A França condecora um
Lula imaginário

3 de outubro de 2011
Autor: Guilherme Fiuza

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Guilherme Fiuza

Se os intelectuais deram a ele o título de doutor em Paris, deve ter havido algum erro na tradução de “mensalão” para o francês

Luiz Inácio da Silva foi condecorado na França. O título de doutor honoris causa, concedido ao ex-presidente brasileiro pelo Instituto de Ciências Políticas de Paris, tem valor especial: em 140 anos de existência da prestigiada instituição, apenas 17 pessoas receberam a homenagem. Para os intelectuais franceses, Lula é o homem do povo que dobrou as elites, o ex-operário que superou a ignorância para salvar os pobres. Só quem não superou a ignorância, pelo visto, foram os cientistas políticos parisienses.

Lula não é o único mal-entendido dos luminares europeus. Instituições de alto nível como Sorbonne e London School of Economics estão cheias de pensadores com teorias incríveis sobre heróis do Terceiro Mundo. Essas usinas de bondade à distância fazem cabeças no mundo inteiro. Notáveis como o escritor José Saramago e o cineasta Oliver Stone depositaram seus sonhos revolucionários em Hugo Chávez, em defesa dos fracos. O herói bolivariano afundou a Venezuela e espalhou o autoritarismo populista pela América do Sul. Mas esses detalhes não arranham a ética dos notáveis.

Os intelectuais franceses ovacionaram Lula. Especialmente quando ele se declarou o primeiro presidente brasileiro a não governar para os ricos, demonstrando “que um metalúrgico sem diploma universitário podia fazer mais do que a elite política do Brasil”.

Lula fez mais – até porque soube, como ninguém, se apropriar do que os outros fizeram. A redução da desigualdade no Brasil nasceu de um plano econômico que Lula tentou afundar a todo custo. Eleito presidente, jogou suas teses de ruptura no lixo e surfou na política monetária do antecessor. O Instituto de Ciências Políticas sentiria náuseas se alguém lhe informasse que o poder de compra dos pobres foi elevado por um “neoliberal”. O humanismo fashion dos franceses não suportaria esse golpe.

Eles têm razão. O enredo do coitado que vira salvador da pátria é muito mais excitante do que a história real, que só existe para atrapalhar os teóricos da bondade. Condecorar um Lula da Silva como herói é um verniz e tanto para acadêmicos e artistas do Primeiro Mundo. No texto da revista Time que lançou Lula como celebridade internacional em 2010, o cineasta panfletário Michael Moore explicava que o brasileiro se tornou um dos mais influentes do mundo por ações como o Fome Zero. O fato de esse programa ter morrido de inanição não interessou ao justiceiro de Hollywood.

Para fazer “mais do que a elite política”, o metalúrgico sem diploma fundou sua própria elite política. Apinhou o aparelho de Estado com sindicalistas e correligionários, mostrou com quantos cargos se constrói uma rede de lealdades. Sua “elite política” montou um duto entre os cofres públicos e seu partido, no mais ousado esquema de corrupção já visto neste longínquo país tropical.

Quase quatro dezenas de aliados do doutor honoris causa aguardam julgamento por esse escândalo sem precedentes. Mas deve ter havido algum problema na tradução de “mensalão” para o francês.

A canonização de Lula é um diploma de futilidade das elites intelectuais europeias e americanas. Mas isso é problema delas. O problema do Brasil é o bombardeio propagandístico que vai eternizando no poder um projeto político dedicado a uma causa soberana: permanecer no poder.

Os mitos vão aniquilando a crítica. Dilma Rousseff, a primeira mulher, que sucedeu ao primeiro operário, é capa da revista Newsweek, apresentada como uma comandante implacável com a corrupção. O fato de que todos os focos de corrupção “combatidos” por Dilma tenham provindo da nova elite política que a elegeu, e de que Lula tenha convidado os denunciados a resistir com “casco duro” em seus cargos, também não teve tradução para o inglês.

Pelo visto, nem para o português. As pesquisas eleitorais para 2014 revelam que o Brasil quer uma doutora honoris causa em Paris.

