8 de outubro de 2009
Autor: Claudio Mafra
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E nos chega a notícia de que sete ex-diretores da CIA enviaram uma carta para Obama pedindo que cesse a investigação que o liberal louco, Eric Holder, o US Atorney General, está movendo contra a agência. Vou repetir: sete homens da maior responsabilidade, que dirigiram a CIA em governos democratas e republicanos, acham que não se pode processar agentes secretos, desmoralizando a Inteligência americana e colocando seu pessoal em risco.
Os últimos tempos foram de insucessos para Obama: o plano de saúde fazendo água por todos os lados, ele ter sido chamado de mentiroso, a descoberta de que seu governo tinha um assessor comunista (Van Jones, que pediu demissão) a carta dos ex-diretores da CIA, e o escândalo na entidade que o apoia, a ACORN. Para se recuperar, ele fez um tour por todas as redes de TV americanas, aquelas que o adoram. Foi entrevistado pelos principais âncoras dos Estados Unidos, mas não quis ir na FOX, a única que lhe faz oposição.
Obama está confuso, atordoado com o pedido do general McCrystal de mais tropas para o Afeganistão. Ora, não era a sua grande descoberta, a sua estratégia genial anunciada durante a campanha? Tirar o foco do Iraque, e mandar as tropas para o Afeganistão? Essa soberba decisão não foi festejada por toda a mídia? Bem, ele cumpriu o prometido e enviou 21 mil homens, mas parece que nem fez diferença. A situação piora a cada dia. O documento que recebeu do general McCrystal é contundente. Só admite uma interpretação: se resolver trazer os soldados para casa os talebans tomam facilmente o poder e vence o terrorismo (segundo Condoleezza Rice, nessa hipótese haverá outro ataque aos Estados Unidos). Se continuar com o mesmo efetivo, aumentam as baixas americanas. A única chance de vitória, segundo o general, será enviar mais tropas, mais 45 mil homens. Agora ficou dificil. O fantasma de um conflito sem definição é apavorante, e Obama não pode culpar Bush. Afinal, ele mesmo reconheceu que essa é a guerra “certa”. E as palavras do general estão lá: “Se mantiver o mesmo efetivo aumentam as baixas americanas”. E o pedido por mais tropas foi em agosto.
Por tudo que li, ouvi, e vi (eu estive no Afeganistão), não acredito que aumentar o número de soldados resolva o problema. É melhor sair, deixar que os talebans tomem o país, que as diversas etnias se engalfinhem, e ficar de fora, bombardeando o que os satélites e os aviões fotografarem como reduto terrorista. Bombardear com nivel mais baixo de restrição aos danos colaterais, infelizmente. Algumas pessoas comparam a Segunda Guerra Mundial, que durou cinco anos, com o Iraque, ou o Afeganistão, que já emplacaram mais tempo do que isso. É risivel. Não houve alvo seletivo na Alemanha. As cidades foram reduzidas a escombros. Chamava-se “bombardeio de saturação”. Se os Estados Unidos fizessem com Kabul, Kandahar, Marzar-e Sharif, Herat, e nas vilas das montanhas, o mesmo que em Hamburgo, Colônia, Dresden, essa guerra acabaria em um mês, sem a perda de nenhum soldado ou avião. Ao dizer que com os talebans no poder os Estados Unidos vão sofrer novos atentados, Condi Rice não contempla – e nem poderia – a hipótese do bombardeio total.
E nem vou falar no desastre que foi a posição de Obama no problema hondurenho. Ele criou toda uma situação calamitosa, aliando-se à Chávez, sem perceber. Nada teria acontecido se o rei do teleprompter não houvesse condenado o governo Micheletti, baseando-se em antigas histórias de antigos golpes. A camarilha latino-americana nem acredita no presente que recebeu. E o tempo passa, e não existe nenhuma alma caridosa para pegá-lo pelos ombros, sacudi-lo, e mostrar que está tudo errado, que sua ignorância monumental arrisca levar Honduras para uma guerra civil desejada por Ortega, Lula, Chávez, Morales, o energúmeno do Equador, e os intelectuais da Eurábia.
E o Lula tornou-se muito perigoso. Sente-se tão seguro que aos poucos vai mostrando sua verdadeira cara, aquela da qual tínhamos medo. Sua atrevida intervenção em Honduras nos faz imaginar o que pode acontecer se a Dilma ganhar, e ele voltar em 2014. Já pensaram que poderemos ter um exército estilo Venezuela? Um exército petista? Para isso ele precisa: 1) comprar os armamentos que os militares desejam (o que está sendo feito); 2) dobrar os seus salários; 3) mudar os professores nas escolas que formam os oficiais. Fácil assim.
E enquanto Chávez chamou Bush de “demônio”, Kadafi diz, na ONU, que “ficaria feliz se Obama fosse presidente dos Estados Unidos para sempre”. Será que isso tem algum significado?
(Publicado em Reflexões Radicais)
Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.