Quando um cidadão compra um jornal, ele o faz porque confia nas informações ali reunidas. Também porque leva em conta, para a formação de sua opinião, as análises desse jornal. Num mundo em que a tecnologia tornou impossível consumir toda a profusão de dados que transita pelas vias digitais, jornais seguem sendo a referência maior como fonte de informações, como mostram pesquisas recentes feitas nos EUA. Na base dessa confiança dos leitores, está a postura de responsabilidade e independência dos bons jornais. Mas estão também pesados – e necessários – investimentos.
O bom jornalismo, aquele que cumpre o papel esperado por seus leitores, custa caro. Ele resulta de investimentos em profissionais altamente qualificados, em viagens, em equipamentos de última tecnologia, em comunicações, enfim em todo um complexo processo que faz da produção jornalística uma indústria. Notícia confiável precisa de investigação e apuração quase obsessivas.
O sustento dos jornais vem de assinaturas e da publicidade paga. Os jornais que fazem a diferença necessariamente precisam atrair e manter uma extensa gama de empresas anunciantes, porque esta é a garantia de que podem sobreviver mesmo se alguns interesses privados ou de governos forem contrariados. Publishers precisam ser capazes de decifrar o enigma: como manter acima de tudo o interesse do cidadão e seu direito à informação, mesmo que eventualmente perca alguns anunciantes, suas fontes de receita?
É dessa forma que jornalismo tem sido historicamente elemento fundamental na evolução política, social e econômica. Informando, investigando, desvendando e propondo caminhos, a imprensa livre se consolidou como sinônimo de democracia.
Com a revolução da internet, as informações jornalísticas agora chegam aos cidadãos – e cada vez mais – por seus computadores pessoais, notebooks e celulares, numa maravilhosa ampliação que abre possibilidades infinitas. É um salto para o futuro da democracia, na medida em que multiplica de forma exponencial aqueles que passam a ter maior acesso às informações, consciência crítica e interação com o mundo.
Mas esse fantástico processo de expansão da divulgação corre sério risco diante do uso predatório de informações jornalísticas por empresas de tecnologia, como as detentoras dos mecanismos de busca de conteúdo na internet. Por meio dessas ferramentas, elas se apropriam das informações que custaram muito investimento e trabalho por parte das empresas jornalísticas e divulgam gratuitamente essas informações, e ainda auferindo lucros com a publicidade em seus sites. Nada remuneram aos jornais.
Num cenário em que o consumo de informações jornalísticas vem migrando do papel para o ambiente da internet, como poderão as empresas do setor continuar investindo em sua tão qualificada produção, se não são remuneradas por elas? Esta é uma questão crucial não apenas para as empresas jornalísticas, mas para a própria qualidade das informações que os cidadãos passarão a ter à sua disposição. Crucial, portanto, para a cidadania e a própria democracia.
(“Zero Hora” – 18/03/2010)
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Quero parabenizar você Judith,e todos profissionais que pensa e atua na área da comunicação como você.Sou um fã de jornalismo,seje ele escrito rádiofônico ou televisivo,mais gosto mesmo do jornalismo esportivo por ser praticante e amante do futebol,ainda tenho esperança d ser pelo menos um reporter de campo em uma emissora de rádio ou televisão.um grade abraço dste sonhador virtual.
Os jornalistas de hoje não possuem autonomia para expressarem suas opiniões. A opinião é a do dono do jornal, caso contrário, é rua.
Domitilla, você arrisca dizer que a opinião de Laura Capriglione é a mesma de Otávio frias Filho?
Graças a Deus a opinião bolivariana da Laura não é a mesma do Otavio!