Aquecimento global

4 de dezembro de 2009
Autor: José Celso de Macedo Soares

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O assunto do momento é o chamado aquecimento global do planeta. Reuniões internacionais para discutir o assunto são programadas, como a próxima de Copenhague. Não sou  técnico no assunto, mas tenho acompanhado os debates e leituras sobre a matéria. O interessante livro Superfreakonomics, de Levitt e Dubner, traz um  capítulo sobre o assunto. Vou comentar alguns de seus trechos. Em 1970, o New York Times e a revista Newsweek alertavam o mundo sobre a mudança climática que constituía uma ameaça para os povos do mundo. Uma diferença: os artigos versavam sobre os efeitos do esfriamento global. Os alarmes soaram porque a temperatura media do solo no Hemisfério Norte caíra  0,26º C, de 1945 a 1968. Além disso, ocorrera grande aumento na cobertura de neve. E a Newsweek informava que o declínio da temperatura poderia causar surtos de fome, pois o resfriamento poderia causar a redução do cultivo. Alguns cientistas chegaram a propor soluções de aquecimento  radicais, como derreter a calota polar ártica com fuligem negra.

O que dizem disto? Hoje, evidentemente, a ameaça é oposta. Não mais se receia que a Terra fique fria demais, e sim quente demais. Cito este exemplo para mostrar que não devemos radicalizar a questão. Mas temos que prestar a devida atenção ao problema.  Lançamos quantidades enormes de resíduos de combustíveis fósseis que queimamos, seja nos transportes como nos aquecimentos e resfriamentos. Interessante exemplo nos dão os autores. Se você vai de carro queimando etanol ao supermercado, está contribuindo para a redução de gases estufa. A menos que vá comprar carnes. Por quê? Porque os bovinos, carneiros e outros ruminantes são poluidores contumazes. Suas exalações, flatulências e excrementos emitem metano que, de acordo com medidas, são 25 vezes mais potentes como gás de efeito estufa, que o dióxido de carbono liberado pelos veículos. Os ruminantes do planeta são responsáveis por cerca de 50% mais gases que produzem efeito estufa que todo setor de transportes. Pensando nisto é que alguns apaixonados pelo assunto propuseram que a carne bovina fosse substituída pela carne de canguru, pois os gases intestinais do canguru não contém gás metano. Só rindo.

As discussões continuam. Al Gore conclama os cidadãos a sacrificar suas sacolas de plástico e seus aparelhos de ar condicionado. Mas, outros estudiosos dizem que a atividade humana é responsável por apenas 2% das emissões globais de dióxido de carbono. O restante é produto de processos naturais, como a decomposição de plantas. Por aí se vê que a discussão é ampla.

Mesmo aqui no Brasil vemos posições conflitantes. A Amazônia tem a maior rede fluvial do mundo. A produção de energia elétrica mais limpa é por meio de hidrelétricas. No entanto, 80% da energia produzida na região vem de termoelétricas. E por quê? Toda vez que se trata de construir uma hidrelétrica, os ambientalistas põem obstáculos enormes para sua construção, licenças do Ibama, etc. O que querem? Que continuem as termoelétricas? Evidentemente, estudos precisam ser feitos para diminuir o impacto ambiental. Mas hoje, com a técnica de turbinas tipo bulbo, pode-se diminuir grandemente a superfície da região alagada pelas barragens. Outro aspecto é a navegação fluvial. Segundo técnicos, ambientalistas tem se oposto à construção da eclusas, para permitir a navegação contínua no rio interrompido pela barragem, pois, dizem, aumentaria o tráfego no rio causando poluição. Grossa bobagem. Pequeno exemplo: para transportar 1000 toneladas de carga em rodovias, precisamos de 50 caminhões com 50 motores despejando gás carbônico na atmosfera. Para transportar a mesma quantidade em hidrovias, precisamos apenas de um rebocador empurrando chatas, ou seja, apenas um motor lançando gás na atmosfera. Quem polui mais?

Todos devem fazer o maior dos esforços para diminuir o aquecimento global. Mas, as medidas devem ser condizentes com todos os aspectos da qualidade de vida global. E, devemos ter sempre uma atitude positiva em relação a estes problemas. Porque como dizia Fernando Sabino: “No fim tudo dá certo. Se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.”

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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