O Islã, o Irã, Israel e o Brasil

1 de abril de 2010
Autor: Eduardo Szazi

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Na teoria legal islâmica clássica (Shari´a), o mundo é dividido em dois lados: o dar-al-Islam, ou o território do Islã, e o resto do mundo, o dar al-harb, ou território da guerra. Essa teoria – que obriga todo muçulmano independente de onde resida – propõe que deve ser trazido para o domínio do Islã todo o território que compõe o dar-al-harb, o que se dá por meio da jihad, ou guerra santa. De acordo com o Alcorão, todo muçulmano que participar da jihad terá direito a uma parcela do espólio dos vencidos ou, se morrer na batalha, irá para o Paraíso. O Islã não é, portanto, apenas uma religião, mas uma comunidade política.

Embora muitos sustentem que a Shari’a sofreu profundas modificações depois da divisão do Islã em estados independentes, em movimento iniciado pela Turquia no século 19, é fato que muitos países islâmicos contemporâneos são incapazes de dissociar religião do Estado. Um deles é o Irã, que surpreendentemente vem recebendo o apoio do Brasil no âmbito internacional.

O Irã é um país muçulmano de tradição xiita. Para os xiitas, o Imã, o supremo líder religioso, é uma pessoa escolhida por Deus por conta de suas superiores qualidades, sendo, portanto, sem pecado, infalível e perfeito. Atualmente, o Imã é o Aiatolá Khamenei que, seguindo os desígnios de Deus, declarou Ahmadinejad o presidente eleito do Irã, antes mesmo que os votos fossem contados, em claro desrespeito às regras democráticas e à vontade do povo iraniano que tinha ido às urnas.

Quando o presidente Lula comparou os protestos ao choro de torcedores de time que perdeu a partida, desrespeitou o sistema que lhe deu o direito de disputar cinco vezes a presidência da república. Também, ao apoiar um regime que pretende varrer Israel do mapa, como declarado por Ahmadinejad em conferência internacional em 2005, e que põe em dúvida a existência do Holocausto, como tantas vezes afirmado, o governo Lula rasga a Constituição Brasileira, pois desrespeita os princípios que regem nossas relações internacionais.

Como podem ser pacíficas as intenções de uso de energia atômica em um país como o Irã, cujo governo é escolhido pela ‘voz de Deus’, em desrespeito à vontade de seu próprio povo, e que quer empreender uma verdadeira guerra santa contra o povo de um país vizinho, exterminando-o?

A aspiração brasileira a uma posição mais proeminente no cenário internacional é justa. Todavia, só será legítima se reafirmar os valores constitucionais de nosso país, uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.

Não podemos apoiar a quem desrespeita nossos valores. Definitivamente, o conflito do Oriente Médio não se resolve com uma ‘negociação sindical’. A ingenuidade sempre pagou um alto preço ao longo da história. Não podemos apoiar o Irã; afinal, para Khamenei e Ahmadinejad, também somos ‘infiéis’.

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Eduardo Szazi conseguiu, em poucas linhas, definir com clareza e bom senso o complicado relacionamento Islã/Irã/Israel/brasil.

    Marcello Averbug


    01-04-2010 12:26:34
  2. E são eles que estão atacando o mundo?.Valha-me Deus.Porque voces não param de mentir?.

    luiz mendonça


    01-04-2010 19:12:40
  3. e não são?

    David


    01-04-2010 22:55:03
  4. Não entendi onde Lula desrespeitou a Constituição.

    Cristiana Castro


    02-04-2010 18:56:48
  5. Escrevi um comentário a este artigo e até o presente momento não postaram. O que foi? Gostaria de receber satisfações a respeito, afinal de contas vivemos em uma democracia e um dos valores do Instituto Millenium é a democracia, ou seja, a convivência saudável entre opostos. Aguardo o posicionamento sobre o assunto. Atenciosamente,

    Fabio Sosa

    Fabio Cardoso da Silveira e Sosa


    06-04-2010 00:21:02
  6. Fabio, ao inves de reclamar, posta seu comentario de novo. Aqui, so apagaram meus comentarios quando tinha palavras ofensivas, mas em outros sites basta ser contra a “ideologia” hegemonica que a gente é bloqueado…

    PEDRO


    06-04-2010 09:15:28
  7. Fabio, o posicionamento que você pediu: não há nenhum comentário seu retido aqui, e nenhum comentário seu foi deletado.

    Administrador


    06-04-2010 21:08:41
  8. Para que se saiba.
    Na prática a última coisa que maomé fez no islam foi assassinar o próprio allah.
    Disse que o allah não mais falaria e que ficava sem espírito.
    Mas antes, e no islam, maomé tirou o filho a allah e castrou-o para que nem descendência pudesse deixar.
    maomé também antes, assassinou a familia de allah, os amigos e todas as entidades espirituais boas,anjos, arcanjos, santos e outras.
    Pior ainda. No islam as coisas são cada vez piores.
    No islam, maomé só deixou satan à solta.
    No islam, satan é a única entidade espiritual activa e que sussurra aos maometanos.
    Os maometanos eruditos podem confirmar isto.
    Dão é depois voltas e mais voltas a justificar.
    Prova que o islam é muito hábil a enganar os próprios e a tentar enganar os outros.
    Pode-se dizer que isto acontece no mundo imaginário ou simbólico, mas é este mundo que controla o maometismo.
    Estas verdades dão uma ideia da intolerância que existe nessa doutrina.
    Para maomé um allah vivo ou qualquer entidade espiritual boa viva, seriam os maiores perigos ao seu poder.
    Nem o próprio allah maometano podia escapar com vida às suas mãos.
    Só fora do islam o bem(bom-senso/razão) e o Bom Deus podem existir, estarem vivos e manifestarem-se no mundo e nas pessoas.

    Sa


    11-04-2010 21:51:57

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