5 de março de 2010
Autor: José Celso de Macedo Soares
Fato sem dúvida observado é que os governos, nos regimes de mandato a prazo fixo, não somente cansam o público, como eles próprios depressa se esgotam, impacientes de acabar. Isso se deve à medida certa que tem tais governos para realizar os programas que se proponham. Na proporção que o tempo passa, o jogo de iniciativas se vai enregelando, as pessoas que o atiçam ou que o rodeiam não pensam senão em ir afivelando as próprias malas, amarrando os embrulhos, arrumando as mantas e os casacos, pois não tarda o término da viagem e o desembarque.
Esta experiência é antiga. Os melhores governos não escapam à regra inflexível de saturação das caras que a generalidade do público, no desejo de mudar, quer ver mudadas o mais depressa possível.
Por mais que se esforce, percorrendo quase diariamente o país todo, com sua candidata à reboque, o governo Lula não escapa à regra. O público, vendo a lista de nomes em todos os Estados para figurar na comédia lulista, enfara-se antecipadamente. Já os conhece todos, com suas incoerências, leviandades e vantagens indevidas. Nenhum deles mereceria escapar do olvido, que é a condenação irrecorrível dos que tiveram sua oportunidade na vida pública e, por incapacidade, não a aproveitaram.
Assim, a corte lulista dá ao público a impressão fastidiosa de mais um mau jantar comido até à sobremesa, e que vai recomeçar de novo na sopa. Todos os pratos são conhecidos e foram experimentados. Entretanto, o menu fracassado tenta permanecer quando já lhe faltam os estímulos da curiosidade e da fome.
Neste menu fracassado constam as estradas esburacadas, o atendimento miserável que a população mais desprotegida sofre nos hospitais públicos, a baixa qualidade do ensino público fundamental. O recente relatório “Educação para todos”, da Unesco, coloca o Brasil na 88ª posição na classificação de desenvolvimento educacional, atrás de países mais pobres do continente, como Paraguai, Equador e Bolívia. A repetência média na América Latina é de pouco mais de 4%, enquanto no Brasil é de 19%. Tudo isto é representado pela posição do Brasil no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, que nos coloca nas mais baixas posições na classificação mundial. Evidentemente que o governo Lula não é responsável por esta situação que já vem de longe. Mas pergunto: o que fez S.Exa. para melhorá-la nos quase oito anos de Governo? Praticamente nada. O famoso “PAC” está empacado na maioria dos casos. Sequer o “ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio” conseguem fazer direito. Pudera. O Presidente diz que não gosta de ler…
É ledo engano pensar que presidentes que deixam o mandato consigam transferir seu suposto prestigio ao candidato por eles escolhidos para sucedê-lo. Os exemplos são vários. O mais recente, o do Chile, em que a Presidenta que sai, mesmo com seu alto prestigio pessoal, não conseguiu eleger seu candidato.
Isto porque, como já disse anteriormente, o povo não gosta de menu requentado. País jovem como o Brasil, com várias experiências de governo, inclusive sofrendo ditaduras várias no decorrer de sua história, gosta de mudanças, de caras novas para governá-lo.
O que o Sr. Lula está tentando fazer com sua candidata a tiracolo não terá nenhum efeito. Ele não poderá escapar do fato inelutável da velhice dos governos. É o que aconteceu no mundo todo. Alguns exemplos: Churchill na Inglaterra que, depois de sucessivos mandatos e de ter vencido uma guerra, foi impiedosamente apeado do governo, logo após a guerra. De Gaulle, na França, herói da resistência contra o nazismo, a mesma coisa, só para citar alguns. E, a recente viagem do Senhor Lula à Cuba e seus abraços aos ditadores irmãos Castro mostram que ele não percebeu que seu tempo já passou. Suas tiradas já não fazem efeito.
Vendo o governo do senhor Lula, não posso deixar de lembrar o que disse P.J. O’ Rourke, escritor americano, sobre governos: “Se o governo fosse um produto, vendê-lo seria ilegal”.
Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
Prezado Jose Celso de Macedo Soares;
Excelente artigo, não consigo entender porque a imprensa em geral não divulga com todo o rigor o resultado o relatorio da Unesco!!!
Estarei repassando este artigo!
Um abraço
Jose Paulo
Jose Paulo de Macedo Soares Junior