18 de setembro de 2009
Autor: Claudio Mafra
Foto: Claudio Mafra. Reprodução permitida mediante citação dos créditos
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O ataque às torres em Nova York foi um ato de guerra, não apenas um crime. Os Estados Unidos levaram um mês tentando convencer a ONU, e também seus supostos aliados eurabianos, que o país responsável era o Afeganistão, e que a resposta armada havia se tornado um direito americano. Vocês se lembram desse enorme esforço diplomático para demonstrar o óbvio? Muito poucos ficaram ao lado dos Estados Unidos.
Bush provou a tese quando deu uma oportunidade ao país agressor: se Osama Bin Laden, e outros líderes das Al Qaeda fossem entregues para a justiça americana, não haveria a invasão. O taleban mulá Omar, supremo dirigente do selvagem regime afegão, recusou a proposta e desafiou os infiéis. Vocês se lembram desse episódio fundamental? E das conversações com o presidente do Pasquistão para que ele permitisse o uso do espaço aéreo e terrestre do seu país? Para concordar, Pervez Musharraf precisou ver as provas de que a Al Qaeda era culpada, além de muita ajuda econômica. A paciência do governo americano chegava a incomodar. Entretanto, todos esses fatos caíram no esquecimento coletivo. A partir da invasão começou a ser cultivada, a ser criada, lentamente, a imagem de um presidente americano que não procurava o diálogo, um homem bronco, despreparado, e principalmente, o maior dos crimes, um NEOFUNDAMENTALISTA! Iniciou-se o processo que o tornou imensamente impopular, nos Estados Unidos e em todo o mundo.
Quando um repórter esquerdista perguntou ao então presidente Fernando Henrique a respeito da decisão americana de entrar em guerra, foi daquela maneira que conhecemos, ou seja, já perguntou malhando os Estados Unidos. Recebeu uma resposta irritada: “Mas, eles foram atacados!!!” Se fosse o Lula diria alguma coisa idiota, “o melhor caminho prá resolvê a questão é a diplomacia”, ou, “tem que sê a ONU”.
O direito de revidar era tão claro, e o povo americano estava tão ultrajado, que até o senador Obama votou a favor da guerra.
Não é verdade que os Estados Unidos invadiram o Iraque pensando na oportunidade de promover uma democracia que servisse de exemplo para outros povos do Oriente Médio. As tropas estão lá, unicamente, porque aquele país tornou-se uma ameaça à segurança americana. Acontece que, depois da vitória, a única forma de devolver o poder aos iraquianos teria que ser através de eleições, ou seja, criar instituições democráticas. Existe outro jeito? Dessa maneira, instalar a democracia tornou-se um subproduto da invasão. Agora, afirmar que foi uma ingenuidade de Bush não perceber que seria difícil administrar o Iraque, é falta de informação, ou má vontade. Se existia uma pessoa no mundo consciente do problema, era ele mesmo. Ouvia seu pai falar sobre o assunto no café da manhã, almoço e jantar. Não foi por acaso que Bush-pai decidiu que era melhor deixar o ditador no poder, em Bagdá, depois de arrasar seus exércitos na guerra do Golfo. Ele sabia muito bem da imensa dificuldade em ocupar um país de maioria xiita. Como lidar com o povo que mais odeia os Estados Unidos, essa massa de fanáticos que tornou o nome – xiita – uma expressão mundial de radicalismo e violência? Saddam mantido no poder, mas impedido de atacar os curdos e com zonas de exclusão aérea, foi a forma encontrada para, sem dominar o país, mantê-lo longe de outra agressão contra o Kuwait e Arábia Saudita. Saddam era muito bom nesse negócio de controlar os xiitas. Eles ficaram quietinhos durante todo o seu reinado.
E Bush-pai foi muito criticado por essa medida. Criticado pelos mesmos que condenaram Bush-filho por haver atacado e deposto Saddam. Em suma, não era desejo da família Bush descascar esse abacaxi. Foi uma imposição da realidade. O Iraque estava se tornando um santuário para o terror, além da imensa probabilidade de Saddam ter, ou voltar a ter, armas de destruição em massa, que é tema de meu próximo artigo.
Finalizando: quantos se lembram que, momentos antes do ataque, Bush propôs dar a Saddam mais quatro dias, até o dia 17 de março, para provar que estava se desarmando? Uma atitude única para quem ficou, durante meses, tentando convencer a ONU e a comunidade internacional da necessidade da guerra. E mais importante ainda: quando venceu o prazo, Bush deu a Saddam e seus filhos 48 horas para deixar o Iraque, a troco da não invasão. “Sua recusa em obedecer” – o presidente avisou – “resultará em um conflito militar a ser iniciado no horário de nossa escolha”. Quantos se lembram das palavras de Rumsfeld: “Na guerra contra o terrorismo a vitória não é para o nosso tempo de vida”. Eu vi e ouvi. Realista e forte. Na versão que se espalhou pelo mundo o governo americano comportava-se com a audácia da ignorância, comportava-se como se tudo fosse fácil.
E nós seguimos lendo as reportagens de esquerda e os artigos importados do NYTimes. Ou fazemos um esforço redobrado, ou vamos ficar estacionados com a maioria.
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(Publicado em Reflexões Radicais)
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