Honduras: a jogada genial
Claudio MafraOs obamistas estão contando como vitória, uma grande jogada de Obama, “haver neutralizado o show que Hugo Chávez daria se os Estados Unidos apoiassem a destituição de Manuel Zelaya no governo de Honduras”.
Como? “Neutralizar o Chavez”, ou seja, impedir que o Bolívar de araque dê uma meia dúzia de declarações que ninguém mais leva a sério, é mais importante do que preservar o povo hondurenho de uma ditadura? Quer dizer que é melhor apoiar um sujeito que deseja seguir exatamente os passos de Hugo Chávez do que apoiar o exército que o derrubou, amparado em DECISÃO da suprema corte hondurenha? E por que os Estados Unidos precisariam se pronunciar sobre essa questão? Por que não ficaram quietos? Isso sim, seria inteligente. A posição americana, irresponsável, demagógica, ansiosa para mostrar “changes”, tem manchete nos jornais: “Reação a golpe indica nova visão dos EUA”. Engano do repórter obamista. Não é uma “nova visão”. Já foi feito, principalmente quando Jimmy Carter, o pateta, usou e abusou do direito de atormentar os aliados americanos.
As consequências da atitude de Obama foram imediatas. Todo o mundo de esquerda se mobilizou. A Europa (Eurábia) sempre querendo dar lições de democracia, embora seja o continente responsável pelas maiores carnificinas da história da humanidade, provocadora de duas guerras mundiais, tomou, nesse episódio, atitudes muito mais radicais do que os Estados Unidos. Claro, os europeus se consideram mais preparados do que os norte-americanos. Eles são a Grécia, e os Estados Unidos, Roma. Então, resolveram retirar seus embaixadores, que é a medida mais próxima do rompimento com um país. Decidiram colocar um ponto final nos acordos comerciais, e tudo o mais que possa estrangular o governo hondurenho. Pobre Honduras. Enquanto isso, todos se acovardam face à Coreia do Norte, face ao Irã, e tremem de medo de que os cartunistas possam fazer alguma brincadeira com o Maomé.
Hillary Clinton, muito menos comprometida com a demagogia obamista foi bem mais cautelosa. Teve que tomar cuidado para não bater de frente com seu chefe. Agora mesmo, o Departamento de Estado declarou que “insiste em que Zelaya terá de fazer concessões e abordar a questão da consulta popular que ele queria convocar para tentar se eleger de novo”.
E Obama usa os mariners no Afeganistão em operação aerotransportada considerada a mais importante desde a guerra no Vietnã. Afinal o que o diferencia de Bush? A retirada no Iraque está sendo exatamente como o ex-presidente afirmava: “de acordo com a decisão dos generais, e não como os políticos em Washington querem”. De fato, as pessoas enxergam o que desejam enxergar.
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Excelente, Claudio, direto ao ponto. E no fígado.