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Preços dos combustíveis

Em setembro, os preços dos contratos futuros do petróleo Brent e do WTI com vencimento no mês seguinte apresentaram comportamentos distintos em relação ao preço médio do combustível em agosto.

O petróleo WTI encerrou o mês a um preço médio de US$ 75,35 o barril, representando uma queda de 2,3% em relação ao preço médio do mês anterior.

Já os contratos do petróleo Brent fecharam setembro com preço médio de US$ 78,18 o barril, computando um crescimento de 1,1% frente ao preço médio de agosto.

Em seu último relatório mensal, a International Energy Agency (IEA) manteve suas estimativas para a demanda por petróleo em 2010 e 2011, avaliadas em 86,6 milhões barril por dia e 87,9 milhões de barris por dia, respectivamente. Sugeriu um incremento de 1,9 milhões de barris por dia para este ano em relação à demanda de 2009, e de 1,3 milhões de barris por dia para 2011.

Em relação à oferta, a agência informou que o suprimento mundial foi reduzido para 86,8 milhões de barris por dia em agosto, representando uma redução de aproximadamente 250 mil barris por dia em relação ao mês anterior.

Na projeção de suprimento pelos países não membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), a IEA identifica que, mesmo com uma possível redução na produção do Golfo do México, a oferta total desses países alcançará 52,6 milhões de barris por dia em 2010 e 52,9 milhões em 2011. 

O relatório mensal da Opep também manteve suas previsões para a demanda em 2010 e 2011. O impulso ao crescimento novamente é dominado por países não membros da OCDE.

Em relação à oferta, espera-se que os países não membros da Opep incrementem-na em 900 mil barris por dia em 2010, e em 400 mil barris por dia em 2011. Para a Opep o atual nível dos estoques nos países da OCDE pressionará os mercados, deixando-os pouco aquecidos.

Em setembro, os preços no Brasil, em dólares, dos combustíveis automotivos permaneceram acima dos praticados no mercado internacional.

O preço de venda do diesel nas refinarias da Petrobras ficou em média, com base no critério da paridade de importação, 18,9%% acima dos preços do combustível vendido no Golfo do México.

O preço da gasolina nas refinarias nacionais, por sua vez, com base na paridade de exportação, esteve 18,4%% acima do praticado no Golfo.

O custo de oportunidade da Petrobras se refere ao saldo líquido acumulado decorrente da diferença entre os preços praticados pela Petrobras no mercado interno e os preços internacionais da gasolina e do diesel.

A manutenção dos preços da gasolina e do diesel acima dos praticados no mercado internacional desde o final de 2008 tem permitido à Petrobras reverter o saldo negativo acumulado decorrente da diferença negativa entre os preços praticados pela empresa no mercado interno e os preços internacionais desses combustíveis desde meados de 2004.

Dessa forma, de outubro de 2008 a setembro de 2010, ela acumulou um saldo líquido positivo em torno de R$ 25 bilhões. Ou seja, uma outra capitalização financiada pelos consumidores de gasolina e diesel.

Fonte: Jornal “Brasil econômico” – 07/10/10

Sobre Adriano Pires

Adriano Pires
Adriano Pires é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor fundador do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). Publica artigos sobre energia elétrica, petróleo e gás natural no jornal “Valor Econômico” e nas revistas “Conjuntura Econômica”, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e “Brasil Energia”. Escreve também no site do Instituto Liberal e possui blog no portal "oglobo.com". Foi assessor do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e superintendente da ANP nas áreas de importação, exportação e abastecimento. Pires é economista e mestre em planejamento estratégico pela UFRJ e doutor em economia industrial pela Universidade Paris XIII (França).

Um comentário

  1. Cheguei de uma viagem dos EUA onde, costumeiramente, vou visitar meus filhos. A gasolina lá, de melhor qualidade, é mais em conta do que a nossa aqui, de pior qualidade. Nós produzimos quase tudo o que consumimos. Eles não. Acho que a Petrobrás tinha mesmo que ser ‘estatizada’.

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