9 de abril de 2010
Autor: Claudio Mafra
A Dora Kramer – que escreve maravilhosamente – criticou o Congresso atual, fazendo apologia do comportamento dos congressistas que derrubaram Collor. Comparou os de agora com os tais formidáveis do passado. Não dá para acreditar que a Dora, até hoje, não tenha compreendido o episódio do impeachment. Aquilo foi um horroroso golpe branco. Foi feito à revelia da Constituição. Uma barbaridade. Collor caiu pela simples razão de que não queria dividir a roubalheira com os outros. Tudo era para ele e seu grupo. Então, os maiores canalhas desse país se reuniram e, aos pontapés na lei, o tiraram do poder. Essa turma era composta por famosas ratazanas, entre elas Jader Barbalho e Orestes Quércia. Mais tarde, o presidente da Câmara, homem que presidiu o inquérito, Ibsen Pinheiro, foi cassado, apanhado com a boca na botija roubando no episódio dos Anões do Orçamento. O que me espantou foi a falta de reação de Collor, que ficou parado, inerte, sem esboçar nenhuma defesa. Ele poderia ter usado a Polícia Federal, a Receita, um monte de recursos estava à sua disposição, mas ficou quietinho. Alguma coisa errada em sua psique (maníaco-depressivo?). Eu tenho um amigo que foi o responsável pelo inquérito na LBA, investigando a Rosane Collor. Ele não recebeu nenhuma pressão vinda da presidência, nenhum telefonema, nenhum recado, nada. Collor se comportou como se o impeachment não fosse com ele. Um suicida. Agora, há relativamente pouco tempo, fez um discurso no Senado, que durou quatro horas, e contou tudo o que aconteceu. Todos os senadores ouviram de boca aberta, sem discordar. Até o Mercadante, líder do governo, teve a maior dificuldade para balbuciar alguma coisa. Aliás, não defendeu a deposição, não conseguiu falar nada, apenas disse que não poderia concordar com Collor. Só isso. Não tinha argumentos.
Na época, chegamos ao cúmulo do ridículo. Os adolescentes de cara pintada, traduzindo a desinformação da população indignada, faziam sua festa pelas ruas. Os congressistas, apoiados pelos jornais, disseram que havíamos dado uma lição de democracia ao mundo! Batemos todos os recordes de jequismo e patriotada. Enquanto rolava o inquérito eu estive com o advogado de Collor, o brilhante José Guilherme Vilela. Ele estava mortificado com as sacanagens que o Congresso fazia, atropelando todos os prazos. Procedimentos que constitucionalmente deveriam durar 2 meses eram executados em 48 horas. Um espanto.
Muito tempo depois, fiz a primeira entrevista pós-impeachment com Collor. Foi lá, na famosa casa da Dinda. Quase apanhei de meus colegas em Brasília que achavam que ele deveria ser tratado como um leproso, e que entrevistá-lo era prestigiá-lo. De uma hora para outra, Collor passou a ser o único ladrão brasileiro.
Vou colocar nesse espaço apenas duas perguntas, de um encontro que durou duas horas:
ESTADO: Presidente, de qualquer forma está presente para a população que o deputado Ibsen Pinheiro teve um papel de relevância em um determinado momento histórico. Talvez não estivesse habilitado moralmente a conduzir o impeachment de um presidente da República.
COLLOR: Isso é o que agrava ainda mais a situação. Exatamente esse fato, porque o povo hoje sente-se enganado. A juventude brasileira, aqueles que pintaram as suas faces para promover uma manifestação contra o meu governo, foi induzida em erro, e exatamente por aqueles que hoje estão acossados, não somente por denúncias, mas por provas de que existiu alguma coisa mais entre a presidência da Câmara e a comissão de Orçamento que a nossa vã filosofia poderia supor. Então a população, ao se sentir ludibriada, pede e espera uma palavra e uma explicação desses que conduziram todo esse processo de linchamento moral a que fui submetido. Aquele movimento acaba de ser desmascarado diante da opinião pública. Em algum momento aas pessoas podem refletir naquilo que vai em seu íntimo: “Puxa! Mas é esse pessoal que cassou o Collor?”
ESTADO: Sobre o senhor se diz que o seu comportamento nos últimos dias de governo, seu isolamento, e a atitude olímpica que manteve na adversidade não foram simplesmente fortaleza de caráter, mas distúrbio psíquico.
COLLOR: Olhe, eu acho que ultrapassar a prova a que eu fui submetido – sem registro na história política desse país – é uma demonstração de que, graças a Deus, eu consegui manter a minha estabilidade emocional, e sem cometer nenhum desatino, seja em relação às instituições e a vida nacional, seja em relação à minha vida pessoal. Eu acho que a melhor resposta é o fato de nós hoje estarmos aqui, conversando, passada, vencida, essa enorme refrega, já ultrapassado grande parte desse calvário a que fui submetido
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Agora está mais do que explicado porque Baradei mentiu e embromou durante 12 anos à frente da Agência Internacional de Energia Atômica. Sempre salvou a cara do Iran e, ao invés de ser um técnico, praticava “diplomacia” contra os Estados Unidos. Ele simplesmente tinha ambições políticas em seu país. Quer ser presidente do Egito! Isso mesmo. O calhorda, que ganhou o premio Nobel, é um herói em seu país, e se conseguir ser candidato pode ganhar as eleições. Tudo depende do ditador Mubarak permitir. Não foi gratuito o modo como eu me referia a ele: “o egípcio El Baradei”. Esse “egípcio” já falava tudo sobre sua conduta na questão iraniana.
