26 de julho de 2009
Autor: Mario Vargas Llosa
Despertar um presidente constitucionalmente eleito à força de baionetas e enviá-lo para o exílio sem lhe dar nem tempo para tirar o pijama, como os militares hondurenhos fizeram com Manuel Zelaya há duas semanas, é um ato de barbárie política. Foi certa a enérgica condenação desse abuso pelas Nações Unidas, pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela maioria dos países do mundo todo.
Muito bem, estabelecido este princípio, de que a interrupção da democracia por uma ação militar não se justifica nunca, é preciso analisar esse incidente mais a fundo e com prudência, porque, nesse golpe de Estado, a fronteira entre a verdade e a mentira é mais escorregadia do que uma enguia.
Talvez mais do que o próprio ato do assalto à residência do chefe de Estado hondurenho, deve-se condenar os militares e os juízes que deram a ordem para isso e, com esse abuso, transformaram numa vítima da democracia e quase em herói da liberdade um demagogo irresponsável como Manuel Zelaya que, em flagrante violação da Constituição que jurou respeitar, pretendia realizar um referendo para se fazer reeleger, uma pretensão condenada pela Corte Suprema e pelo Ministério Público do país.
E por causa disso, o Congresso hondurenho iniciara um processo para destitui-lo da presidência. Esse era o procedimento legítimo em defesa da democracia, e foi freado e descaracterizado pela ação militar, no que pareceu uma confusão digna de um manicômio.
A tal ponto que nada menos que o comandante Hugo Chávez, o comandante Daniel Ortega, Evo Morales e até Raúl Castro apareceram rapidamente em cena, liderando um protesto continental em defesa da lei e da democracia, exigindo sanções contra Honduras e convocando uma reunião da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) à qual o desorientado secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, deu, com sua presença, uma aura de legitimidade.
O fato de Chávez, grande desestabilizador da democracia latino-americana, ex-golpista e um megalômano que transformou a Venezuela numa pequena satrapia particular, aspirando fazer o mesmo com o restante da América Latina, arrogar-se do papel de defensor do estado de direito hondurenho, foge ao senso comum e à racionalidade. Além disso, um outro fato ficou evidente: alguma coisa já estava corrompida antes desse golpe. Na verdade, quando ocorreu a intervenção militar, Honduras estava prestes a cair, depois da Bolívia, Nicarágua e Equador, na órbita de influência de Hugo Chávez. Manuel Zelaya era a última conquista do caudilho venezuelano, que o havia subornado, da mesma maneira que fez com outros vassalos da região, vendendo o seu petróleo mais barato e oferecendo créditos generosos. E, sobretudo, apoiando sua ânsia por uma reeleição. Nem ignorante, tampouco um indolente, Manuel Zelaya, figura destacada da oligarquia rural hondurenha, ligado no passado a matanças de camponeses, e eleito presidente como candidato do Partido Liberal, de centro-direita, que tinha um programa de apoio ao investimento externo e à empresa privada, prometendo acabar com a delinquência, aos poucos foi se convertendo às teses populistas e revolucionárias (ou seja, chavistas). Honduras ingressou na Alba, e ele começou a preparar sua permanência indefinida no cargo, por meio de uma reforma constitucional, como foi feito por Chávez e seus discípulos, ou seja, a escória política da América Latina.
Mas, diferentemente do que ocorrem em países como Equador, Bolívia ou Nicarágua (na outra ponta do espectro político, a Colômbia de Uribe, um mandatário democrata que, por desgraça, aderiu também ao sinistro esporte da reeleição), onde os presidentes candidatos à reeleição contavam com uma base popular que apoiava seus projetos, em Honduras as pretensões de Zelaya desde o princípio não tiveram apoio e foram rechaçadas em todo o espectro político. Todas as instituições resistiram à sua tentativa, a Corte Suprema, o Tribunal de Justiça, o Tribunal Eleitoral, todos os partidos democráticos (a começar pelo seu próprio, o Liberal), o Ministério Público do país e a opinião pública em geral. Não foi somente uma rejeição da transformação ideológica do volúvel mandatário, mas também uma clara tomada de posição da população hondurenha contra a perspectiva de tornar-se um país dependente de Chávez , quer dizer, uma pequena ditadura populista transformada em feudo do caudilho venezuelano.