Fonte: revista “Época”

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  1. Em primeiro lugar, gostaria de saber quem é Guilherme Fiúza. O rapaz parece que vive em um Universo Paralelo.
    Daí, sugiro que no rodapé de próximos artigos publicados por esse Instituto haja um breve currículo do articulista.
    Em relação a este artigo só posso dizer o seguinte: a inveja mata !
    E o pobre (de fatos, de argumentos, de lógica, de idéias,etc) articulista morre a cada dia, roendo as unhas, suando, tendo convulsões, ataques epiléticos, insônia, etc, sonhando com Lula e Dilma.

    Jorge Vieira


    03-10-2011 14:18:29
  2. excelente artigo – essa do “Lula imaginario” é exatamente tipico de uma certa “cultura francesa da esquerda caviar” – não se deve esquecer que esta mesma esquerda ainda adora Fidel Castro, cultua Che Guevara (ainda hoje visto como um heroi) e adulou Stalin e Trotsky (demoraram décadas para aceitar o fato consumado do Goulag) – e o apoio interesseiro a ditadores africanos (“la France à frique”, uma historia de corrupção…) – sem me alongar sobre o colaboracionismo francês com o nazismo…

    antonio lellis


    03-10-2011 15:55:37
  3. O esquerdistas europeus estão desesperado para encontrar alguém que sirva de exemplo, para isto eles acreditam em qualquer coisa. Assim como os petistas acreditam em qualquer coisa,basta ver comentários abaixo.

    Nelson


    03-10-2011 18:15:07
  4. O nome desse prêmio deveria ser: “agora manda ela comprar nossos caças”.

    Que palhaçada!

    .

    Bau


    03-10-2011 21:18:08
  5. Vai ver que o prêmio estava pronto para o DSK, a estrela do socialismo francês, mas depois do mega escândalo do hotel em NY com a arrumadeira e da acusação da jornalista francesa, resolveram dar para o Lula em troca da definitiva compra dos Rafales. Vamos ficar atentos.

    Maria


    03-10-2011 22:50:41
  6. Por que essa sequencia de prêmios honoris causa? (ou pro nobis caça, nesse especificamente).

    Já entreguem para Lula o de “Guia Genial da Humanidade” de uma vez por todas.

    Leandro


    04-10-2011 11:33:37
  7. Nunca li tanta bobagem e preconceito de classe ao mesmo tempo. Como sua mente é medíocre e seu pensamento curto. Repete o que o baronato das mídias e da imprensa comercial e privada pensam e falam nos salões da sociedade. Lula, é evidente, fez um governo muito melhor do que o do FHC, que, neoliberal, levou o Brasil três vezes a pedir dinheiro ao FNI de pires na mão. Você não tem influência, o que, realmente, acontece com o Lula, que somente este ano recebeu 7 títulos. Você é mesquinho.

    Davis


    04-10-2011 14:51:57
  8. Este rapaz, deve fazer análise,imaginem o quanto deve estar sofrendo com o sucesso do Lula, e agora mais ainda com o sucesso da Dilma. Já sei é o complexo de “vira lata”. Este coitado é no mínimo vesgo, pois olha as realizações do Lula e enxerga reflexos de outras ações de outros que passaram pelo planalto. Querer achar que os acertos do Lula tem a ver com o El Rei no mínimo brincadeira.

    jose luiz


    05-10-2011 21:06:20
  9. Procurei quem é Jorge Vieira no google, e lá diz que um foi técnico do América do Rio de Janeiro em 1960 ou corretor de imóveis de Lauro Freitas, Bahia
    Já Guilherme Fiuza, lá diz que ele é jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Repórter, editor e articulista desde 1987 Trabalhou nos jornais “O Globo” e “Jornal do Brasil”, é colunista da revista “Época” e mantém o blog “NoMínimo” e escreveu 3 livros
    Jorge V., acho que ele me convence mais que você…

    Simão Salomão


    10-10-2011 19:04:22
  10. Guilherme fiuza é jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atua como repórter, editor e articulista desde 1987. Trabalhou para os jornais “O Globo” e “Jornal do Brasil”, é colunista da revista “Época” e mantém o blog “NoMínimo”, onde publica artigos sobre política. É autor de “Meu nome não é Johnny”(Record, 2004), “3.000 dias no bunker” (Record, 2006) e “Amazônia, 20º andar” (Record, 2008.
    Eu quero saber é quem é esse tal Jorge Vieira…honoris…

    Simão Salomão


    10-10-2011 19:08:13

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