Obama: Belos discursos, mudanças difíceis

8 de abril de 2009
Autor: Claudio Mafra

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O presidente Obama, com todo seu carisma, não está conseguindo muito mais do que Bush no contato com os europeus. Sempre foi desejo americano que a Europa aumentasse suas tropas no Afeganistão, mas não tem jeito. Obama anunciou que, para começar, vai deslocar 10 mil homens imediatamente e 11 mil a curto prazo, o que somados aos que já estão combatendo totalizam 59 mil. A OTAN, (sem americanos, estão separados) possui 32 mil. Os europeus aparecem com 900 da Grã-Bretanha, 600 da Alemanha, 600 da Espanha e depois se escondem atrás de especialistas que vão apenas treinar os afegãos, ou seja, esses não vão brigar. Os europeus morrem de medo de perderem seus soldados. Querem sempre que os Estados Unidos façam tudo sozinhos. Acostumaram-se a isso desde os tempos da Guerra Fria. Naquela época abrigaram-se debaixo do guarda-chuva nuclear americano. Desenvolveram-se, fazendo estradas maravilhosas, fábricas de automóveis, roupas, boa comida e bebida, e que os Estados Unidos cuidassem da União Soviética. A OTAN sempre foi apenas um nome que abriga muitos países, mas que, de fato, até agora só contou com o impressionante poderio militar americano. Em 1995, esperava-se que as tropas européias fossem cuidar do conflito nos Balcãs, no massacre que os sérvios perpetravam contra os bósnios, mas nem assim, em solo europeu, na sua cozinha, os europeus tiveram coragem para mandar seus soldados. O quê? Enfrentar os sérvios, soldados ferozes? De jeito nenhum! Ficou tudo por conta dos Estados Unidos, que rapidamente resolveram a questão, usando apenas a força aérea.

Há pouco tempo, a França de Chirac esperneou porque queria de todo jeito comandar as tropas da ONU que iriam patrulhar a fronteira entre Israel e Líbano. Muito bem, vamos dar o comando para a grande França. Quando Chirac anunciou que iria enviar 200 soldados, até os europeus acharam que era medo demais. Constrangido, ele teve que aumentar sua força para um número decente. Com Sarkozy, espera-se um comportamento diferente, mesmo porque ele já desmonstrou que deseja reintegrar a França nas forças da OTAN. O general De Gaulle, no seu delírio de que ainda era uma grande potência militar, que antagonizava a hegemonia americana, retirou-se da organização em 1966.

Obama também desejaria que os europeus, que clamam tanto a favor dos direitos humanos, recebessem alguns dos pacíficos e injustiçados prisioneiros de Guantânamo. Afinal, ele prometeu em praça pública que fecharia a prisão imediatamente depois da sua posse. Mas,… quem diria, enfrenta os mesmíssimos problemas do seu antecessor. Segundo os jornais, “apenas Portugal e França deram sinais de boa vontade”. Receber mesmo os prisioneiros vai depender de muito mais conversa. Quando estiverem com as fichas deles nas mãos vai ser um espanto.

Outro problema para o novo presidente: o escudo antimíssil que ele prometeu que não construiria. Esse projeto de Bush colocou em pânico a Rússia. Parece um novo “Guerra nas Estrelas” de Reagan. A desculpa esfarrapafa de Bush foi de que o escudo estava destinado a proteger a Europa e os EUA de um possível ataque com foguetes iranianos. Obama está dizendo a mesma coisa. É claro que o escudo pretende dar proteção total indistintamente de qual seja o país e, sem dúvida, o principal alvo é a Rússia. No caso de o Iran chegar a conseguir a bomba atômica e o míssil capaz de transportá-la, esse será um problema tão grave, que seria ingenuidade acreditar que os Estados Unidos estariam se protegendo, tratando esse país como se fosse a antiga URSS. O mais provavel é que o governo americano, e Israel, nunca permitam que os iranianos alcancem esse grau de desenvolvimento bélico. Obama, que deseja conversar com todo mundo, não quer irritar a Russia, mas ao mesmo tempo, sofre pressões da Europa para que mantenha o escudo. Ele mesmo deve sentir a responsabilidade de abandonar o projeto, diante de uma Russia cada vez mais potente e agressiva. Afinal, parece que não é tão facil assim efetuar as “changes”.

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