É nesse contexto que se deve julgar a situação em Honduras. Não se trata de justificar uma ação militar ignóbil, que só serviu para desacreditar algumas instituições e o povo, que resistiram corajosamente a objetivos claramente antidemocráticos de um mandatário sem princípios. Mas não devemos incorrer, acreditando ser uma defesa da democracia, numa operação que pode acabar legitimando os planos inconstitucionais, de reeleição e entrega de Honduras ao poder chavista de Manuel Zelaya.
O que pode ser feito para reconstituir a democracia hondurenha abalada? O ideal seria recolocar Zelaya na presidência, desde que renuncie ao seus planos de reeleição, e garantir que as eleições de novembro sejam realizada de maneira correta e sob vigilância das Nações Unidas. Mas isso parece difícil neste momento, já que a situação estão tão deteriorada, como ficou flagrante em 5 de julho, quando a fracassada tentativa do presidente deposto de retornar a Tegucigalpa, provocou violentos incidentes, com muitas pessoas feridas.
Honduras retirou-se da Organização dos Estados Americanos, o que não deve surpreender ninguém, dada a inutilidade dessa instituição que, além do mais, tem a nefasta característica de tornar também inúteis seus secretários-gerais, incluindo aqueles que, como José Miguel Insulza, pareciam mais sagazes do que os outros, de maneira que a OEA, quanto menos intervir tanto melhor. A mediação do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, Premio Nobel da Paz, é uma boa ideia: é um estadista respeitado e respeitável, bom negociador e um autêntico democrata.
Por outro lado, é preciso evitar de qualquer maneira que essa tensão existente se degrade num derramamento de sangue. Chávez ameaçou com uma intervenção militar, em que provavelmente levaria consigo a Nicarágua de Daniel Ortega, que o governo hondurenho acusou de mobilizar tropas na fronteira com Honduras. Com certeza, não há um modo de comprovar se são verdadeiras as notícias de que a fronteira já vinha sendo atravessada por comandos venezuelanos e cubanos, como foi denunciado pela imprensa hondurenha, ou apenas campanha de propaganda em defesa do governo de Roberto Micheletti. Mas, diante dos antecedentes e do contexto político da América Central, elas também não podem ser descartadas. A situação instável e precária de Honduras, agora exposta à opinião pública internacional, é propícia a uma insurreição teleguiada de Caracas.
Talvez esses riscos possam ser afastados antecipando as eleições presidenciais marcadas para novembro. Esse escrutínio teria de ser realizado o mais breve possível, o que será viável se a comunidade internacional colaborar com a infraestrutura eleitoral, sob a responsabilidade e supervisão das Nações Unidas, com observadores internacionais da União Europeia e organizações políticas e de direitos humanos, como o Centro Carter, Anistia Internacional e Americas Watch. Não vejo outra maneira mais rápida de reconstruir o estado de direito e acabar com essa situação anômala que vive Honduras por culpa dos militares que tomaram a presidência do país e das manobras astutas de Manuel Zelaya e o seu guru ideológico, Hugo Chávez.
Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
Ao menos o autor, especialista deste Instituto Milênio, concorda que se trata de um GOLPE, o que não se ver em textos de outros autores deste IM, que, zelosamente, defendem se tratar de “contra-golpe” constitucional, ainda que revirando estômago e mente para tentar emplacar essa visão, despojadamente anti-democrática e contraditoriamente falsa.
Ainda assim, mesmo opondo-se aos demais especialistas do IM, o autor mantém a linha-mestra do pensamento reinante na elite direitista: a opção governamental pelos pobres, com ou sem apoio popular, é uma mudança inaceitável e terrorista, pois todo e qualquer governo democrático tem a orbigação de manter o status quo, mantendo os priviléfios da elite local. Fora disso, não há que se falar em DEMOCRACIA.
VIVA A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA!
