Não desperdicemos a campanha de 2010

5 de janeiro de 2010
Autor: Roberto Civita - Convidado

pequeno normal grande

Eis-nos de novo – e felizmente – diante de um ano eleitoral, com todas as ameaças e oportunidades que as grandes eleições quadrienais costumam trazer.

Antes de tudo, vale registrar um fator auspicioso: justamente por causa dessa normalidade, estaremos diante de uma eleição presidencial em que o atual presidente – como manda a Constituição que ele talvez pudesse até ter alterado – não será candidato à reeleição.

Isso é especialmente significativo porque aumenta a probabilidade de uma alternância no poder, um dos requisitos essenciais para a depuração periódica dos governos e o revigoramento da democracia.

Os leitores de VEJA conhecem (e, espero, simpatizam com) a nossa insistência na necessidade de mudanças e reformas nas principais frentes estruturais do país. São reformas essenciais para que o Brasil, que basicamente anda bem, possa andar ainda melhor após a remoção das barreiras limitantes do nosso ritmo de crescimento e desenvolvimento. Estou me referindo especialmente ao nosso insustentável sistema previdenciário, à esclerosada legislação trabalhista e ao infernalmente complexo sistema tributário. Em idêntico patamar de urgência encontram-se sérias questões como o inchaço e o descontrole de gastos do setor público, a expansão preocupante do tamanho do estado e o claramente disfuncional sistema político.

Reconheço que é muito difícil mudar isso tudo em função da resistência da miríade de beneficiários do status quo. Mas também sei que o melhor (e talvez único) momento em que podemos realisticamente esperar fazer grandes mudanças é o primeiro ano do primeiro mandato de um novo presidente. É evidente, assim, que não podemos desperdiçar a campanha eleitoral que se aproxima. Além dos costumeiros discursos festejando inúmeras “realizações” e dos inevitáveis comerciais repletos de obras, bandeiras ao vento e crianças felizes, precisamos exigir que cada candidato nos apresente – de forma clara, sintética e precisa – seus planos para atacar as múltiplas distorções do mundo governamental e político que tanto dificultam o progresso dos milhões de brasileiros que trabalham, produzem e pagam impostos.

Somente assim, com programas de governo específicos no lugar de promessas amplas e vagas, é que conseguiremos avaliar inteligentemente as propostas e os planos de cada um e decidir em quem votar. E somente assim nos todo-importantes anos seguintes – a começar por 2011 – poderemos cobrar as mudanças e realizações prometidas.

 

Fonte: Revista VEJA, 30 de dezembro de 2009.

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Ledo engano, Mr. Civita. Os partidos são quadrilhas organizadas, mudando apenas o método e a ousadia de seus crimes.

    ALL


    08-01-2010 06:49:32
  2. Mr. Civita, quando sua revista assumirá que é um partido político e de imparcialidade não tem nada?

    Rogério


    02-03-2010 23:51:52

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