida para trajetórias políticas bem-sucedidas.

Ou, para sair do campo da CUT, a Paulo Pereira da Silva, que acrescentou o nome da central que presidiu a seu apelido político e passou a se apresentar como Paulinho da Força (Sindical).

Todos têm em comum o fato de terem estado na linha de frente na época em que a renda do trabalhador era corroída dia após dia e apenas uma ação sindical combativa devolvia ao salário parte do poder de compra perdido para a inflação.

Sob esse ponto de vista, a inflação fazia bem à carreira dos sindicalistas. E, portanto, faz falta aos que sonham com os votos que a estabilidade levou.

Se considerarmos apenas os últimos cinco anos, veremos que, com os R$ 545, o salário mínimo terá subido 41% além da inflação nesse período. Mesmo assim, as lideranças sindicais fazem pressão por um aumento que supera as possibilidades do erário. O espantoso de tudo é o oportunismo que cerca a discussão do assunto.

Qualquer brasileiro que tenha vivido os momentos mais críticos do período inflacionário sabe que o gasto desenfreado de dinheiro público gera o déficit do qual a inflação se alimenta – e que o salário mínimo exerce forte pressão sobre esses gastos.

O governo precisa conter os gastos agora para cortar pela raiz o risco do retorno inflacionário – que seria o que de pior poderia acontecer não só para quem ganha o mínimo, mas para todo brasileiro que vive de salário.

Todos os avanços que o trabalhador obteve no período Lula foram construídos sobre o alicerce da estabilidade herdada de Fernando Henrique Cardoso. Colocar essa estabilidade em risco é a maior de todas as irresponsabilidades.

Fonte: Brasil Econômico, 17/02/2011

{lang: 'pt-BR'}

Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

    Ainda não há comentários

Nome
(Requerido)

E-mail
(Não será publicado)

Comentário:

 characters available

Por que a pergunta?



ENQUETE
  • PM oferece viagem e 15 dias de folgas a quem prender dois traficantes da da Rocinha. Na sua opinião:

    View Results