Bluetooth: dizer sem palavras
setembro 18th, 2009 by Yoani SánchezfecharAutor: Yoani Sánchez
Nome: Yoani SánchezAcerca: Yoani Sánchez estudou durante dois cursos no Instituto Pedagógico a especialidade de Espanhol-Literatura. No ano de 1995, mudou-se para a Faculdade de Artes e Letras – com um filho nascido em agosto deste mesmo ano e terminou, depois de cinco cursos, a especialidade de Filologia Hispanica.
Se especializou em literatura latinoamericana contemporanea e apresentou uma incendiária tese intitulada “Palavras sob pressão. Um estudo sobre a literatura da ditadura na america latina”. Ao terminar a universidade compreendeu duas coisas: a primeira, que o mundo da intelectualidade e da alta cultura a repugnava e a mais dolorosa, que já não queria ser linguista.
Em setembro de 2000 foi trabalhar numa obscura oficina da Editorial Gente Nueva, enquanto chegava a certeza – compartilhado pela maioria dos cubanos – de que com o salário ganho legalmente não poderia manter sua família. De maneira que, sem concluir meu serviço social, pediu baixa e dedicou-se ao trabalho melhor remunerado de professora de espanhol – freelancer – para alguns turistas alemães que visitavam La Habana. Era a etapa (prolongada até os dias de hoje) em que os engenheiros preferiam dirigir um taxi, os maestros faziam o impossível para trabalhar no arquivo de um hotel e nos balcões de uma loja poderias ser atendido por uma neurocirurgiã ou um físico nuclear.
Em 2002 o desencanto e a asfixia econômica a levaram a emigrar para a Suiça, de onde regressou – por motivos familiares e contra a opinião de amigos e conhecidos – no verão de 2004.
Nesses anos descubriu a profissão que a acompanha até hoje: a informática. Se deu conta que o código binário era mais transparente que a rebuscada intelectualidade e que se nunca havia ido bem no Latim, ao menos poderia empreender com as compridas cadeias da linguagem html. Em 2004 fundou com um grupo de cubanos – todos radicados na Ilha – a revista de reflexão e debate Consenso. Três anos depois continua trabalhando como web master, articulista e editora do portal Desde Cuba.
Em abril de 2007 se enredou na aventura de ter um Blog chamado “Generación Y” que definiu como “um exercício de covardia”, pois a permite dizer neste espaço o que está vedado em sua ação cívica.
Vive em La Habana, com o jornalista Reinaldo Escobar – com quem divide a vida há quase quinze anos.Ver os posts do autor (156)
Estavam a três metros um do outro e orientaram seus celulares – como os cowboys no meio de um duelo – para arremessarem o vídeoclip “Decadência” e as últimas fotos de Carlos Lage. A informação viajou pelo ar e se armazenou na memória de cada aparelho telefônico. Não ficaram rastros do envio, nem sequer os que estavam ao redor deram-se conta que quase cinquenta megabytes haviam cruzado o parque em poucos minutos. Quando a noite avançou, passaram os “materiais” a uma dezena de amigos, que no outro dia os transferiram a outros cinquenta.
A tecnologia bluetooth é o pesadelo dos censores. Livros proibidos em formato pdf, canções que nunca são escutadas no interior da Ilha e todo tipo de notícias ausentes dos meios oficiais se transmitem através destas radiofrequências. Na capital é um fenômeno crescente, especialmente entre os mais jovens. Inclusive há os que portam um telefone celular que só usam como meio de armazenamento e intercâmbio de fotos, música e vídeos, por não poderem pagar os altos preços do serviço móvel.
O intangível abre caminho nesta sociedade onde imprimir uma publicação pode levar-nos ao cárcere pelo delito de “propaganda inimiga”. Numerosos jornais, exclusivamente virtuais, estão vindo à luz, enquanto uma cultura digital deixa fora do jogo os que pensam que as revoluções se fazem só com as armas e com discursos. Para eles, estas ondas omnidirecionais são puro jogo de crianças. É melhor que acreditem nisso. Quando derem conta de sua importância, o inalámbrico terá conseguido reconectar essas fibras que – sistematicamente – foram cortadas entre nós, cidadãos.
(Publicado em Geração Y)
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A rede Tor pode ajudar quando se precisa de anonimato na web.
É excelente nesse sentido, porém terá menos velocidade de tráfego pois parte da banda passante será usada para esconder origem e destino dos dados.
[...] também tem seus posts publicados em Português no site do Instituto Millenium. Recomendo “Bluetooth: dizer sem palavras”, onde ela revela por que a tecnologia bluetooth se tornou o pesadelo dos censores em Cuba. Graças [...]