A democracia e a corrupção

12 de agosto de 2010
Autor: Espaço do Leitor

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Por Kleber Bahia – Advogado

Vivemos em uma democracia representativa, onde temporariamente nós, eleitores, temos a missão de atestarmos o desempenho daqueles que nos governam através do voto, seja reelegendo-o, elegendo o candidato por ele apoiado ou escolhendo um candidato de oposição.

Faltando aproximadamente dois meses para o dia que escolheremos aqueles que vão nos governar pelos próximos quatro anos, é chegado o momento de acordarmos e voltarmos os nossos olhos para os candidatos e suas propostas de governo, sem antes deixar de observar o passado de cada um dos postulantes, pois acredito que a biografia de cada um serve de norte para que saibamos desta feita escolher melhor.

Devemos avaliar se queremos avançar ou continuar no marasmo de escândalos e falcatruas que estamos assistindo desde que o Lula e o PT chegaram ao poder.

Nós, eleitores, somos os responsáveis diretos pelo futuro político e institucional do nosso País. No momento do voto, devemos ter em mente que a acepção da palavra Democracia, segundo Abraham Lincoln é, “governo do povo, pelo povo e para o povo”, e não para beneficiar partido político ou grupos ligados a estes que ascenderam ao poder em razão da infeliz escolha que fizemos na eleição anterior.

É chegada a hora de analisarmos se estamos vivendo ou não em uma verdadeira democracia? Se o Poder que emana do povo é usado em seu benefício ou de terceiros? Se os princípios vetores da Administração Pública, insculpidos no Art. 37 da Carta Magna estão sendo observados em todos os seus termos? Qual o rumo que este ou aquele postulante pretende dar ao País depois de eleito?

O que passamos a assistir desde que o povo passou novamente a escolher de forma direta, através do voto, o Presidente da República e Governadores dos Estados Membros foi a violação por parte destes à Carta Constitucional que juraram cumprir e defender no momento de suas posses.

A Democracia tem como um dos seus pressupostos a possibilidade da alternância de poder o que é decisivo para a renovação da política e para o desenvolvimento do País.

A corrupção destrói a capacidade do Estado porque enquanto os procedimentos legais são considerados apenas em sua formalidade, os recursos públicos, que deveriam ser destinados à melhoria de vida da população, na realidade são extraídos e direcionados àqueles que são ligados ao partido e as pessoas que estão no poder.

A corrupção tem efeitos negativos sobre o governo, sobre a política e sobre as instituições nacionais minando a boa governança e subvertendo os processos formais da democracia.

À medida que os procedimentos formais são desconsiderados e a capacidade institucional do governo é esquecida, os recursos públicos sugados pelos corruptos fazem falta para a satisfação das necessidades da população como um todo (mas especialmente para a desfavorecida).

Então, antes do exercício do sufrágio, através do voto, que é a materialização da cidadania, devemos parar e refletir se queremos e merecemos continuar no atual estágio de imoralidades e escândalos que estamos vivenciando! Se seremos cúmplíces e co-autores dos crimes que continuarão a ocorrer! Pois para avançarmos e nos livrarmos desta situação, é que temos o direito e o dever de temporariamente mudarmos de governante. Espero que desta feita saibamos escolher melhor!

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Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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