Como se defender de um intelectual

3 de fevereiro de 2010
Autor: Claudio Mafra

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O Globo pergunta aos leitores na seção de “pesquisa”: “O plano israelense de investir em assentamento na Cisjordânia vai ajudar a diminuir a tensão na região?” É uma pergunta sem sentido porque todo mundo sabe que a reposta é um imenso NÃO. É claro que o plano israelense não vai ajudar a diminuir a tensão. Muito pelo contrário. Não existe saída para a maneira como a questão foi proposta. Nem aqueles que são a favor do assentamento vão responder SIM, porque seria absurdo. Em suma, a pergunta é feita para incriminar Israel,dentro do panorama maior que é o culto da lavagem cerebral anti-americana.

É um fenômeno a maneira como os jornais e a televisão tratam os republicanos e conservadores:  eles são pessoas más, são broncos, e sempre estão contra o povo. Além do mais ainda são podres de ricos, uma mentira usada desde a década de 50 para criar o mito da ”máquina republicana” . Muitos dos nossos scholars, que detestam o PT e têm horror ao Lula, pensam da mesma maneira. Seria contraditório essa repulsa à corja petista e o desprezo pelo Partido Republicano – tão anti-esquerda – se eles não encontrassem abrigo no pensamento american liberal. A verdade é que grande parte da intelligentsia brasileira é colonizada pelos Democratas, historicamente responsáveis pelo apoio ao anti-americanismo disseminado pelo mundo. O NYTimes, o Los Angeles Times, o Washington Post, os Clintons, Obama, Pelosi, Kerry, Friedman, Brooks, Krugmann, Al Gore, todas essas instituições e pessoas dão sustentação a esse sentimento de revolta contra os Estados Unidos. São eles e seus antecessores que transformaram a guerra do Vietnam em um desastre, proclamando sua simpatia pelo inimigo e levando seus  próprios exércitos à derrota e à desmoralização; são eles que têm por costume sabotar a CIA e o FBI, em nome dos direitos humanos, e … a lista é longa demais, o assunto complexo demais e não deve ser abordado aqui. Podemos dizer que mais recentemente são os liberals que desejam aplicar o código Miranda – “o senhor tem o direito de ficar calado…” – aos terroristas, para que esses consigam os mesmos direitos do cidadão americano que comete um crime civil; que foram eles os primeiros a  difamar Guantânamo; que se esmeraram em dar enorme publicidade às “atrocities” em Abu Ghraib (que vieram a público porque o Exército já havia aberto inquérito), e que já se tornou uma tradição estarem sempre surrupiando e publicando documentos altamente secretos, o que em qualquer outro país seria considerado traição. O mais importante é o fato de acharem ser justificado o ódio contra os Estados Unidos, quando na História não existe registro de um povo que tenha sido mais honesto em seus propósitos e ações. Em seu desejo do Estado grande, os liberals sempre aceitaram sua “parcela de culpa” pela miséria global. Palavras de J. Goldberg a respeito dessa característica fascista: “Os liberals ficavam orgulhosos do quanto se sentiam culpados. Por quê?. Porque isso confirmava a onipotência liberal. Normalmente, não nos sentimos culpados quando forças fora de nosso controle fazem coisas maléficas. Mas quando você tem o poder de controlar tudo, você sente culpa a respeito de tudo”.

Bem, como eu disse, muitos dos nossos scholars se apoiam nos liberals. Pode ser uma boa solução para todos que tiveram um passado de esquerda e o renegaram em parte. Esses scholars podem ser moderadamente anti-Estados Unidos (que é a posição dos liberals), e ao mesmo tempo estão livres para serem oposição ao PT. Para eles, os petistas são iletrados, jamais pisaram em faculdades, são agressivos e ladrões, enquanto os liberals esbanjam títulos harvardianos, são refinados e nunca dirigiram bêbados deixando amantes morrerem no rio sem socorrê-las e só telefonando para a polícia nove horas depois. Nem pensar que essas esplêndidas criaturas possam ser presidente da república conversando normalmente ao telefone com o Presidente da Comissão de Defesa enquanto uma estagiária lhes faz um tremendo blow job em pleno Salão Oval da Casa Branca. Se isso acontecesse seria o maior desrespeito ao poder presidencial em toda a história americana (e desrespeito à mocinha também).

Não sou a favor da valorização do aprendizado “na escola da vida”; isso jamais, nem pensar, mas também não ignoro que um fazendeiro do meio-oeste americano pode ter muito mais bom senso do que um novaiorquino. Eu acho que o Brasil estaria melhor se não existisse o PT, mas também não acredito em tucanos que sejam de esquerda.

