Custo MEC?

7 de fevereiro de 2010
Autor: Hugo Ferreira Tadeu

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A qualidade do ensino superior nacional é fraca, quando comparada com países desenvolvidos. Os alunos têm inúmeras dificuldades com o raciocínio matemático e com a língua portuguesa, com desempenho abaixo da média internacional, fruto de um ensino fundamental claudicante. As universidades não são capazes de produzir pesquisa, por ausência de recursos e professores dedicados para esta atividade. O resultado imediato é o baixo número de artigos publicados em periódicos internacionais, bem como o número de patentes registradas.

O tema educação é fruto de muitos debates e estudos aprofundados, destacando-se o economista Gary Becker, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos e Fernando Veloso, do Ibmec do Rio de Janeiro. Ou seja, países que investem com qualidade em educação são capazes de alcançarem um retorno satisfatório para a formação em geral da população e de capital.

Enquanto isto, em Brasília, a educação é vista com um viés mercantilista, em que funções como escala do ensino privado, redução das obrigações legais perante o MEC, como a eliminação da obrigatoriedade para a permanência de professores doutores e a ausência de estudos técnicos de longo prazo são temas em pauta.

A presença de grandes grupos privados na educação superior é fundamental, porém, não sendo a qualidade oferecida duvidosa. Atrair as classes C e D para os bancos escolares é vital, mas desde que seja legítimo o esforço para a geração de novos conhecimentos e o pleno emprego.

As experiências internacionais, destacando-se as da OCDE, indicam a necessidade da presença do capital privado no ensino, mas respeitando-se as mínimas exigências operacionais.  Não adianta justificar as restrições orçamentárias e os problemas de expansão das universidades, simplesmente pelo “custo MEC”. Deve-se pensar em um modelo híbrido, com instituições sem fins lucrativos e investimentos de grandes empresas privadas em pesquisa. As escolas devem ser saudáveis financeiramente, mas dedicadas a sociedade, com alunos mais preparados, com grades curriculares atualizadas (e não enxutas, para redução de custos), com professores preparados, dedicados e com a máxima titulação.

Finalmente, seria mais vantajoso entender que o problema do ensino superior foi a sua abertura desregulamentada, sem o devido preparo governamental e das instituições do setor, carentes de gestão e pela redução do poder econômico populacional, na opção pela destinação de recursos para os estudos.

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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