Gerson Alves de Souza
Mas, havia mesmo um processo de empeachment em curso ? Eu não vi noticiado, e, pelo contrário, o Diogo Mainard disse na TV que não existe essa figura na Constituição hondurenha. Acreditando-se nas boas informações de Llosa, podemos supor que se o processo foi interrompido deve ter sido porque “quando ocorreu a intervenção militar, Honduras estava prestes a cair”, que são as palavras dele próprio. Llosa condena a pressa mas ao mesmo tempo diz que o país estava indo para o buraco naquele exato momento. O fundamental nessa história é que os militares só agiram porque os civis responsaveis pela observância da Lei solicitaram. Zelaya jogou a constituição no lixo e achou que ia ficar por isso mesmo.
claudio mafra
Gérson, falando em “visão contraditoriamente falsa”, me responda: e quem defende a revolução bolivariana e a DEMOCRACIA ao mesmo tempo, tem qual tipo de visão? Ou vai me dizer que os países que aderem ao bolivarismo prezam pela democracia? Ah, faça-me o favor…
Cristina Camargo
Gerson, amado, leitura pro final de domingo : http://www.honduras.net/honduras_constitution2.html e http://www.elheraldo.hn/ .
Ah não se esqueça não me chamo nem Mirela , nem Cristina.
Viva ao bravo povo de Honduras !
Beijosmeliga !
A carioca
“e quem defende a revolução bolivariana e DEMOCRACIA ao mesmo tempo, tem qual tipo de visão?”
De minha parte, Cristina, a visão de que as coisas devem ser decididas no ambiente democrático. E sinto muito se a população votar a favor de decisões que contrariam as premissas do IM.
Bruno
Pelo amor de Deus até aqui, estamos sendo patrulhados. Vão dar opinião no site do, franklim Martins. Não houve golpe, o que houve foi realizado foi as forças armadas mantendo em ordem o princípio do Direito que é a constituição, daquele país.
FORA PETRALHAS!!!!!
Ivair Duarte
“Não houve golpe”
Meu Deus!! Que espécie de gente é essa?
Bruno
Cara Cristina,
O conceito de DEMOCRACIA, eis aí a fonte de nossa divergência.
Para mim, a palavra democracia, com seus efeitos no mundo político, corresponde, como nos diz sua origem etimológica, ao governo do POVO, ou à VONTADE POPULAR. Para vcs, é governo da liderança do povo, ou seja, da ELITE, mas, desde que o governo representativo não exclua os privilégios dessa liderança (perdão de dívidas empresarias, incentivos agrícolas sazonais, investimento em infraestrutura/empreiteiras, incentivos fiscais setoriais, etc). Sempre foi assim, Cristina, e sempre será.
Vamos fazer uma singela brincadeira: suponhamos que o povo de um determinado país, por exemplo Brasil, eleja, numa determinada eleição isenta e legítima, a grande maioria de políticos comunistas, incluindo Presidente da República, 3/5 do congresso nacional e 3/5 de todas as assembleias e câmaras legislativas estaduais e municipais. (Não se turbe o vosso coração, é apenas um leve e despretensioso exercício hipotético). Pois bem, com toda essa ampla maioria, seria possível, a partir da constituição vigente, propor-se uma nova constituinte, o que, em se realizando, repetir-se-ia a elição da ampla maioria comunista, a qual elaboraria uma outra Carta Magna a partir dos princípios e valores comunistas. PERGUNTO-TE: a elite brasileira iria aceitar tal sacrilégio, mesma sabendo que tudo se deu de forma democrática, com toda a lisura dos processos legislativos legais, sem nenhuma gota de sangue derramada?
Vou melhorar a pergunta: Se o povo se instruísse e, algum dia, optasse democraticamente (eleições livres e isentas) pelo regime comunista, elegendo apenas candidatos alinhados com esse sistema, a elite perdedora nas urnas iria aceitar essa mudança pacificamente?
Como já sei sua resposta, vou te dizer o porquê dela: por que, para vcs da elite, não há democracia sem a mantenção de seus privilégios, que vcs garantem que são seus por providência divina, à semelhança dos monarcas de outrora.
