25 de abril de 2010
Autor: Claudio Mafra

Quando Bush estava na presidência e propunha sanções contra o Iran, os nossos editorialistas e articulistas ficaram neutros, ou insistiam em “mais negociações”. Usavam a expressão “tratamento diferenciado” se referindo à Coreia do Norte, dessa maneira desconhecendo a imensa diferença para um país que havia obtido a bomba durante o período da Guerra Fria. Bush deixou claro que se as sanções não funcionassem, o uso da força seria uma opção, ponto que Obama prefere ignorar. Na época, Lula dizia muito enfático: “Até agora o Irã não fez nada de errado!”, cometendo inequívoco ato falho. Bem, com Obama presidente, e um Lula completamente destrambelhado indo para Teerã e desafiando meio mundo, a imprensa mudou, e ridiculariza cada palavra de quem voltou a ter o radicalismo do antigo metalúrgico.
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Uma verdadeira confissão de fé o discurso de Obama na reunião atômica: “Quer nós queiramos, ou não, os Estados Unidos são uma superpotência”. Longe da frase ser desafiadora, ele está querendo dizer que, infelizmente, é presidente de um país que se tornou poderoso. Sendo assim, pede desculpas. Trata-se de um liberal, e está na essência do liberalismo não se sentir confortavel nessa posição. Esses bananas sentem culpa por tudo, até pelos próprios méritos.
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Todo dia tem desastre na China. E sempre falta esparadrapo para as vitimas. Mas, o sonho da esquerda é ver esse país CHATÍSSIMO ser o primeiro do mundo. Dos correspondentes estrangeiros, só a Claudia Trevisan, do “O Estado de S. Paulo”, gosta de lá – pelo menos gostava, vai ver que já não aguenta mais. A Sônia Bridi, da “Globo”, o Gilberto Scofield, do “O Globo”, todos contavam os dias e pressionavam suas empresas para irem embora. Um posto de sacrifício, com posterior recompensa. A Sônia foi para Paris, e o Gilberto ficou algum tempo em Washington.
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Todo dia os chineses insinuam que vão apoiar sanções contra o Irã e depois fica tudo na mesma. Ele nos tratam feito uns bobos. A Patrícia Mendes, do “O Estado de S. Paulo”, diz que não, que é a Casa Branca que mente quando afirma que os chinos concordaram. Então deve ser uma sucessão de mentiras de Bush e Obama, porque essa história vem desde os tempos do ex-presidente. Perguntem aos empresários brasileiros que já viram inúmeros negócios serem “fechados”, e depois nem são recebidos quando voltam a Pequim. Eu assisti a um desses episódios e repito: o que um chinês fala não se escreve.
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As forças armadas do Paquistão mataram 73 civis e nenhum talibã. Notícia sem destaque. Um dos nossos grandes jornais nem publicou. Se fossem os Estados Unidos, seria manchete de primeira página, e escândalo para o resto da eternidade. Mas não deixaram de colocar na última linha uma coisinha para a gente não perder o costume. Era mais ou menos assim: “os paquistaneses disseram que estão sofrendo muita pressão das forças armadas americanas”. Ah, bom, está explicado, a culpa é deles, dos malditos americanos!
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Dentro do velho estilo Jimmy Carter, os liberais americanos estão atacando o governo Uribe, da Colômbia. Até que houve um intervalo grande para o episódio de Honduras,quando eles ficaram, como sempre, do lado do inimigo. Uribe, da Colômbia, Howard da Austrália, e Tony Blair, Inglaterra, foram os únicos chefes de estado condecorados por Bush com a mais alta comenda para civis, a Medalha da Liberdade. Tiveram uma conduta exemplar com os Estados Unidos. Uribe foi um parceiro perfeito no combate ao narcotráfico, e Howard e Blair firmes aliados nas ações militares.

A super incompetente AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) disse que, desde 1990, foram registrados 18 incidentes em que material atômico foi roubado ou perdido, a maioria deles na Geórgia. Claro que deve ter sido muitíssimo mais. (É feito denúncia de roubo no Brasil). Por enquanto, temos a impressão falsa de que somos senhores da situação, o número de mortos pelo terrorismo é pequeno, e vamos levando a vida malhando os Estados Unidos e os seus “excessos”, a sua “violência” no Iraque, Afeganistão, Paquistão, e em todo o mundo. Adolescentes birrentos que somos, condenamos a CIA, Guantânamo, os soldados “assassinos” que matam civis no ataque aos criminosos, e pensamos que tudo vai estar bem para sempre. De uma hora para a outra, vamos levar um susto. Terroristas com bombas bacteriológicas impondo suas condições, não só aos Estados Unidos, mas a nós também. Aí vai ser tarde demais.
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O famoso cientista e ateísta Richard Dawkins resolveu prender o Papa. A acusação é encobrir crimes de pedofilia. Realmente, esses caras não devem ser muito mais inteligentes do que nós. O ditado “o gênio é dez por cento de inspiração e noventa por cento de transpiração” está correto.
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Nem amarrado eu vou ler o Veríssimo, mas sem querer passei os olhos pela crônica e me interessei. O título é “O patrono”. Um espanto de audácia da ignorância. Embolou elogio à economia brasileira com Marx, Henry Ford, nazismo, Argentina, Operação Bandeirante, e partiu para altas considerações macroeconômicas: “Ford e o fordismo não foram os únicos responsáveis pela industrialização acelerada dos Estados Unidos a partir dos anos 20″, e “O que deve interessar a todo mundo é que está se criando uma coisa que até agora não existia no Brasil, um grande mercado consumidor interno”. Termina com a frase lapidar: “E ficou [Ford] como exemplo de racionalidade econômica a ser seguida. No caso do Brasil dos últimos cinco anos, um pouco tarde”. Nossa! Em poucas linhas, uma obra seminal! O que aprendemos sobre economia nunca mais será o mesmo!
(Publicado em “Reflexões Radicais”)
Os artigos assinados não traduzem a opinião do Instituto Millenium. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre os valores defendidos pelo Instituto e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.