O futuro em Paquetá

26 de abril de 2011
Autor: Jose Luiz Alqueres

pequeno normal grande

O Rio de Janeiro vai sediar a Rio + 20, que revisitará a histórica Rio 92. É importante mostrar propostas inovadoras em matéria de meio ambiente.

Cerca de 75% da energia gasta no mundo — a grande causadora das emissões que afetam o clima e a qualidade do ar — se concentram nas cidades onde está a oportunidade para a verdadeira revolução da sustentabilidade.

No meio da Guanabara temos uma ilha-cidade com 4.500 habitantes. Poderíamos começar por ela a medir o quanto custa transformar a situação atual na desejada.

O primeiro passo é inventariar a emissão dos gases de efeito estufa na ilha. O último passo será, após a implantação das medidas recomendadas, refazer o inventário e confirmar a redução das emissões e o custo incorrido. O projeto será a maior demonstração, a céu aberto, de técnicas de sustentabilidade.

Há que se começar com as concessionárias mudando sua forma de agir. A Light pode instalar painéis fotovoltaicos e aquecedores solares nas residências. Iluminação racional com leds, tabletops de cerâmica, fornos de microonda e outros eletrodomésticos eficientes. Todo transporte na ilha seria elétrico.

A Comlurb implantaria a coleta seletiva, uma unidade de processamento e compactação. A Cedae reduziria as perdas, trataria a água e a rede de esgoto seria separada da de águas pluviais, além de substituir o ineficaz sistema de tratamento dos afluentes.

A prefeitura pode rever o Código de Obras e Conduta Urbanos, a iluminação pública racional e promover coleta de água da chuva (isso pode representar uns 10% do consumo total). O engajamento responsável da população — na ilha existem associações muito eficazes — ajudará a se alcançar os grandes objetivos.

Pode-se fomentar a agricultura orgânica para o consumo local e a despoluição da baía ensejará disponibilidade de peixes criados em viveiros naturais. As favelas devem ser coibidas no seu crescimento, ter titularidade reconhecida e algumas residências remanejadas no local.

Diversos pontos de interesse náutico, turístico e cultural podem ser mais bem aproveitados, dentre outros a ilha de Brocoió, que abriga um belo palacete outrora dos Guinle, a Ilha de Jurubaíba, que pode voltar a parecer o que era no ano do descobrimento do Brasil. Em poucos minutos de lancha pode-se acessar os manguezais de Guapimirim — um pequeno “pantanal” fluminense — o futuro Parque da Estrela e as ruínas do Convento de São Boaventura.

A Associação Comercial do Rio de Janeiro está formatando este projeto já com apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado. É hora de mostrar ao mundo uma ilha, que é uma pequena cidade, sustentável, no meio de uma baía despoluída.

Fonte: O Globo, 25/04/2011

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Gostaria de entrar em contato com o Sr José Luiz Alqueres para trocar algumas idéias e sugestões sobre a cartilha do Movimento Paquetá Sustentável. Marcio Diaz Abreu – professor da FGV – marciodiabreu@uol.com.br

    Marcio Diaz Abreu


    29-09-2011 17:58:26

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