É isso que difere nossos pontos-de-vista sobre a palavra DEMOCRACIA. Eu levo ao pé da letra, vc não, é tudo muito relativo, tudo condicional.
Foi isso que aconteceu na Venezuela, Equador, Bolívia, Paraguai e, agora, em Honduras. O povo sofrido, vivendo em miséria secular, enquanto uma minoria se locupleta do erário,(qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência), resolve mudar de direção, na esperança de que sua vida melhore um pouquinho que seja…aí, esses governos alinhados com o povo (cansado de seu sofrimento), resolve adotar medidas em seu socorro (exemplos: Programa Luz para todos, Bolsa-família, Pró-uni, agricultura familiar, reforma-agrária, aumento de empregos, etc)…o povo gosta e passa a querer mais, indicando que o governo (qualquer país) está no rumo certo. Só que a elite, por ter perdido alguma coisa, nem que tenha sido pouca coisa, ou ainda, prevendo alguma perda, vê-se obrigada a agir para evitar perder um pouco mais (neste caso de perdas não há exemplos em relação ao Brasil, infelizmente). Daí, os GOLPES (Venezuela, Bolívia e Honduras), urdidos com o apoio estratégico dos EUA, maior perdedor das benesses elitistas, por serem eles quem as sustentam, com as sobras de todo o lucro que auferem nesses países.
Como diz o poeta: “toda essa droga(história), que já vem malhada, antes de eu nascer”
Outro ponto essencial é o fato de vcs do IM não condenarem veementemente em nenhum artigo as apirações do presidente colombiano no tocante à sua reeleição, que ocorrerá fatalmente. Vcs só condenam os governos de esquerda. Isso é patrulha ideológica, que nada tem a ver com os valores democráticos.
Bjkas
Gerson Alves de Souza
Bruno, eu diria que a visão é a médio e longo prazo, pois utiliza as ferramentas da democracia para solapá-la logo adiante. Ou vai me dizer que a Venezuela é uma democracia?
Cristina Camargo
Porém o golpe solapa agora. Além do mais a Venezuela é o que o Chavez conseguir sustentar. A hora que sua política econômica/social falhar, cai, e cai mesmo.
Ambiente democrático. Esta é a chave. Destruir a democracia agora porque logo adiante “vai ser destruída” não me parece nem um pouco inteligente.
A população parece não estar gostando muito desse ambiente atual.
Bruno
Zelaya JÁ ESTAVA botando as manguinhas de fora ao tentar passar por cima da Constituição para instalar o referendo para garantir sua continuidade no poder, mostrando o quanto preza o Estado de Direito.
Cristina Camargo
E a Cristina Camargo continua minha carrasca, censurando meus posts só porque não tenho diploma superior, não tenho embasamento acadêmico sustentável..oh criaturazinha que me traumatiza profundamente!!!
Bjs linda!
Gerson Alves de Souza
Um texto de Mario Vargas Llosa, não poderia esperar outra coisa. Dá gosto de ler.
fejuncor
Engraçado é o Tony Blair perfazer 3 mandatos e ser democracia. O FHC empurrar por compra de votos a reeleição e ser Estado de Direito. O Uribe estar tentando legalizar o 3º mandato e nem ouço nada de contra.
Vamos ver o que o “ético” governo golpista vai fazer. Principalmente quanto ao fato de que a população não ter gostado da idéia.
Me lembra a segunda trilogia de Star Wars com o senador Palpatine criando uma ameaça fantasma para acumular poder e trazer a normalidade.
Por enquanto, o Estado de Direito, a Democracia e o Povo PERDERAM.
Bruno
Escrevi um artigo no meu blog http://aluizioamorim.blogspot.com que deveria ser lido pelo Gerson. Fica aqui a dica.
Aluizio Amorim
Nunca é demais lembrar que Hitler chegou ao poder pelos meios democráticos. O povo alemão estava mergulhado numa crise econômica e social e, para sair do atoleiro, acreditou nas propostas de Hitler e de seu partido, conferindo-lhes democraticamente amplos poderes, inclusive mediante plebiscitos. Deu no que deu. Com o poder absoluto, Hitler e os nazistas já não mais podiam ser afastados pelo próprio povo alemão. Tornaram-se forte demais. Assim, democraticamente se aniquilou a democracia na Alemanha.