Considerando-se a elite de um país, existe mais chance de se salvarem da lavagem cerebral anti-americana os que não acreditam nos jornais (porque a quase totalidade dos jornalistas é de esquerda), aqueles que não fizeram Ciências Humanas, e os que não se tornaram intelectuais – no sentido dos que colocaram a ideologia acima das pessoas. Também ajuda muito haver lido os clássicos. Em nossos tempos, nada melhor para repudiar a mediocridade do esquerdismo e do culto à ideologia do que o legado dos grandes escritores. Aprendendo sobre a angústia do homem também aprendemos “a desconfiar de todas as revoluções que não sejam interiores”. (J. Updike),  e somos levados a cultivar o amor ao individualismo e a reconhecer os limites do poder. Quem leu as tragédias gregas tem dificuldade em aceitar a esquerda. Pode não ter sido assim há cem anos, mas é o que sentimos hoje.

Deixando de lado 1789, que é um fenômeno mais complexo, podemos argumentar que depois da revolução francesa, e ao contrário do que nos diz a esquerda, as rebeliões que ESPONTANEAMENTE vão para as ruas, longe de objetivarem uma mudança completa do sistema político e econômico, são conservadoras, querem a restituição de direitos tradicionais, injustamente cancelados.* Assistimos nesse momento ao que está acontecendo nos Estados Unidos, onde um presidente deseja usar a insatisfação gerada por uma crise econômica para efetuar uma mudança completa do presente, uma força destrutiva do american way of life. É exatamente isso o que os conservadores e os republicanos estão tentando impedir. Obama quer impingir uma “revolução” aos americanos, mas percebeu que não conta com o apoio da população. Tratando-se de um fino demagogo, aparenta desconhecer a derrota e se prepara para outros rounds. Um movimento significativo, recentíssimo, é o do Tea Party, que visa justamente impedir que os fundamentos criados pelos Pais da Pátria americanos sejam modificados.

* Mesmo em 1789, os ” Cahiers de doléances” – ” listas de queixas”- apresentadas pelos camponeses franceses poderiam ser resolvidas dentro do sistema, sem que fosse necessária uma revolução .

Gostaria de deixar claro para todos os meus artigos: quando digo que os jornalistas são de esquerda não estou afirmando, de maneira alguma, que apoiam Lula. Quando eu me refiro à esquerda estou centrado no anti-americanismo, no terceiro-mundismo, no anticapitalismo. Ser contra o Lula em nossa imprensa é facílimo. Dificil é encontrar quem apoie os Estados Unidos. Um ótimo exemplo é o jornalista Arnaldo Jabor, que detesta o Lula, odeia os Estados Unidos, e debocha da “esquerda burra”. Ele é a favor da “esquerda inteligente”, que ninguém sabe exatamente o que seja. Adora Obama, já que esse é o presidente anti-americano por excelência.

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Nos úlimos tempos transformou-se em regra o Nobel de Literatura ser concedido para os que escrevem sob a camisa de força do politicamente correto, ou para os chatos do terceiro mundo.  Nem de longe imaginar que John Updike teria chance de ganhar o prêmio. Claro que não. Ele foi considerado o maior escritor americano dos últimos 30 anos, reconhecido por todos, até pelos liberals, mas não era de esquerda, pelo contrário, foi a favor da guerra do Vietnam, era um conservador, defendeu a bomba em Hiroshima. Morreu sem o prêmio.

 Como se defender de um intelectual

Para se salvar do ataque de  um vampiro é necessário segurar um crucifixo e ficar apontando para ele. Todo mundo sabe disso. (Alho também é bom). No caso de algum intelectual partir para cima de vocês com  esquerdismos, peguem imediatamente um livro de Cálculo e, com toda a decisão, estendam seus braços segurando o livro. O intelectual vai sair correndo, espavorido. Melhor ainda: arrumem um que tenha o título “Cálculo Avançado”.  Nesse caso existe até a possibilidade de um ataque cardíaco. Juro que é verdade. Quando não temos o crucifixo usamos rezar ”O Pai Nosso”, ou outras rezas, em frente ao vampiro. Se no ataque do intelectual vocês perceberem horrorizados que não dispõem do livro de Cálculo, devem imediatamente perguntar a ele o que são números primos, o que é um logarítmo, e se ele sabe quais são as raízes da equação de segundo grau. O efeito é devastador. O intelectual adquire gagueira durante duas semanas.

 Como se defender de um intelectual

Da musa da Direita nos Estados Unidos, a bela Ann Coulter: “Eu acho que as mulheres devem ter armas mas não devem votar… as mulheres não têm capacidade para compreender como é que o dinheiro é ganho. Elas têm muitas idéias de como o gastar… é sempre sobre dinheiro em educação, mais dinheiro para cuidados infantis, mais dinheiro para creches”. E também:  ”Seria um país muito melhor se as mulheres não votassem. Isso é um fato. Na realidade, em todas as eleições presidenciais desde 1950 – exceto Goldwater em 64 -, os Republicanos teriam ganho, se apenas votassem os homens.”

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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