“O inimigo do meu inimigo é meu amigo”
É justamente por essa máxima que se orienta atualmente a relação de muitos liberais com o PSDB. O simples fato de fazerem oposição ao atual governo parece ser razão suficiente para uma aproximação desses grupos, em sua natureza tão distintos. Ao criticar a falta de transparência, o aparelhamento político do Estado, seu crescimento descontrolado, as sucessivas tentativas de controle da liberdade de expressão, dentre outros destemperos do atual governo, os liberais e o PSDB, aos olhos de muitos, parecem caminhar juntos no jogo político brasileiro.
Trata-se, contudo, de uma ilusão liberal. No afã de verem-se representados no jogo político brasileiro, muitos esperavam (e ainda esperam) do PSDB uma postura que não condiz com a natureza do partido.
Já virou lugar comum criticar o partido pela sua timidez na defesa do programa de privatizações executados pelo último governo tucano.
Os resultados das privatizações estão ai. Para ficar com somente três exemplos: a Vale, que em nove anos tornou-se a segunda mineradora do mundo (quando pública era a oitava); setor siderúrgico, que saltou de um prejuízo de US$ 260 milhões em 1992 para um lucro de US$ 4 bilhões em 2005; e o setor de telefonia, que permitiu que mais de 100 milhões de brasileiros tivessem acesso um celular (nunca é demais lembrar que antes das privatizações, não só o celular como a telefona fixa eram “bens de luxo”).
Acrescente-se: as melhores rodovias são atualmente operadas por entes privados (algumas delas, inclusive, “privatizadas” pelo governo atual).
Diante desses resultados, como explicar a postura tímida do PSDB na defesa de um dos maiores legados do governo FHC?
Para muitos, a explicação é a falta de apelo popular das privatizações dentre os eleitores brasileiros. Essa explicação carrega, em si, uma premissa comum a muitas das políticas do governo atual: a de que o povo brasileiro é ignorante, incapaz de reconhecer os resultados de uma política pública bem sucedida. Não sendo essa premissa válida e sendo a explicação verdadeira, mesmo diante da falta de apelo popular, valeria a pena uma defesa das privatizações e do seu legado, como forma de educação do eleitorado.
Cabe ainda outro questionamento implícito ao argumento em questão: não há partido que defenda as privatizações porque não há apoio popular ou não há apoio popular porque não há partido que defenda as privatizações?
Nesse sentido, assumindo a não-ignorância do povo brasileiro, a falta de apelo eleitoral não parece a explicação mais adequada para a postura tucana. A explicação parece residir mais no partido do que na população brasileira.
O PSDB, mesmo durante o governo FHC, nunca foi alvo de uma genuína conversão “pró-liberalismo”. O que ocorreu, e que parece incomodar ainda hoje as hostes mais tradicionais do partido, foi uma submissão a uma espécie de “realismo pragmático”. Reconheceu-se que sem a introdução de reformas liberais que visassem à redução do caráter nacionalista-estatizante retrógrado do Estado brasileiro o país não conseguiria a tão sonhada estabilização
Para a maioria tucana, essas reformas foram, antes de virtuosas, uma espécie de “mal necessário”.
Tanto é assim que o partido ainda hoje busca inúmeras explicações do “por quê”, naquela época, foi necessário implantar um programa de privatizações. Vejamos o que tem a dizer o Programa Partidário do PSDB sobre o tema:
“Apoiamos as privatizações no passado porque sem o aporte de capitais e métodos de gestão privados seria impossível expandir as indústrias petroquímica, aeronáutica, siderúrgica, a mineração e os serviços de telefonia e energia elétrica.”
Mas afinal de contas: se sem o aporte de capitais e métodos de gestão privados seria impossível expandir as indústrias supramencionadas, por que não defender a continuação do programa de privatizações?
Esse parágrafo é bastante elucidativo da relação do PSDB com as privatizações. É, para muitos tucanos, uma mácula na história do partido que será continuamente explicado sob a ótica do “não havia mais nada a ser feito” ou “era a única coisa que podíamos ter feito”, acompanhado de uma advertência: “fizemos no passado, mas prometemos não fazer mais!”.
A melhor ilustração dessa postura vacilante do PSDB foi protagonizada durante as últimas eleições pelo então candidato Geraldo Alckmin. Ao ser tachado de “privatizador” por Lula, o então candidato tucano passou a empunhar pateticamente camisas e bonezinhos de estatais. Com isso, além de consolidar a derrota eleitoral, ofereceu a metáfora perfeita para aqueles que acreditam que o estatismo nunca saiu da cabeça tucana.
Uma breve leitura do Programa de Partidário do PSDB deixa evidente que não somente a privatização é uma mácula na alma social-democrata do partido, mas todas aquelas reformas que são entendidas como liberais. O partido reluta, assim, entre a defesa de seu legado no poder (relacionado a essas reformas) e a defesa de um programa social-democrata. Frases como:
“Mais mercado, mais inserção na economia global, sim. Mas sobretudo mais políticas públicas de combate à pobreza e às desigualdades”
ou ainda
“O PSDB não é privatista nem estatista”
deixam evidente a ambiguidade de um partido com origem social-democrata e que tem o seu principal legado relacionado a reformas liberalizantes.