J L Goitacazes
Caro J L Goitacazes,
Seu comentário serve de argumento para os dois lados: direita e esquerda.
A diferença é que, para o IM e seus sectários, a direita não tem pretensão totalitária (Uribe na Colômbia), somente os governos de esquerda.
Gerson Alves de Souza
Não, Gérson, nem sei se você tem ou não curso superior, ou se tem ou não “embasamento acadêmico sustentável” (SIC). A única coisa que sei até agora é que você não tem educação e nem vida.
Cristina Camargo
Gerson,
ao contrário do que voce argumenta, democracia não é ditadura da maioria. Democracia corresponde tão-somente a uma dentre muitas maneiras pelas quais os representantes de uma sociedade podem ser escolhidos. Frise-se: a melhor maneira (mais justa e eficiente) que encontramos até hoje.
Isso significa que, ao contrário do que você argumenta, não é porque um representante (ou 3/5 deles como você exemplificou) foi democraticamente eleito que ele pode fazer o que quiser e continuar se dizendo democrático. Democracia implica também o respeito a minorias (o exemplo da Alemanha nazista e anti-democrática é claro nesse sentido), os “checks and balances”, a separação entre poderes. Tudo aquilo que limita o direito da maioria de fazer o que der na telha e que garante o equilíbrio democrático.
Por isso, da mesma forma que o Presidente do Brasil democraticamente eleito (do PSDB ou do PT) sofreria (ou deveria sofrer) sanções se quisesse alterar uma daquelas chamadas cláusulas pétreas da nossa Constituição (por exemplo, a forma federativa de governo ou o voto direto), também o Presidente de Honduras deveria sofrê-las. Para azar do Zelaya (e por razões que o povo hondurenho deve ter), entre as cláusulas pétreas da Constituição deles está a reeleição.
Como argumentou de forma brilhante o Professor Llosa, o ideal seria que o Congresso pudesse ter seguido no processo de afastamento do Presidente que tentava contrariar a Constituição e instaurar um regime anti-democratico. Golpe é sempre um retrocesso. Mas defender um aprendiz de caudilho com argumentos pró-democráticos é uma contradição por definição.
João de Faria
Caro João de Faria,
Até onde eu sei (reconheço que é pouco), é possível, sim, uma ampla maioria ditar as regras políticas (que regem as econômicas) de um país, mesmo respeitando os direitos das minorias. É assim que ocorre atualmente no Brasil. Ou eu estou enganado?
Quando o PSDB estava no poder, foram editadas regras políticas (inclusive com alteração constitucional), que produziram as privatizações e a reeleição presidencial, dentre outras mudanças, mesmo contrariamente aos interesses das minorias, tudo dentro do mais lídimo processo legislativo (salvo desonrosas excessões de compra de voto parlamentar, mas tudo dentro do jogo do poder do capital).
Se não houvesse interferências do capital nos processos eleitorais (em todos os ambientes e circunstâncias), as democracias seriam mais verdadeiras e mais justas, o que proporcionaria uma VONTRADE POPULAR mais digna e efetiva (e todas as suas consequências), eliminando a necessidade de totalitarismos, como o de Cuba, ou de terríveis imperialismos, como o dos EUA. Entretanto, o que se vê nessas pseudodemocracias é a VONTADE DO CAPITAL determinar as regras do jogo político, sempre. Daí a extrema esquerda (comunismo) defender a REVOLUÇÃO como única forma de ascensão ao poder e o totalitarismo como sua manutenção. Para a extrema direita, não há tanta necessidade de ascensão ao poder, pois as pseudodemocracias já contemplam seus interesses, exceto na iminência da ameaça comunista, quando acionam os mecanismos de defesa: os GOLPES.
Paz e bem!
