Há meses eu me pergunto se sou a favor ou contra que a Olimpíada de 2016 seja realizado no Rio de Janeiro. Um dia fico empolgado, achando que será ótimo, que a cidade receberá muito dinheiro para investimento em infraestrutura, saneamento das favelas, além de um plano eficiente e lógico de transporte coletivo, uma ação coordenada das forças de segurança contra o tráfico e as milícias, equipamentos esportivos de última geração que beneficiarão os cariocas após os Jogos, fomento para a cultura e uma fama mundial que atrairá milhões de turistas no futuro, trazendo benefícios para a cidade e seus moradores.
Mas no momento seguinte sou acossado por temores sobre a corrupção, o mau uso do dinheiro público e a utilização eleitoreira dos Jogos Olímpicos. Quando penso nos motivos que levaram a maioria dos cidadãos de Chicago, nos Estados Unidos, a ser contra a escolha da sua cidade para sediar a Olimpíada chego facilmente à conclusão de que podemos estar entrando numa grande roubada.
E o que me leva a crer nisso é a nossa tradição de perder oportunidades, jogar dinheiro público em projetos não fundamentais e maquiar aquilo que deveria ser enfrentado com profundidade.
Olimpíada? Só se for bom para os habitantes da Zona Oeste, para os que moram em zonas tomadas pelo tráfico e por milícias, para a educação, para aqueles que gastam a vida num sistema de trânsito infernal e corrupto.
Amo o Rio de Janeiro e adoraria estar torcendo intensamente para receber o maior evento esportivo do mundo na cidade, mas confesso meu temor. O amor pelo Rio de Janeiro é amor por sua população.
(O Dia – 01/10/09)
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