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Intervencionismo

Existe no mercado quase que um consenso positivo sobre o desempenho da presidente Dilma. O aparente novo posicionamento sobre o tema política externa traz sinais claros da diferença entre o atual e o antigo governo.

A aproximação com o governo americano parece mostrar um afastamento da política externa muito centrada no terceiro mundo e o fim de um anti-americanismo que prevaleceu durante todo o governo anterior.

Outro ponto que, também, traz grandes esperanças de mudanças seria o fato de a nova presidente ter um viés mais técnico e isso levaria a uma gestão menos politizada das estatais, bem como um fortalecimento das agências reguladoras.

Entretanto, recentes acontecimentos apontam para a continuidade do intervencionismo nas empresas.

Recentes declarações dos presidentes da Petrobras e da Eletrobras, bem como a forma como foi afastado do cargo o presidente da Vale, mostram que a gestão das empresas permanecerá mais preocupada com aspectos políticos e pouco comprometida com os interesses dos acionistas dessas empresas.

O presidente da Petrobras declarou que, apesar de ser importante para a realização dos investimentos da empresa no pré-sal elevar os preços da gasolina e do diesel, num momento onde o preço do barril supera os US$ 100, isso não deverá ocorrer tão cedo. A explicação é que a estatal está aguardando (sic) o novo patamar de preço do barril de petróleo.

O que é novo patamar e quais os critérios para que seja alcançado é desconhecido.

É curioso que essa lógica não vale para outros derivados como é o caso do QAV(querosene de aviação) que tem tido seus preços reajustados em função da taxa de câmbio e do valor do barril de petróleo.

Fica a pergunta: porque a estatal subsidia o consumidor de gasolina e de diesel e não os que utilizam o avião?

O novo presidente da Eletrobras, que teria sido escolhido por ser um técnico com longa trajetória no setor, declarou que a empresa não venderá nenhuma distribuidora de energia elétrica, pelo contrário, deverá comprar outras empresas, pois segundo ele existe uma sinergia (sic) positiva para a estatal.

Essas duas declarações mostram que existe um trade off entre os discursos oficiais da presidente Dilma de que as decisões serão tomadas dentro do critério da racionalidade econômica, as declarações dos presidentes da Petrobras e Eletrobras e a recente demissão do presidente da Vale.

A forma como foi conduzida a saída do atual presidente da Vale é o mais forte indício que teremos, possivelmente, um aprofundamento do intervencionismo na gestão das empresas, onde o governo é acionista, prevalecendo os interesses políticos em detrimento aos dos acionistas privados.

A ideia de transformar a Vale em Petrobras é um erro que, com toda a certeza, trará prejuízos para o país, bem como para gerações futuras.

Quando observamos a performance da Vale e da Petrobras é fácil verificar que o modelo de empresa que deveria ser adotado num país moderno, que almeja ser uma das principais potências econômicas e que, portanto, precisa ter empresas competitivas é a Vale e não a Petrobras.

Fonte: Brasil Econômico

Sobre Adriano Pires

Adriano Pires
Adriano Pires é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor fundador do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). Publica artigos sobre energia elétrica, petróleo e gás natural no jornal “Valor Econômico” e nas revistas “Conjuntura Econômica”, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e “Brasil Energia”. Escreve também no site do Instituto Liberal e possui blog no portal "oglobo.com". Foi assessor do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e superintendente da ANP nas áreas de importação, exportação e abastecimento. Pires é economista e mestre em planejamento estratégico pela UFRJ e doutor em economia industrial pela Universidade Paris XIII (França).

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