Fernando Henrique e Fidel

12 de março de 2010
Autor: Claudio Mafra

pequeno normal grande

Fernando Henrique criticou o comportamento de Lula em Cuba. Com que direito?!  Ele está se esquecendo do abraço apertado, suspiro dobrado, que deu em Fidel quando esse discursou na ONU? Fernando Henrique PROCUROU Fidel. Levantou-se quando esse desceu da tribuna, caminhou em sua direção e se atracou com ele. Comportou-se como um fanzoca de auditório. Foi tão inusitado que Fidel custou a entender o que estava acontecendo. Com que direito FHC colocou a emoção da sua juventude acima dos seus deveres de chefe de Estado? Agora resolveu cobrar de Lula uma posição que ele mesmo não teve. Abraçar Fidel carinhosamente. Essa é muito boa.

 Fernando Henrique e FidelE a Argentina está novamente querendo colocar suas mãozinhas nas Ilhas Falklands. Como diria Calígula: “O quê?!!!” Agora é o casal Cristina e Néstor Kirchner que resolveu ameaçar os felizes habitantes daquelas ilhas. Querem aplicar o desgastado golpe da política externa para fazer os argentinos se esquecerem do desastre que é o seu governo. Durante a guerra, em 1982, toda a esquerda brasileira se posicionou a favor da ditadura do general Galtieri. Acharam que a tal da latinoamericanidade estava acima dos problemas políticos, acima dos assassinatos e tortura que eles mesmos tanto gostavam de denunciar. Os jornais fizeram mil comentários, mas ninguém, repito, ninguém, escreveu uma linha sobre os direitos dos ilhéus, as pessoas que moram lá há duzentos anos! Para a democrática esquerda a opinião dessa gente não interessava, o que contava era o “imperialismo britânico”. E os militares os aterrorizaram, quando após a invasão disseram  que dalí para a frente eles estariam “sob a proteção da bandeira argentina”. Imagine só, a ironia de trocar a Inglaterra pelos bêbados de uma junta militar latino americana! Como você se sentiria, prezado leitor? Para as esquerdas não existe respeito à individualidade, só raciocinam em termos de “massas”, “povo” “elites” e escambau. Felizmente, com a ajuda de Reagan (forneceu informação de alta tecnologia), Pinochet (forneceu informação vinda da Inteligência chilena), Miterrand (suspendeu a entrega dos misseis Exocet aos argentinos), e a determinação de Margaret Thatcher, os  ingleses derrotaram a Argentina e aquelas belas ilhas continuaram sua trajetória de serenidade e dignidade.
 Fernando Henrique e Fidel
Indiscutivelmente, a diplomacia brasileira conseguiu colocar o Brasil em posição de destaque. É tanto mau-caratismo, tantos interesses escusos, partidários, socialistas, anti-americanos, que nos transformamos em um país cafajeste, um país que é o retrato da cúpula do PT. Somos respeitados como bandidos. Falem mal, mas falem do Brasil. Custou, mas chegamos lá! Se a Dilma ganhar, quem tiver bom gosto vai sofrer muito mais do que agora. Esquerda quando chega ao poder não sai de jeito nenhum, é terrivel.

É dificil entender como é que Lula escapa das perguntas decisivas, definitivas, com respeito à Cuba, à Venezuela e Iran. Existem tantas! Talvez o motivo seja muito simples: Elas não são formuladas! Isso mesmo. Todos os jornalistas são de esquerda, ou se intimidam e não pressionam o presidente. Dessa maneira ele consegue seguir em frente, prestigiando o Iran e sendo amorosamente amigo de Fidel e  de Chávez, sem que ninguém o perturbe nas entrevistas. Editoriais e artigos contra ele e sua política externa temos aos montes. Eles seriam muito mais contundentes se municiados pelos repórteres. Lembro-me quando estive pelo Jornal do Brasil em uma coletiva do ministro dos Transportes, Elizeu Resende. O assunto na época era a via Lagoa-Barra. Corrupção de alto a baixo. Eu, por motivos particulares, estava muito bem informado. Depois de uns 15 minutos de entrevista me levantei e formulei minha longa pergunta. Espanto total. Levantei a possibilidade do ministro ser corrupto. Silêncio do Elizeu, que não sabia o que fazer. Ao seu lado o Diretor do DNRE (também suspeito de envolvido na trampa) se levantou, olhou para o relógio e dirigindo-se a ele: “Ministro já estamos atrasados, precisamos ir…”. Elizeu levantou-se rapidamente e acabou a entrevista. Foi notícia. Geralmente os repórteres setoristas gostam que os poderosos os tratem pelo primeiro nome, tornam-se amigos das autoridades, e deixam de ser isentos.

Lula sobre Fidel: “Fiquei muito feliz por ele estar bem de saúde”. É mesmo, presidente? Pois o povo cubano e a grande maioria no mundo civilizado gostariam que ele morresse. “Está com uma cabeça melhor do que a minha, falando de economia como se fosse um jovem, PENSANDO NO FUTURO DE CUBA, pensando no FUTURO DA AMÉRICA LATINA, como não poderia deixar de ser, NO FUTURO DO MUNDO”. Frases que misturam delírio e provocação. Ninguém em todo o planeta, com exceção de Chávez, tem a coragem de se referir a Fidel dessa maneira. É a volta completa ao metalúrgico do ABC, a retórica do vencedor que fala o que deseja, e também aquilo em que não acredita. É a volúpia de celebrar o seu completo triunfo sobre tudo e sobre todos, escarnecer da condenação mundial ao regime cubano, colocando-se muito acima do senso comum. Lula não se preocupa nem com o que pensa o próprio povão brasileiro, que sabe que Fidel é um ditador, que é cruel, e martiriza Cuba. Esse povo lhe deu carta branca quando o aceitou como “o bom malandro” no episódio do mensalão. É um povo que parece estar à venda. Com Bolsa Família e outras facilidades, pouco se incomoda com esse negócio de honestidade. Afinal, a ideia que circula é que todos no Brasil roubam. Agora sim, a aprovação do “rouba mais faz” deixou de ser uma chatice repetitiva e duvidosa durante décadas, e ganhou significado real, veracidade plena. Lula está imune às críticas. Sua popularidade debocha dos adversários. Realmente, Fernando Henrique acertou no que não viu quando disse, há muitos anos, que Lula era “uma instituição brasileira”.

É notável como ele se revelou no final de mandato. Suas alianças com os regimes mais torpes do mundo mostram o que é o PT no poder, depois de passado o medo da reação dos quarteis. Corremos o risco de nos tornarmos uma outra Venezuela, mas sem os grosseiros erros econômicos de Chávez. Seremos uma Venezuela muito poderosa. Talvez estejamos na dependência apenas das eleições de 2010, de 2014 e, sobretudo e principalmente (como diria Tancredo), da vigilância das nossas Forças Armadas.

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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