Presidência da República: candidatos

18 de junho de 2010
Autor: José Celso de Macedo Soares

pequeno normal grande

Em tempo de eleição presidencial, interessante debater quais seriam as qualidades que um cidadão deve ter para exercer tão alto cargo. Vamos a alguns pontos. Em primeiro lugar, deve possuir indiscutível capacidade de liderança. Esta liderança, que é quase qualidade nata, torna-se absolutamente necessária para que o candidato possa convencer o país que o conduzirá com mão firme. Ela é imprescindível para fazer com que o estamento burocrático siga os rumos que devem nortear seu governo. Em suma, fazer a máquina burocrática curvar-se às regras do governo. Mas, o que mais importa no que concerne à capacidade executiva do candidato, é que ele tenha sido testado em elevadas funções, principalmente nas de caráter público, sujeitas à crítica e ao exame permanente da opinião pública. Um candidato que tenha sido bom ministro, bom governador, tem todas as chances de sair-se bem de sua tarefa. É preciso, antes de tudo, que o candidato entenda que vai presidir a  Nação. Candidato que já tenha exercido alto cargo público saberá escolher boa equipe para poder delegar. Ao Presidente cabe decidir. Aos auxiliares executar.

Vou a outro ponto de grande transcendência: o candidato deve ter formação cultural e humanista de grande respeito às leis e a Constituição do país. Sua formação deve ser absolutamente reta neste particular. Deve estar plenamente convencido de que o respeito aos direitos dos cidadãos, devidamente codificados nas leis, constitui garantia básica  da paz em uma nação.Ainda hoje tenho gravada em minha memória a frase de Benito Juarez, líder mexicano, esculpida em seu monumento: “A paz é o respeito ao direito alheio”. No culto às leis é que se fundam, acima de tudo, as qualidades de um candidato à Presidência da República. Quem deseja exercer a função suprema deve estar imbuído do sacerdócio das leis; ser dela servo e não senhor. Por último, mas não menos importante, não se pode, em momento algum, duvidar da honestidade do candidato no trato do dinheiro público, usando-o para obter vantagens políticas ou pecuniárias.

Acrescento algumas observações. No Brasil, e com razão, para exercer qualquer cargo público permanente,  a lei exige que o candidato tenha requisitos provados em concurso ou em exames prévios de cursos ou funções efetuados anteriormente e compatíveis com o cargo que deseja. Isto vale até para simples garis. No entanto, dos candidatos à Presidência da República, daqueles que receberão o poder de conduzir e ditar os rumos da política externa e da política nacional, daqueles cujas decisões afetarão a vida dos concidadãos durante várias gerações, não se exige nada, neste particular, antes de assumir a função. O candidato não tem que ser cientista político, não precisa ter estudado relações internacionais, história em geral, principalmente do Brasil, gestão de recursos ou nenhum outro campo do conhecimento que tenha utilidade na governança de um país moderno. Precisa apenas comportar-se convincentemente em comícios públicos e na televisão e, evitar discutir assuntos polêmicos que possam comprometer sua eleição.E ter também habilidade em levantar fundos necessários para custear a campanha…

Resumindo: liderança, formação cultural, capacidade executiva, respeito sagrado às leis e, principalmente, honestidade pessoal e pública, são requisitos indispensáveis que o candidato tem que apresentar aos eleitores.

Tendo em vista que já tempos candidatos, deixo aos leitores estas ponderações. Não se deixem influenciar por apoios ou indicações de quem quer que seja, especialmente de Presidente da República que está deixando o cargo. O que ele quer é continuar usufruindo das benesses do poder através de seu indicado.

Terminando, deixo  aos leitores, para que as lembrem na hora de votar, estas sábias palavras de Abraham Lincoln: “Nenhum homem é bom o bastante para governar os outros sem seu consentimento”.

{lang: 'pt-BR'}
TAGS -

Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Prezado José Celso de Macedo Soares

    “Candidatos”

    Muito oportuno, afinal estamos proximos a data das Eleições; porem em seu artigo no paragrafo (Resumindo:…), deixa claro o sombrio cenario de que as atuais alternativas de candidatos ao cargo de Presidente da Republica não se enquadram em nenhum dos requisitos sugeridos!

    Jose Paulo de Macedo Soares Junior


    30-06-2010 13:33:52

Nome
(Requerido)

E-mail
(Não será publicado)

Comentário:

 characters available

Por que a pergunta?



ENQUETE
  • Qual é a sua opinião sobre a privatização dos aeroportos?

    View Results