O atual presidenciável, José Serra, ainda em 2002, já havia se recusado a fazer uma defesa explícita das reformas efetuadas por FHC. Ainda hoje, o governador mostra não ter afinidade com as reformas então implantadas, defendendo, explicita ou implicitamente, a intervenção do governo nas taxas de câmbio e de juros, dois dos três pilares básicos implantados pela política econômica tucana em 1999 e ainda hoje preservados. Iludem-se, contudo, aqueles que acreditam ser essa uma postura pessoal do governador. É uma postura partidária. Voltemos ao Programa Partidário:
“O atual governo (…) manteve juros desnecessariamente elevados e o câmbio excepcionalmente apreciado, para alegria dos especuladores e sofrimento da indústria e da agricultura nacionais.”
Dada política de câmbio flutuante, implantada com sucesso por FHC, qual seria a solução tucana? Voltar a administrar o câmbio e então “depreciá-lo”? Seria o Presidente Lula, como “Chefe de Governo”, o responsável por garantir “juros menos elevados e câmbio mais depreciado”? Há, dentre os tucanos, aqueles que dirão: “Mas o atual governo manteve os gastos públicos elevados, o que levou a necessidade de juros elevados e do câmbio apreciado”. Verdade. Mas por que, então, atacar as consequências (sem apresentá-las como tal) e não somente suas causas?
O partido guarda, ainda hoje, uma enorme distância de um genuíno pensamento liberal. E mais: demonstra um crescente “arrependimento” pelos anos mais liberais de sua história. Para aqueles que criticam a postura dúbia tucana na defesa do legado FHC, já é hora de reconhecer que o partido nada mais faz do que retornar à sua origem social-democrata. Entre os tucanos, os liberais, que nunca foram muitos, são espécie em extinção.
A falta de um partido genuinamente liberal no ambiente político brasileiro acentua a carência de representação de muitos pensadores liberais, levando-os a identificarem com qualquer sombra de liberalismo em algum partido brasileiro.
Daí a desilusão liberal. Essa desilusão, contudo, é culpa dos liberais e não dos tucanos. É responsabilidade daqueles que viram nas reformas liberais e incompletas de FHC (afinal, o que há de liberal em aumentar constantemente gastos públicos e arrecadação de impostos?), a chance de verem o pensamento liberal realmente representado no jogo político brasileiro. Criticam o partido, quando o que ele faz é somente voltar ao seu ideário social-democrata. Retorno lamentável? Sim. Incoerente? Não. Incoerentes são aqueles que ainda tentam encontrar em um partido social-democrata a chance de representação de um pensamento liberal.
Para os liberais iludidos, resta a esperança de que, uma vez eleito, o PSDB retome a implantação de reformas liberais. Para os desiludidos e não-iludidos, resta a certeza de que, nas eleições de 2010, uma vez mais, a opção liberal vai resumir-se em escolher pelo “menos não-liberal”…
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A disputa entre o PSDB e o PT é, realmente, em muitos aspectos, apenas a disputa entre dois tipos de esquerda light, embora o PSDB respeito mais a democracia e as instituições do que o PT, sempre disposto a sabotá-las.
A vitória do PT nas últimas eleições parece ter tido efeitos contrários sobre os dois partidos de oposição. Enquanto o PFL/Democratas parece estar fortalecendo o seu ideário liberal, ou pelo menos alguns aspectos desse ideário, o PSDB tem procurado ser mais esquerda ainda do que já é, quase numa tentativa de se mostrar mais petista dos que os petistas.
Não restam dúvidas que os ventos atuas não sopram a favor da liberdade e da pluralidade de ideias. Para piorar não se vê partidos liberais com coragem para mostrar os males que o gigantismo do estado provoca na sociedade. Hoje quando ocorre um concurso público milhares de pessoas se candidatam, pois acreditam que lá tudo será melhor,enquanto que na iniciativa privada as oportunidades diminuem e o LUCRO é visto como malefício.Estamos caindo numa armadilha perigosa e urge que pessoas com visão desenvolvimentista tenham atitudes corajosas para mudar esta situação sob pena da miséria se instalar em nosso País.
O Partido Federalista é o único com uma consistente proposta para uma vigorosa descentralização e desburocratização do Estado brasileiro. A insistência dos liberais e “simpatizantes” em diluir esforços sendo mera força (menor) dentro de partidos declaradamente esquerdistas para “tentar mudar por dentro” é que não é de se entender. É como se judeus entrassem e fortalecessem um Partido Nazista ao invés de confrotá-lo desde fora. Se existe uma via política para os defensores de um estado eficiente (que faz o máximo com o mínimo), é unirem-se ao Partido Federalista, conseguirem as benditas 500 mil assinaturas e fazer dele seu tanque de guerra político contra as barricadas estatizantes.
http://www.federalista.org.br
Pela cartilha leninista, a social-democracia (PSDB) é o primeiro passo para a ditadura do proletariado (PT e demais partidos de esquerda)