Papa por la libre
janeiro 17th, 2010 by Yoani SánchezfecharAutor: Yoani Sánchez
Nome: Yoani SánchezAcerca: Yoani Sánchez estudou durante dois cursos no Instituto Pedagógico a especialidade de Espanhol-Literatura. No ano de 1995, mudou-se para a Faculdade de Artes e Letras – com um filho nascido em agosto deste mesmo ano e terminou, depois de cinco cursos, a especialidade de Filologia Hispanica.
Se especializou em literatura latinoamericana contemporanea e apresentou uma incendiária tese intitulada “Palavras sob pressão. Um estudo sobre a literatura da ditadura na america latina”. Ao terminar a universidade compreendeu duas coisas: a primeira, que o mundo da intelectualidade e da alta cultura a repugnava e a mais dolorosa, que já não queria ser linguista.
Em setembro de 2000 foi trabalhar numa obscura oficina da Editorial Gente Nueva, enquanto chegava a certeza – compartilhado pela maioria dos cubanos – de que com o salário ganho legalmente não poderia manter sua família. De maneira que, sem concluir meu serviço social, pediu baixa e dedicou-se ao trabalho melhor remunerado de professora de espanhol – freelancer – para alguns turistas alemães que visitavam La Habana. Era a etapa (prolongada até os dias de hoje) em que os engenheiros preferiam dirigir um taxi, os maestros faziam o impossível para trabalhar no arquivo de um hotel e nos balcões de uma loja poderias ser atendido por uma neurocirurgiã ou um físico nuclear.
Em 2002 o desencanto e a asfixia econômica a levaram a emigrar para a Suiça, de onde regressou – por motivos familiares e contra a opinião de amigos e conhecidos – no verão de 2004.
Nesses anos descubriu a profissão que a acompanha até hoje: a informática. Se deu conta que o código binário era mais transparente que a rebuscada intelectualidade e que se nunca havia ido bem no Latim, ao menos poderia empreender com as compridas cadeias da linguagem html. Em 2004 fundou com um grupo de cubanos – todos radicados na Ilha – a revista de reflexão e debate Consenso. Três anos depois continua trabalhando como web master, articulista e editora do portal Desde Cuba.
Em abril de 2007 se enredou na aventura de ter um Blog chamado “Generación Y” que definiu como “um exercício de covardia”, pois a permite dizer neste espaço o que está vedado em sua ação cívica.
Vive em La Habana, com o jornalista Reinaldo Escobar – com quem divide a vida há quase quinze anos.Ver os posts do autor (156)

El año en que nací se celebró el primer congreso del Partido Comunista de Cuba y la centralización del comercio y los servicios era casi absoluta. Sólo se podía adquirir -fuera del mercado racionado- algunos libros, los periódicos y los tickets para el cine. El resto de los productos y prestaciones estaba bajo el austero signo de lo restringido, encerrado en la cuota subvencionada que recibíamos cada mes. Incluso para adquirir una cuchilla de afeitar se debía presentar la cartilla en la que una vendedora marcaba el número correspondiente a las afiladas hojas.
Con la comida pasaba algo similar y especialmente con los frutos de nuestros fértiles campos, que se distribuían en cantidades limitadas a cada consumidor. Era la papa uno de los más controlados por el ojo estatal. Durante toda mi vida, ese sabroso tubérculo estuvo exclusivamente en las tarimas de los mercados racionados; llegaba cada tres o cuatro meses para hacernos el honor de su presencia y de su sabor. Yo soñaba con purés untados de mantequilla y con papitas fritas que sobresalían del plato. Llegué a pensar que su suave textura se cosechaba en las remotas praderas siberianas y no en los surcos de mi propio país.
Los campesinos privados estaban obligados a venderles su producción de papas al estado, que penalizaba con fuerza a quienes violaban tan estricta norma. De manera que nos acostumbramos a verlas aparecer en nuestros platos pocas veces al año y guardarlas en nuestras fantasías culinarias. Así fue hasta que hace algunas semanas el gobierno de Raúl Castro decidió liberalizar su venta y sacarlas del cada vez más agotado mercado racionado. Ya no es necesario mostrar un documento para poder comprar un kilo de papas, pero ahora nos hace falta que regresen, que podamos ponerlas en nuestras bolsas y llevarlas a casa.
(Publicado em Generación Y)
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