Gerson Alves de Souza
Cara Cristina,
Fiquei triste com sua avalição sobre mim…nem tanto sobre minha educação, que realmente é mínima, mas sobre minha vida, que também não é lá essas coisas, o que me levou a fazer uma introspeção sobre minha condição atual, em que constatei minhas precárias situações econômica e, pricinpalmente, sócio-afetiva, que não são nada boas…mas vai melhorar…
Não fique traumatizada comigo, ok? Gosto de vc…ao menos vc me entende…
Bjs
Gerson Alves de Souza
Precária, caro Gérson? Nada boa? Quanta auto-indulgência! Eu diria que é NULA, mesmo.
Cristina Camargo
O interessante é ver vocês se equilibrarem e capricharem no duplipensar para apoiar o golpe sem falar mal da democracia. É engraçado.
E torce daqui, dá uma ajeitadinha ali, desfala desse lado, desqualifica do outro… heheheh
Espero que vocês do IM consigam falar apenas com vocês mesmo. Porque defender golpe?
Quero ver o que irão dizer das manifestações contra o golpe que estão acontecendo lá. E quero ver o quanto tempo vai ficar o Michelleti organizando a “volta da democracia”.
Bruno
Quanto a Zelaya por as “manguinhas de fora”? Deixe a população o derrotar NAS URNAS. Se assim o desejarem.
Bruno
Gerson,
veja se você concorda comigo que há uma contradição fundamental nesse seu último comentário.
Primeiro você diz: “Se não houvesse interferências do capital nos processos eleitorais, as DEMOCRACIAS seriam mais verdadeiras e mais justas, o que proporcionaria uma Vontade Popular mais digna e efetiva (e todas as suas consequências)”.
Duas linhas depois, voce escreve: “Daí a extrema esquerda (comunismo) defender a Revolução como única forma de ascensão ao poder e o TOTALITARISMO como sua manutenção”.
Ou seja, para manter uma DEMOCRACIA mais verdadeira e justa, que impeça as interferências do capital, seria necessário um… TOTALITARISMO?! Hã?? Percebe?
Isso para não entrarmos nos detalhes de como a experiência histórica contraria as suas afirmações. Todos os regimes coletivistas caíram (com exceção de lugares maravilhosos como Cuba e Coreia do Norte). A vontade popular na ex-URSS, no leste europeu, no lado de lá do Muro de Berlim, etc, que antes era favorável às revoluções socialistas/comunistas, logo voltou-se contra o autoritarismo. E, não por coincidência, as grandes democracias, onde as eleições são mais justas e o povo mais livre, são e sempre foram regimes capitalistas.
O problema da América Latina é que a história que tentam nos passar é cheia de inverdades, como essas que você fala: que Cuba vive na miséria não por causa de suas próprias políticas, mas por causa do embargo dos EUA, que nossos problemas existem porque sempre fomos capitalistas. Veja bem: por todos os critérios (carga tributária, peso do Estado, assistencialismo das políticas), sempre estivemos mais próximos dos regimes comunistas. E deu no que deu.
Infelizmente, as vezes acho que a única solução para o nosso continente é deixar esses caudilhos chegarem ao poder, com as ideias que você defende, apenas para que no futuro nossos filhos possam derrubá-los e todos possamos ver o quão erradas estavam essas ideias. E a partir daí seguir no caminho de mais liberdade sem olhar para trás.
E ao colega Bruno, antes de falar que se está apoiando aqui o golpe, leia novamente uma das primeiras frases do texto do Llosa: “a interrupção da democracia por uma ação militar não se justifica nunca”.
João de Faria
Caro João de Faria,
Creio que vc não entendeu o que leu…ou eu não escrevi corretamente, o que é mais provável, a julgar pela alcunha que recebi dos leitores deste site…
Mas vamos lá…vou fazer um esforço um pouquinho mais hercúleo para usar meu restrito raciocínio abstrato, na tentativa de escrever adequadamente minhas ideias a fim de vc e demais ilustres leitores do IM possam entendê-las…
O que eu quis dizer é que o totalitarismo é a única forma de luta comunista contra a invencível influência do capital (aqui requer-se um ensaio filosófico que, admito, não disponho de tanto raciocínio abstrato para tal) que, de tão forte e maquiavélica que é, derrubou as muralhas de Berlim e do Kremlin…não sei ainda por que não destroçou La Isla caribenha (tb ponto para uma reflexão mais apurada)…
SE as pessoas (todas e em qualquer circunstância) fossem imunes à influência do capital, NÃO haveria necessidade de TOTALITARISMO. Só há por causa dela.