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E Putin, que já vendeu 4 bilhões de dólares em armas para a Venezuela, vai vender mais 5 bilhões. Os novos negócios incluem tanques T-72, e mísseis S-300. Anteriormente, Chávez já havia comprado caças Sukhoi e 100 mil rifles Kalashnikov. Desse jeito o Brasil tem mesmo que se armar. Não é brincadeira uma Venezuela poderosa, e nós com equipamentos caindo aos pedaços. Vai ser humilhante se, de uma hora para a outra, Chávez começar a falar grosso conosco, justamente porque estamos fracos. Não se esqueçam que Serra pode ganhar (será?), o que mudaria o nosso relacionamento com o bufão. Não vai ser engraçado ver um Serra encolhido, e a Venezuela fazendo e acontecendo na América Latina. Não se iludam, isso pode acontecer.
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As eternas mentiras das manchetes nos jornais. Essa é do “O Globo”: “Trabalhadores de 15 e 28 anos mataram líder de ultradireita sul-africano por falta de pagamento”. Gostei desse “trabalhadores” – (tovarichs). Lá dentro do jornal a matéria: “Trabalhadores de 15 e 28 anos mataram líder de ultradireita sul-africano por falta de pagamento, diz a mãe do menino.” Ah, foi a mamãe quem disse “por falta de pagamento”. Esqueceram de colocar na manchete. Muito bem. É claro que é mentira. O líder dos boers, Eugene Terre’blanche, que estava tentando o impossível, isto é, criar um minúsculo território de brancos dentro da África do Sul, não seria estúpido de fazer isso. Por que eu fui me meter em um assunto tão distante? Minha nora é boer. Atenção: fui avisado por um amigo (e por uma leitora) que esse parágrafo me apresenta como racista. O que eu estou tentando mostrar é a desonestidade da imprensa, com manchetes que não correspondem ao texto. Esse é apenas mais um exemplo (porque achei engraçado, é a mãe do sujeito), mas para quem não leu outros artigos, dá margem para um mal entendido. Fica essa espécie de retificação.
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E a revista “Veja” disse que o ministro Hélio Costa comprou um apartamento triplex em Belo Horizonte por seis milhões de reais! Dura Lex Sed Lex, meu apartamento só Triplex! Nossa! Claro que é mentira da “Veja”! Como é que o Hélio conseguiria tanto dinheiro? Eu me lembro dele como repórter da TV Globo. Depois virou político. A única vez que li alguma coisa sobre sua gestão no Ministério das Comunicações foi quando ele estava tentando nos convencer de que seria bom para o Brasil um negócio que ninguém queria no mundo. Algo ligado às transmissões de televisão. O mundo inteiro errado, e ele muito certo, ao lado dos vendedores do “melhor equipamento”. Papagaio!
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E os velhinhos da International Board da FIFA, os caras mais sábios do mundo, proibiram o véu nas competições de mulheres, e o Irã foi retirado do torneio da Olimpíada da Juventude a ser disputada em Cingapura, em agosto. É a regra 4, que diz que “o equipamento básico obrigatório não deve conter nenhuma mensagem política religiosa ou pessoal”. Esses velhinhos são realmente o máximo. Só de vez em quando, de 50 em 50 anos, eles admitem uma pequena mudança nas regras do futebol. Resistem a todas as modernidades. Nada de câmeras, feito no rugby, futebol americano, cricket, e outros esportes. O erro do juiz faz parte da emoção do futebol. Isso mesmo! Nesse mundo cada vez mais louco esses velhinhos são um oásis de sanidade. Veja só se iriam se incomodar com esse negócio de respeito por cultura muçulmana e o escambau. Não querem nem saber. Só interessa o Football Association. Vivem em um santuário, feito monges budistas. E o presidente da FIFA é mais importante do que a grande maioria dos líderes mundiais. Aonde quer que ele vá, em todos os países aonde se pratica o futebol, é muito mais paparicado do que o presidente do Senegal.
Estou começando a achar que o Messi é igual ao Pelé e Maradona.
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E o ministro Celso Amorim não para de nos presentear com suas burrices sesquipedais. Agora ele disse a respeito do Conselho de Segurança da ONU: “Acho que há uma assimetria inadequada no fato de que os membros permanentes do Conselho de Segurança serem reconhecidas potências nucleares”. Inacreditável. É isso mesmo, Amora! Eles são do Conselho justamente porque são potências nucleares! Está certo. Os cinco são as maiores potências militares do planeta. É assim que funciona. É uma questão de poder, e não de bom comportamento, ou ser um país muito grande, ou o rei dos emergentes, nada disso. E, afinal de contas, o esquema não é ruím. O poder de veto desses gigantes já foi responsável por muita atitude sensata. Quando o Itamaraty (Amora e Samuca) começou com esse negócio de insistir em querer sentar a bunda no Conselho de Segurança Permanente da ONU parecia que era alguma coisa para negociação. Pedir o impossível para conseguir o possível. (Humm… Provavelmente a Diretoria Financeira? Humm… o Kofi Anan ficou milionário na Secretaria Geral… ). Nada disso. São medíocres mesmo. É possivel que a Dilma, atendendo a uma ordem do Lula, mantenha o Amora no cargo. E outra coisa: vai ser interessante o Lulalá não deixar a Dilma concorrer para um segundo mandato. Aliás, qualquer que seja o ganhador das eleições vai ser presidente de um só mandato. Lula não vai voltar em 2014?
Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.