Espero que tenha entendido, pois gastei quase toda minha ínfima massa cinzenta nesse pequeno exercício raciocínico abstrático.
Paz e Bem!
Gerson Alves de Souza
É preciso que se desmascare esse papo torto e enganador de “esquerda democrática”. Isso não existe. É um paradoxismo. Esquerdismo e democracia são como a água e o óleo: não se misturam. Se um regime é de esquerda, não é democrático. Se é democrático, não é de esquerda. E ponto final. Que os esquerdistas assumam de vez sua postura e passem a brandir, de forma ostensiva, sua verdadeira bandeira: o totalitarismo. O mote “esquerda democrática” é puro canto de sereia para se chegar ao poder.
jonas campobello
O eterno papo de esquerda:
- “O povo é influenciado pelo capital, logo, nós, os iluminados, vamos forçá-los a viver na igualdade. Claro que nós, os iluminados, vamos viver em palácios e deter o poder pra sempre, pois somos seres superiores.”
E viva Honduras, que sabe que com essa gente não se brinca.
Luciano
O comentarista que encabeça esta lista não percebeu, ainda, o óbvio. Primeiro, que a maior prova de que vivemos numa democracia, com total respeito à multiplicidade de ideias (ele parece que defende a vigência de apenas uma), reside no fato de que ele pode discutir livremente a sua, mesmo contradizendo a maioria dos leitores deste site. Se fosse ao contrário, como ocrre na China, em Cuba e na Coréia do Norte, não haveria essa liberalidade, pois as respectivas constituições praticamente obrigam todos os cidadãos a pensar segundo a ideologia do Estado.
Seus conceitos sobre democracia estão totalmente equivocados. Democracia não existe apenas quando a maioria vence uma eleição, mas quando se garantem eleições livres, o livre pensamento, a liberdade de expressão, o pluripartidarismo. É evidente que, se analisarmos detalhadamente as nossas instituições brasileiras, constataremos que elas estão cheias de vícios do passado e de outros impostos pelo atual governo “socialista”. Não vivemos uma democracia plena, porque uma geração política mal formada (da qual faz parte o próprio PT) se assentou nos poderes da República e comanda a vida nacional como bem querem.
Democracia não rima com totalitarismo, portanto. E defender essa visão política como direito da sociedade de lutar contra o capitalismo (transcrevo sua incrível frase, que pode ser registrada como um dos princípios da nova “Lei de Gerson”: “eu quis dizer é que o totalitarismo é a única forma de luta comunista contra a invencível influência do capital”), é uma necedade. Na democracia, defendem-se idéias com outras idéias. Não foi à toa que a esquerda abandonou a estratégia da luta armada, depois que se convenceu que o voto era a melhor arma para alcançar o poder. Mesmo assim, não conseguiu nenhum êxito em suas conquistas de governos, a não ser pela temporária escravidão cultural das populações comandadas, por meio de rígidas normas políticas.
Entretanto, vejam a “vitória” da esquerda em países como a França e a Espanha. Como não sabem conviver com a alternância do poder — um dos princípios da democracia, expresso na constituição hondurenha que Zelaya não queria respeitar — acabam por perder a confiança popular, que os troca em próximas eleições.
Tenho minhas dúvidas se a maioria dos empresários brasileiros constitui essa “elite” a que Gerson se refere e procura manter seus privilégios fazendo oposição ao atual governo. Muitos provavelmente defendem seus privilégios fazendo exatamente o cntrário, isto é, apoiando o avanço do PT. Haja vista a imensa lista de doadores para as campanhas de Lula.
Mas esse não é o ponto. Os comentários se referem às ocorrências em Honduras, após a queda de Zelaya, analisadas por Mario Vargas Llosa.
Apesar de concordar que o governo hondurenho errou ao expulsar o então presidente, ao invés de levá-lo aos tribunais para ser julgado à luz da constituição daquele país, dado o número contundente de provas que tinham contra ele e seus assessores, não posso chamar de golpe à substituição de Zelaya, pois está explícito na constituição de Honduras que os agressores às suas cláusulas pétreas perdem automaticamente os mandatos que porventura exerçam. Portanto, sua substituição pelo presidente do Congresso também foi constitucional.
Por que estão os opositores ao atual governo de Honduras até mesmo contra a realização das próximas eleições? Porque sabem que a esquerda fatalmente será derrotada, haja vista o apoio popular que o governo Micheletti está a receber da maioria da população. Porque sabem que Honduras optou não só pela saída de Zelaya, mas também se opõe à Alba de Chávez, esse tiranete que também, pouco a pouco, perde o apoio do povo venezuelano. Mesmo com os seus petrodólares (que já não valem tanto como quando começou a governar), o que tem feito é empobrecer o país e enriquecer sua família. A Venezuela, desde a chegada de Chávez, reduziu o seu potencial industrial em cerca de 40%, enquanto que suas importações de produtos brasileiros triplicaram. Recentemente, ao romper, em mais uma de suas cenas tragicômicas, com o governo da Colômbia — pois não podia responder, sem menir, sobre as armas repassadas às Farc — ele deixou claro que as fronteiras entre os dois países não seriam fechadas, pois sabe que sem as importações de alimentos da Colômbia seu país terá sérios problemas de abastecimento.
Também engana-se o nosso Gerson (parabéns, alcançou seus quinze minutos de fama, graça ao debate realmente democrático!) quando estrutura uma de suas fantasias filosóficas e afirma: “Se o povo se instruísse e, algum dia, optasse democraticamente (eleições livres e isentas) pelo regime comunista, elegendo apenas candidatos alinhados com esse sistema, a elite perdedora nas urnas iria aceitar essa mudança pacificamente?”.
Se o povo se instruísse democraticamente, isto é, dentro de uma educação não condicionante, que opte pelo pensamento múltiplo e não por apenas uma linha, dificilmente votaria em massa pelo comunismo, que representa exatamente o contrário. Mas na suposição de que sua suposição pudesse concretizar-se, e se os governantes então eleitos garantissem as prerrogativas da democracia, mantendo o pluripartidarismo e eleições livres, sem impor um partido único, haveria sempre a possibilidade da alternância do poder.
Quanto ao presidente Uribe, da Colômbia, também, citado por Vargas Llosa e pelo Gerson, é claro que sua reeleição para um terceiro mandato soa como continuísmo, o que não faz bem para a democracia. Como ele é relativamente jovem, deverá saber esperar e candidatar-se futuramente a um novo mandato. Mas é preciso lembrar que a situação naquele país é totalmente diversa dos seus vizinhos Venezuela e Equador. Uribe combateu duramente o narcotráfico e está vencendo a batalha. Conseguiu avanços econômicos e sociais, o que lhe dá enorme respaldo popular, sem precisar utilizar a força e esmolas eleitorais. Pior do que uma eventual reeleição é o que os bolivarianos do Séc. XXI querem fazer contra a Colômbia, imiscuindo-se em seus assuntos internos. O acordo Colômbia-EUA, que existe há muito tempo, apenas deverá ser ampliado para dar o golpe de misericórdia nas já enfraquecidas Farc, responsável pela guerrilha insana e pelo narcotráfico. E isto incomoda os presidentes dos países sul-americanos (incluído o Lula), porque eles apoiam as Farc, membro dileto do Foro de São Paulo.
Cleto de Assis
Na minha opinião o Cleto ganha no contorcionismo mental justificar o Golpe.
É muito. Democracia para você só é válida quando vocês ganham. Quando perdem, todo mundo (até o Obama) é comunista, socialista, facista, trapezista…
Vocês são o que pior podem acometer a um ser humano. O Egoísmo extremo.
O Sujeito da Esquina